Bem Vindo ao Blog do Pêga!

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O propósito do Blog do Pêga é desenvolver e promover a raça, encorajando a sociedade entre os criadores e admiradores por meio de circulação de informações úteis.

Existe muita literatura sobre cavalos, mas poucos escrevem sobre jumentos e muares. Este é um espaço para postar artigos, informações e fotos sobre esses fantásticos animais. Estamos sempre a procura de novo material, ajude a transformar este blog na maior enciclopédia de jumentos e muares da história! Caso alguém queira colaborar com histórias, artigos, fotos, informações, etc ... entre em contato conosco: fazendasnoca@uol.com.br

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O Perigo da Desitratação

 

É notório o aumento da temperatura nessa época do ano. Em todo o país a sensação térmica aumentou em média dois graus e, assim como nós, os animais sofrem com o trabalho perdendo líquidos de forma excessiva.

Geralmente as pistas de equoterapia e equitação estão expostas ao ar livre fazendo com que a temperatura do piso (areia,terra,etc) alcance altos graus de calor refletindo às ferraduras e os cascos. Diante de temperatura elevada o resfriamento natural pela sudorese e urina entra em disfunção dando causa a preocupante desidratação. Diz-se que um animal está desidratado quando o nível de água no organismo é inferior ao mínimo necessário para o normal funcionamento de todas as funções metabólicas. Neste artigo vamos explicar o mecanismo que conduz à desidratação, as respectivas consequências, e principalmente como prevenir e/ou tratar a desidratação. Os Equinos, tal como todos os mamíferos, tem necessidade de manter a temperatura corporal constante dentro de limites rígidos (entre 37 e 39ºC). Isto é obtido através de mecanismos termoreguladores. Durante o exercício físico, os processos químicos envolvidos em fornecer energia para a actividade muscular produzem uma quantidade de calor significante, como produto secundário. Como resultado, a carga térmica a que o organismo estaria sujeito, se não tivesse capacidade para se libertar deste excesso de calor, seria tremenda, conduzindo facilmente a um estado de choque por sobreaquecimento (choque de calor ou choque hipertérmico). São três os principais mecanismos para se libertar do excesso de calor produzido durante o exercício físico (mecanismos termoreguladores):

1. a respiração rápida

2. a redistribuição da circulação sanguínea para a pele

3. a transpiração.

Em certos animais, como por exemplo os cães, a respiração rápida é o principal mecanismo de libertação de calor; no entanto nos cavalos a respiração contribui para a libertação de apenas cerca de 20% do calor total, sendo a transpiração e a redistribuição sanguínea os principais mecanismos de dissipação de calor. Durante exercício físico intenso um cavalo pode perder 10 a 15 litros de fluidos por hora. Para compensar estas percas, o cavalo tem necessidade de aumentar o consumo de água e/ou reduzir o volume de urina. Contudo, por razoes não esclarecidas, há vezes em que o cavalo não se rehidrata durante ou após um período de exercício, apesar de uma extensa perca de fluido. A sede é o mecanismo através do qual o corpo reconhece que tem necessidade de ingerir água. Os estímulos fisiológicos da sede são o aumento da concentração de sódio no plasma; e/ou um estado de hipovolémia, isto é, diminuição no volume de fluidos no sistema circulatório. O sódio é o principal electrólito no mecanismo da desidratação.

O sódio existe no organismo dissolvido em água. Quando o organismo perde agua, a concentração de sódio aumenta, despertando um sinal que é transmitido ao cérebro com a indicação de que precisa de mais agua. Este é o mecanismo estimulador da sede. O suor do cavalo pode ter uma composição em sódio igual ou superior à do plasma sanguíneo, dependendo do tipo e duração da actividade física executada. Isto acontece porque quando um cavalo transpira, as grandes percas de fluido são acompanhadas de uma certa perca de sódio.

