Bem Vindo ao Blog do Pêga!

Bem Vindo ao Blog do Pêga!

O propósito do Blog do Pêga é desenvolver e promover a raça, encorajando a sociedade entre os criadores e admiradores por meio de circulação de informações úteis.

Existe muita literatura sobre cavalos, mas poucos escrevem sobre jumentos e muares. Este é um espaço para postar artigos, informações e fotos sobre esses fantásticos animais. Estamos sempre a procura de novo material, ajude a transformar este blog na maior enciclopédia de jumentos e muares da história! Caso alguém queira colaborar com histórias, artigos, fotos, informações, etc ... entre em contato conosco: fazendasnoca@uol.com.br

sábado, 29 de outubro de 2011

A importância do compromisso do peão na Doma Racional

 

A educação profissional de cavalariços é um trabalho que me traz muita satisfação. O cavalo, para ter seus potenciais estéticos e funcionais desenvolvidos, requer um manejo competente. Este, por sua vez, deve ser executado por cavalariços capacitados. Portanto a educação profissional de cavalariços é uma necessidade inegável para qualquer atividade eqüestre.

Ao longo dos anos eu recebi inúmeras perguntas feitas por cavalariços em treinamento. Muitas delas relacionadas com a doma racional. Acredito que as respostas a essas perguntas tenham utilidade para muitos adeptos do cavalo. Pensando nisso resolvi disponibilizá-las ao público eqüestre através de artigos em forma de diálogo entre domador (professor) e cavalariço (aprendiz). Os cavalariços serão representados pelo personagem ‘João’.

João: professor, eu tô acostumado a segurar pulo de cavalo, nunca tive medo. Esse negócio de ficar preparando o animal pra entender o que a gente quer com ele dá muito trabalho...

Professor: o João, eu sei que coragem é o que não lhe falta. A questão não é essa. Veja bem, se nós fizermos alguns exercícios com o cavalo para que ele entenda as nossas intenções, não haverá disputas entre nós e o animal. Ele vai relaxar e aceitar os nossos procedimentos. Isso vai ser bom, pois na ausência de comportamentos rebeldes da parte dele nós poderemos tirar proveito da situação. Além disso, os riscos diminuem muito. Para quê ficarmos nos arriscando sem necessidade se podemos encaminhar o treinamento de uma forma tranqüila e segura?

João: é que eu tenho pressa, quero montar logo e fazer o serviço.

Professor: este é o principal motivo de adotarmos os critérios racionais na doma, João. A princípio parece que o processo é mais lento. Engano nosso! Se tivermos um pouco de paciência e respeitarmos os limites do cavalo, os resultados chegam mais depressa.

João: Mas como, se já estamos a três dias preparando o cavalo pra montar e no meu sistema eu monto no primeiro dia?

Professor: tudo bem João, então me diga uma coisa, depois de montar quantos dias você gasta para o cavalo ficar tranqüilo e aceitar o ato de montaria em estado relaxado, sem a necessidade de ser contido pelas rédeas?

João: Bom, isso varia, tem cavalo que leva de 15 a 20 dias, mas outros costumam levar até mais de 30 dias.

Professor: Pois é João, na doma racional o cavalo passa por essa preparação, mas é montado desde o primeiro dia num estado de aceitação dos procedimentos de montaria. Não importa o tempo de preparo, apesar dele ser breve, o importante é que o cavalo concorde com o domador aceitando os procedimentos sem restrições. Um cavalo de sela precisa aprender a confiar no cavaleiro e para isso devemos investir nessa relação, oferecendo-lhe uma chance de entender nossas intenções para com ele.

João: mas como é que nós vamos fazer ele entender isso?

Professor: justamente com os exercícios utilizados como condicionamentos. Um russo chamado Ivan Petrovich Pavlov descobriu que os cães eram capazes de aprender através de um sistema que ele resolveu chamar de ‘reflexos condicionados’. Através da repetição de alguns exercícios era criado um hábito e os cães fixavam as instruções por via de memória. Pois com os cavalos a coisa é parecida. Eles têm boa capacidade de memorização e se soubermos utilizar essa virtude a nosso favor por meio da repetição de alguns exercícios, seremos capazes de dar entendimento a eles.

Fonte:  Nordeste Rural

Autor: Paulo Guilhon

Um comentário:

  1. o processo de doma ainda é algo mítico no Brasil. os peões parecem precisar montar em bicho bravo para mostrar sua masculinidade e poder de controle.
    Todos sabemos que nenhum animal pode com o homem, se quisermos amarramos, contemos de diversas formas, batemos, enfim podemos montar em qualquer coisa que se mova...
    O fato é, domar é ensinar, criar uma relação de confiança, fazer com que o animal procure em você a solução para os problemas e medos que ele sente.
    Domar não é bater é ensinar... reforçar comportamentos positivos, e eliminar respostas negativas.

    ResponderExcluir