Posto isto, podem ocorrer duas situações: Se o suor transpirado tiver uma concentração de sódio semelhante à do plasma, a concentração de sódio no plasma mantém-se constante. Nestes casos a sede é estimulada devido a diminuição de fluido no organismo. O organismo reconhece que precisa de mais água. Contudo, se o suor transpirado tiver uma concentração de sódio superior à do plasma, o que implica a perca de elevadas quantidades de sódio a partir do plasma, a concentração de sódio no plasma diminui. Quando isto acontece, o organismo pode não reconhecer o déficit de fluidos, pois proporcionalmente, em relação à água, o sódio esta diluído. Nestas circunstâncias, o mecanismo da sede não é estimulado até que se verifique uma diminuição severa no volume de fluidos no sistema circulatório, com consequências graves nas restantes funções metabólicas do organismo, nomeadamente no sistema circulatório e urinário. Outros fatores que podem afectar o equilíbrio de fluidos no organismo de cavalos durante o exercício físico são o modo como o cavalo bebe água e o maneio do cavalo durante o treino e/ou competição. O transporte, por exemplo, pode causar uma redução no consumo voluntário de água.Além disso, há treinadores que por vezes restringem o consumo de água antes de uma prova, com a intuição de evitar que o cavalo carregue peso extra. Contudo, está cientificamente provado, tanto em cavalos como em atletas humanos, que a restrição de água antes de um período de exercício prolongado pode ser prejudicial por causar um estado de desidratação severo, que por sua vez reduz o volume plasmático suficientemente para afectar a dissipação de calor.

 

Um animal desidratado não pode transpirar adequadamente. Uma das funções da transpiração é libertar o excesso de calor produzido durante o exercício físico. Se o cavalo não consegue transpirar adequadamente ao ritmo que o organismo produz energia calorífica, o animal corre elevados riscos de sofrer de choque hipertérmico, com consequências devastadoras, incluindo danos no sistema nervoso. Em relação ao modo de administração de água, estudos científicos demonstraram recentemente que os cavalos bebem consideravelmente mais água quando esta lhes é fornecida em baldes de água fresca a uma temperatura de 10 a 12ºC, mudada duas vezes ao dia, do que quando têm acesso livre e directo a bebedouros automáticos. Está também provado que, para compensar as percas na transpiração, uma solução salina isotónica contribui para a manutenção do volume plasmático e restituição da perca de peso de um modo mais distinto e duradouro do que simplesmente água. A escolha de uma solução de electrólitos para rehidratação é especialmente importante em cavalos submetidos a exercício físico várias vezes ao dia e/ou durante exercício de endurance (ie: raides), particularmente em condições de temperatura e humidade elevadas.

 

A alimentação do cavalo de competição deve conter um teor elevado de electrólitos (particularmente sódio e potássio) para compensar as percas causadas pela transpiração. Uma dieta de manutenção deve ser suplementada com um "bloco de sal" e/ou administração de electrólitos na água ou ração conforme o paladar do cavalo. Note-se no entanto que existe uma grande variação individual no consumo voluntário de água entre cavalos. Posto isto, não se deve concluir que só porque um cavalo bebe menos que os seus companheiros está desidratado ou vai ser afectado por desidratação durante ou após exercício. O grau de desidratação e teor de electrólitos podem ser avaliados através de análises ao sangue. O ideal é colher análises regularmente para cada cavalo para determinar os valores normais para cada indivíduo. Deste modo uma ligeira alteração poderá ser detectada com maior sensibilidade. Por outro lado, tradicionalmente, o grau de desidratação é estimado clinicamente ao puxar uma prega de pele na tábua do pescoço ou, talvez um pouco mais exacto, na pálpebra superior. Se a marca deixada na pele não desaparecer ao fim de poucos segundos significa que a pele perdeu elasticidade por desidratação. Note-se contudo que este é um método bastante grosseiro e inexacto e como tal requer bastante experiência; deve ser avaliado, não isoladamente, mas em conjunto com uma avaliação clinica completa. Outros parâmetros clínicos importantes são a frequência cardíaca e frequência respiratória, bem como a temperatura rectal, que permite avaliar o risco de choque hipertérmico.

Existem certas semelhanças entre cavalos e humanos, especialmente no que diz respeito aos efeitos da desidratação sobre a ´performance´.Proporções idênticas da perca de líquidos têm o mesmo efeito sobre homem e cavalo: 2% afecta a 'performance', 10% provoca insolação e 15 a 20% é fatal.A água é um dos componentes mais importantes do sangue. Para uma perca de 1% de peso por desidratação perdemos 2,5% de volume do plasma sanguíneo.Uma vez que o sangue transporta oxigénio e outros nutrientes para os músculos, despojando-os dos já utilizados, menos sangue significa que nos cansaremos mais rapidamente.Em competição é fácil mantermo-nos algum tempo sem beber, particularmente quando temos vários cavalos para montar mas este facto pode afectar o raciocínio. Com a desidratação o corpo mantém-se à frente da situação: a perca de 200ml de fluídos dispara a função de conservação de água, estimulando eventualmente a sensação de sede, mas, estaremos desidratados antes de sentir sede - é importante ingerir líquidos ao longo do dia. Beber litros de água não é suficiente. Necessitamos de glicose e electrólitos. A nossa meta é consumir de 100 a 200ml de líquidos do tipo 'isotónico' de 20 em 20 minutos.Depois da água é necessário comer hidratos de carbono. O excesso de gorduras acabam como gorduras armazenadas, por isso é de evitar comer muita carne.

Fonte: Equitação Especial

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PATOLOGIAS TESTICULARES

 

Degeneração testicular: é a destruição dos tecidos do testículo, causada principalmente por estresse, (mudança de ambiente, como o estresse causado por exposições, barulho excessivos, stress nutricional), mas também por medicamentos como: hormônios e corticóides, alimentação em excesso ou escasses. O animal apresenta libido, cobrem normalmente as fêmeas, porém estas começam a repetir cio, devido a não fertilização das mesmas, pela diminuição, mal formação ou ausência de espermatozóides.
No exame físico do testículo, ele deixa de ter consistência fibro-elástica, ficando flácido, e dependendo do grau da enfermidade, apresenta aspecto de esponja. A variação do grau de comprometimento, é proporcional ao tempo de cura (podendo ser meses ou até ano).


Levemente flácido: normalmente é devido a processos estressantes ou início de enfermidade, sendo a cura de fácil resolução.


Flácido: a cura é bem mais demorada.


Muito Flácido: processos crônicos e normalmente se perde o animal para reprodução. No espermograma, se observa um volume normal do ejaculado, no entanto, a porcentagem de espermatozoídes vivos é reduzido (quanto mais grave a degeneração, menor será a porcentagem de espermatozóides vivos); vigor diminuído e concentração normal (até um pouco diminuído).

Tratamento: primeiro, suprime-se a fonte causadora. Depois, fornecer Pró-Vitamina A, utilizando fontes como: feno de alfafa, abóbora, cenoura. Pode fornecer também de 30-50 mil UI (unidades internacionais) de vitamina A em pó. Ajustar a quantidade de ração fornecida, aumentar o fotoperiodo (baia com luz acesa, quando o animal for de baia). Aplicar 2 ml de GnRh, 1x/semana ,6-8 semanas.


Quanto mais grave o problema, maior o tempo de tratamento, realizando exames periódicos, até recuperação no espermograma.
· Não esquecer que o espermatozóide demora 60 dias para ser liberado, e o espermograma deverá cumprir este prazo.
· O ejaculado vai melhorando lentamente, reduzindo as alterações morfológicas.
· O indivíduo com degeneração do tipo flácido ou levemente flácido, tem cura total ou quase total.
· Se o animal for muito estressado, pode retornar o processo.
· O animal pode apresentar nos casos crônicos, um fibrosamento dos testículos e isso irá acarretar uma diminuição da circunferência escrotal. Se isso acontecer, deve-se eliminar o animal para a reprodução.
· Na fibrose o animal ira apresentar uma diminuição na concentração espermática.

Hipoplasia Testicular: Pode ser congênita ou adquirida , uni ou bilateral e, parcial ou total. Em animais normais, os dois testículos são praticamente do mesmo tamanho.
Os fatores externos que poderiam provocar a hipoplasia são: distúrbios hormonais, deficiências vitamínicas, toxinas, metais pesados (como cádmio) contidos em sal mineral, doenças ocorridas durante a vida intra-uterina e a subnutrição, principalmente no período púbere.

· Hipoplasia unilateral parcial: 1/3 do testículo está hipoplásico, isso corresponde uma diminuição de 1,5 à 2 cm menor que o outro.

· Hipoplasia bilateral parcial: os dois testículos estão diminuídos, acarretando em menor circunferência escrotal , ou seja, está com a média inferior ao da raça.

· Hipoplasia total unilateral: um testículo é extremamente menor que o normal.

· Hipoplasia total bilateral: os dois testículos são diminutos e o animal é estéril.

A mais grave é a unilateral parcial, pois não muito perceptível e o animal passa o problema aos filhos (quando a causa é hereditária).

Apesar das melhorias nas condições de manejo e nutrição, o uso de animais hipoplásicos para reprodução, pode estar contribuindo para disseminação do problema no Brasil, com uma incidência de cerca de 5%. Como há sempre a suspeita de origem hereditária, os animais devem ser afastados da reprodução.

Orquite - A inflamação do testículo é chamada de "orquite". É causada principalmente por traumatismo e agentes infecciosos.
Geralmente a infecção se inicia por via hematógena (pela corrente sangüínea) e, em alguns casos, através de feridas nos testículos. Os sinais clínicos são aumento de temperatura, sensibilidade à palpação e edema (inchaço) na fase aguda. Podem também ser notadas aderências com estruturas anexas e alteração da forma e consistência. O aumento de temperatura e a congestão, interferem na circulação, levando à isquemia (falta de sangue e consequentemente, oxigenação dos testículos), levando a degeneração testicular. A degeneração ocorre rapidamente porém, a recuperação, quando ocorre, é bastante lenta. O sêmen pode apresentar diminuição do número e motilidade dos espermatozóides.


O animal pode relutar em andar, recusa a cobertura e assume um andar tenso, principalmente nos casos de peritonite associada. O tratamento deve ser feito até o desaparecimento das células inflamatórias do sêmen. Em casos de orquite unilateral, pode-se optar por uma orquiectomia unilateral. A tetraciclina é um dos antibióticos de eleição.

Diagnóstico - A orquite, que também altera a consistência, pode provocar aderências, com evolução diferente das outras patologias testiculares. O espermograma é mais eficiente que a palpação para se obter o diagnóstico mais preciso; nas orquites iremos encontrar células de processo inflamatório.

Autor: Luiz Gustavo Alessi Aristides

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SARCÓIDE EM EQUINOS

 

RESUMO
O sarcóide é uma neoplasia cutânea, fibroblástica, não metastática e localmente invasiva dos equídeos. As lesões neoplásicas podem ocorrer isoladas ou em grupos, sendo a região cervical, cabeça (periocular, pinas e comissura labial) e membros os locais de maior incidência. Os sarcóides eqüino podem se apresentar de diferentes formas macroscópicas e suas lesões tem sido classificadas em três tipos principais: verrucosa, fibroblástica e mista. Na forma verrucosa as lesões apresentam superfície seca, plana e córnea, podendo ser sésseis ou pedunculadas. O tipo fibroblástico apresenta lesões com aspectos variados, algumas como nódulos fibrosos bem circunscritos e recobertos com epiderme intacta e outras se apresentam em grandes massas ulceradas, muitas vezes recobertas por tecido  necrótico. O tipo misto é menos freqüente e é classificado como uma forma tumoral de transição. Um sarcóide verrucoso pode se transformar em fibroblástico em resposta a traumatismos ou a uma biópsia cirúrgica. O sarcóide eqüino é uma lesão que não tem predileção por idade, raça, sexo ou coloração da pelagem, ou seja, podendo afetar todos os eqüinos, de distribuição mundial, sendo relatado em vários países. 

1- INTRODUÇÃO
Sarcóides eqüino são tumores localmente agressivos, sendo este o tumor de pele mais comum dos eqüinos, podendo ocorrer em todos os eqüídeos, mulas e jumentos ( BRADFORD, 1994).

O sarcóide eqüino é uma lesão que não tem predileção por idade, raça, sexo ou coloração da pelagem, ou seja, podendo afetar todos os eqüinos, além disso sua distribuição é mundial, sendo relatado em vários países (AMORIN, 2007).


Comumente estes tumores acometem principalmente região de cabeça,
membros e abdômen ventral, sendo relatado que estes tumores ocorrem geralmente em locais onde ocorreram traumas previamente (BRADFORD, 1994).


Evidências apóiam a idéia que o sarcóide é causado por vírus, possivelmente um retrovírus ou um vírus  aparentado, ou idêntico ao papovavírus (papiloma bovino) (KNOTTENBELT e PASCOE, 1998).

Alguns sugerem sobre a possível herdabilidade genética para o sarcóide eqüino, sendo assim é possível que uma combinação de fatores como, exposição ao agente viral, traumatismo cutâneo e predisposição genética possam levar ao desenvolvimento do mesmo (AMORIN, 2007). 

Os sarcóides eqüino podem se apresentar de diferentes formas macroscópicas e suas lesões tem sido classificadas em três tipos principais: verrucosa, fibroblástica e mista. Na forma verrucosa as lesões  apresentam superfície seca, plana e córnea, podendo ser sésseis ou pedunculadas. O tipo  fibroblástico apresenta lesões com aspectos variados, algumas como nódulos fibrosos bem circunscritos e recobertos com epiderme intacta e outras se apresentam em grandes massas ulceradas, muitas vezes recobertas por tecido necrótico. O tipo misto é menos freqüente e é classificado como uma forma tumoral de transição. Um sarcóide verrucoso pode se transformar em fibroblástico em resposta a traumatismos ou a uma biópsia cirúrgica (NICHELE, 2007).

Os cortes histológicos apresentam áreas densamente celularizadas compostas por células fusiformes, irregularmente  dispostas e áreas menos densas onde predominam células neoplásicas com aspecto  estrelado, característico de sarcóide (NICHELE, 2007).

2-CONTEÚDO
A causa do surgimento do sarcóide eqüino ainda não é bem definida, sendo que alguns autores sugerem que pode ser devido uma causa viral, outros relatam sobre a possível relação com a papilomatose bovina e por fim alguns sugerem sobre a possível herdabilidade genética para o sarcóide eqüino, sendo assim é possível que uma combinação de fatores como, exposição ao agente viral, traumatismo cutâneo e predisposição genética possam levar ao desenvolvimento do mesmo (THOMASSIAN, 2005). 

Podem ocorrer em qualquer lugar do corpo, mas como já foi citado anteriormente têm predileção pela cabeça, membros e parte ventral do abdômen. São classificados como lesões verrucosas, esponjosas ( fibroblásticas ), ou combinações mistas. A lesão esponjosa se apresenta de forma nodular até grandes tumores com superfície alterada. Já o tipo verrucoso tem menos de 6 cm de diâmetro, podendo ser séssil, placóide ou pedunculado, podendo os sarcóides verrucosos se transformarem em esponjosos ( fibroblásticos) (KNOTTENBELT; PASCOE, 1998).


Os sarcóides eqüino podem ser confundidos com algumas outras lesões, dentre elas a botriomicose, infecções fúngicas subcutâneas ou profundas, habronemose cutânea, tecido de granulação exuberante e neoplasias como carcinomas epidermóides, papilomas, fibromas e neurofibromas. Isto tudo nos mostra a grande necessidade de um diagnóstico preciso e correto, sendo este realizado pelo Médico Veterinário. Além disso, muitas das vezes os sarcóides podem ser acometidos por infecções secundárias, complicando ainda mais o caso (AMORIN, 2007). 


Foram descritas várias formas de terapia, sendo que nenhuma delas se mostrou rotineiramente bem sucedida. Dentre as terapias podemos citar a Excisão cirúrgica, a Crioterapia que seria a destruição do tumor pela aplicação de frio extremo, a Radioterapia, e além de outras técnicas ainda sendo desenvolvidas em pesquisas (NICHELLE, 2007). 


3-CONCLUSÃO
Sarcóides em equino é proliferado por células neoplásicas com grande expansão formando um tecido de granulação exuberante, dependendo da microscopia esta patologia pode ser ocasionada em exposição ao agente viral, traumatismo cutâneo e predisposição genética.

Podendo apresentar varias foras macroscópicas: verrucosa, fibroblástica e mista, estas formas também podem ser confundidas com outros tipos de tumores.

O local de maior ocorrência é na cabeça, membros e parte ventral do abdômem, podendo também ocorrer no corpo todo.

A cura do Sarcóide pode ser através de cirúrgias, radioterapia, crioterapia e outras técnicas ainda estão sendo desenvolvidas.

Fonte: Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, Ano VI – Número 10 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral

Autores: CARNEIRO, Luiz Felipe; SCARMELOTO, Ricardo Luís; ALHER Jr, Carlos Alberto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Transição das Embocaduras

 

A sequencia correta das transições de embocaduras depende do grau de severidade da ação.

O primeiro estagio é a embocadura de ação  branda, seguindo-se a de ação moderada e a de ação severa. Assim, em um mesmo modelo de bridão ou freio, podem ser usados três variáveis diferentes. Pelo Método LSA de adestramento, desenvolvido por esse autor, as transições de embocaduras são facilitadas, porque o animal é previamente adestrado sem embocadura, completando a fase inicial do adestramento básico.

Em adição, para cada nova introdução de embocadura é obedecido um periodo de adaptação da boca, antes que o treinador acione as rédeas – durante meio período de dois dias, o cavalo mastiga seus alimentos com a nova embocadura na boca. Se o primeiro bridão foi de ação moderada, a transição para o freio poderá ser para um de ação também moderada. Esta é a sequência mais agil do uso de embocaduras e a que geralmente trará resultados positivos. Outra alternativa muito utilizada é iniciar com o bridão de ação branda, sendo que a transição deverá ser para um bridão moderado, deste para um freio brando e, finalmente, para um freio moderado.

As embocaduras de ação severa são indicadas somente para cavalos que se destinam a competições radicais, que exigem muito do cavalo em termos de maneabilidade, velocidade, precisão no esbarro.

A escolha da embocadura e a decisão das transições são determinadas por alguns fatores:

- O primeiro é o estágio do adestramento. O bridão é embocadura de principiantes, indicada para a fase de adestramento básico. Para a fase de adestramento avançado, ou somente dentro dessa fase, acontecem uma ou mais transições de embocaduras;

- O segundo fator decisivo é a morfologia e integridade das partes da boca que funcionam como pontos de controle da ação da embocadura. A sub-avaliação desse fator é a principal causa de rejeição a embocadura;

- O terceiro fator refere-se ao ao tipo de treinamento - para passeio e cavalgadas, provas de maneabilidade, corridas, salto, etc.;

- O quarto fator influenciando a escolha da embocadura é o grau de equitação. Para cavaleiros/amazonas principiantes recomenda-se o bridão, por ser embocadura de ação direta de rédeas – utiliza-se a chamada “rédea de abertura”, porque abre-se uma mão para virar e alivia a rédea oposta;

- Outro fator de importância refere-se ao grau de experiências anteriores em adestramento e treinamento. Pessoas de apurada sensibilidade e controle pleno dos comandos principais da equitação podem fazer de um freio severo um freio brando.

- A idade do cavalo também deve ser levada em conta. Cavalos maduros geralmente exigem embocaduras de ação moderada ou severa, devido à maior rigidez da musculatura de pescoço e nuca.

A sutileza é que o cavalo geralmente pede a transição de embocadura, através da resistência. Muitos indagam porque um cavalo não pode permanecer na embocadura inicial, o bridão. A resposta é que essa embocadura exerce pouca atuação sobre a flexão da nuca. Também exerce pressão desconfortável sobre a lingua, barras e comissuras labiais, causando a elevação da cabeça, uma postura adiante da ação do bridão, como forma de amenizar o incômodo da pressão. Dentro de pouco tempo, à medida em que a velocidade dos andamentos é aumentada, o cavalo passa a trabalhar apoiado nas rédeas, o que deve ser entendido como um sinal de resistência, uma solicitação de troca para embocadura mais confortável.

Outra indagação usual: Por que não se pode iniciar o cavalo na embocadura definitiva, o freio? Porque o freio atua simultaneamente sobre pontos multiplos de controle – todos aqueles que o bridão atua mais o palato e o queixo. Especialmente devido ao efeito alavanca, que exerce forte pressão do bocal sobre o palato e da barbela sobre o queixo, o cavalo precisa ser previamente preparado, tanto na aceitação da boca pelo bocal menos severo – o articulado, típico dos bridões, como também na flexão lateral do pescoço pela ação das rédeas diretas ( mais fácil para o cavalo e mais eficiente para o cavaleiro ). Além do mais, a flexão vertical, da nuca, a mais difícil, ja terá sido iniciada no adestramento sem embocadura. Assim, o bridão deve ser entendido apenas como uma embocadura de transição para o freio.

E o cavalo pronto no freio, pode retornar ao bridão? Sim, sem nenhum problema, especialmente nos casos de atividades amenas, como os passeios e cavalgadas, ou quando são montados por pessoas de pouca experiência em equitação. A dificuldade em comandar rédeas pela ação indireta, como no caso do uso do freio, é bem maior.

Uma embocadura chamada de transição é o freio/bridão. O bocal é articulado, atuando como um bridão, pressionando as comissuras labiais. O bocal não se prende aos olhais, mas sim às hastes, típicas de freio, exercendo o efeito alavanca. Mas o efeito alavanca não atua sobre o palato, porque o bocal não é curvo. As alavancas atuam sobre a pressão da barbela no queixo. Assim, um freio/bridão atua sobre pontos de controle da boca - comissuras labiais, baras e lingua, e sobre o queixo. Somente em alguns casos recomenda-se o uso dessa embocadura, na transição do bridão para o freio. Sua ação de efeitos duplos tende a melhorar a flexão da nuca. Mas em mãos brutas, ou inexperientes, essa embocadura faz estragos graves. O excesso de pressão da barbela no queixo tanto poderá encapotar o animal, como também manter a cabeça muito elevada, não corrigindo em nada a ação elevatória do bridão. O freio sim, esse exerce ação principal de baixar a cabeça do animal, de estimular a flexão da nuca.

Para finalizar, duas ressalvas: sempre que necessária, a transição será naturalmente solicitada pelo cavalo, na forma de resistência. Errado é persistir com a mesma embocadura. Contudo, um cavalo que resiste à ação da embocadura não necessariamente pede embocadura mais severa. Pode ser o contrario.

Lúcio Sérgio de Andrade

Fonte: Blog Equitação Especial

sábado, 1 de outubro de 2011

É Hoje! Leilão em Lagoa Dourada!

Prezados Criadores, Companheiros e Amigos,

Com a maior satisfação venho novamente convidar para este nosso 2º leilão especial, a se realizar no próximo dia 1º de outubro de 2011 (sábado), a partir das14:00h, no Haras “Rancho Dourado”, em Lagoa Dourada/MG - “Berço da Raça Pêga”.


Serão ofertados um seleto grupo de 50 animais marchadores, entre Jumentos, Muares e Cavalos Pampa, destacando-se reprodutores, matrizes e produtos jovens, de rara beleza, excelente qualidade e alto padrão genético, descendentes diretos de grandes campeões e consagrados raçadores, oriundos dos mais renomados e tradicionais criatórios do país.
Destaco que este evento vem sendo mais uma vez aguardado com grande expectativa como marco de um dos grandes acontecimentos anuais do gênero, reunindo num ambiente de muita confraternização e alegria, criadores, companheiros e amigos, amantes destes animais, de todo país e exterior.


Com certeza, uma oportunidade imperdível para a realização de grandes negócios!


Transmissção em tempo real pela internet através do site: www.businessleiloes.com.br

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Estrutura de Baias

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Atualmente, a criação de cavalos depende muito da qualidade das instalações utilizadas nesta atividade.

Não basta termos um cavalo de raça e o criarmos completamente solto, sujeito às variações climáticas, frio, chuvas, calor excessivo, etc. Toda a criação deve dispor de instalações para confinamento desses animais, em baias. Este tipo de instalação, conhecida como estábulo, é de grande importância para o bom desenvolvimento e a manutenção da saúde dos cavalos. Entretanto cavalos embaiados ficam estressados, nervosos, resultando em doenças

Hoje em dia sugere-se que o tamanho mínimo de baia seja de 3,6x 3,6.

Para cavalos de equitação, a área mínima em m2 é igual à altura de cernelha em metros x 2, para animais em reprodução, recomenda-se 4x4, e pôneis 3x3 e para equinos de tração, garanhões e éguas 4,3x4,3.

O tamanho ideal para uma baia é de 12m² (4x4m),

As paredes laterais devem ter uma altura mínima de 2 metros, sendo o que é mais recomendado são paredes de 3 metros.

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As janelas devem possuir dimensões de 50 por 36 cm e 1,20 de altura do chão, e podem ser feitas utilizando-se barras de ferros.

A porta da baia deve ser em duas folhas, a parte inferior deve possuir uma altura de 1,20m e a parte superior, altura suficiente para atingir o final da parede.

O piso deve apresentar uma inclinação, não superior a 2% no sentido da porta para facilitar o escoamento de urina e água na lavagem, sugerimos o piso de borracha, o qual proporciona uma superfície firme, boa resistência alem de ser silencioso, porem encarece o projeto.

A cama pode ser de maravalha, palha, serragem, deve conter as características de bom acolchoamento, não palatável, boa absorção de amônia e odores, facilidade na limpeza, disposição e custo.

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Os cochos individuais são os mais indicados, pois os animais conseguem comer todo o alimento que lhe foi destinado, o sugerido é que tenham 80 cm de comprimento, 35 cm de largura e 50-60 cm de altura, com uma profundidade de 20 cm.


Sendo instalado na parede oposta a porta da cocheira.

Os bebedouros utilizados principalmente são os automáticos em forma de concha, pois estes evitam o desperdício de água e são de fácil higienização.

O feno deve ser colocado oposto ao cocho de concentrado, e de preferência que seja colocado em redes próprias há um metro do piso da cocheira, evitando assim o desperdício e possível contaminação

Abrigo

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Os piquetes devem ser de 1000 a 2000 m2, bem gramados, com abrigo de 4x4m, cuidadosamente cercado com 3 réguas de madeira (mais recomendável).

Piquetes para éguas com crias ao pé, piquetes para éguas em gestação deve ter uma área plana para evitar possíveis acidentes com o potro

Estas dimensões devem ser respeitadas, para que o animal possa se movimentar com certa liberdade. É na baia que os cavalos deverão ser cuidados e tratados mais diretamente por seus proprietários ou tratadores. A porta do boxe ou cocheira, normalmente, é dividida em dois segmentos, que se abrem de maneira independente: a metade superior e a metade inferior da porta. Isso é feito para que os animais possam colocar sua cabeça para fora e "apreciar" o movimento fora da sua própria baia.

Um aspecto bastante importante na construção das baias é a circulação do ar: deve haver janelas ou um sistema de saídas de ar, para que haja uma boa circulação. As janelas, além de proporcionarem a circulação do ar, permitem que os animais, dentro das baias, tenham acesso à claridade e à luz solar.
Como a iluminação das baias deve ser natural, utiliza-se clarabóias, ou seja, telhas translúcidas ou "janelas" na cobertura da cocheira, para mantê-la iluminada durante o dia.

A iluminação elétrica só deve ser utilizada à noite, se necessário, quando formos alimentar os animais. Isso deve ser feito somente para que os tratadores possam enxergar, pois os cavalos vêem muito bem à noite, com muito pouca luminosidade.


Quando houver mais de uma baia no mesmo estábulo, de preferência, a separação entre os boxes deve ser feita com grades, para que os cavalos possam ver os seus "vizinhos" e manter uma convivência social. Isso é muito importante para os animais, pois a convivência com os outros afeta de maneira positiva o temperamento dos cavalos.


Para água, é comum se utilizar um cocho único, com suprimento de água constante e renovável, que atenda a mais de uma baia. Existem, também, os chamados cochos automáticos, bastante práticos. Os cochos devem ser de fácil limpeza e desinfecção, evitando-se a proliferação de fungos, principalmente. Para tal, eles devem ser removíveis e limpos constantemente. O problema mais comum decorrente da contaminação dos cochos por fungos é o aparecimento de problemas gástricos nos animais.

A higiene dentro das baias é de extrema importância para os cavalos e neste aspecto o piso tem um papel primordial. Existem vários tipos de pisos que os criadores poderão utilizar nas baias, desde o piso de cimento recoberto com serragem ou maravalha, até pisos sintéticos, de borracha ou materiais plásticos. O importante é que este piso seja de fácil limpeza e desinfecção, impedindo a proliferação de bactérias ou fungos. Não é aconselhável a utilização de piso de terra, apesar de ter um custo mais baixo, pois é o que apresenta maior probabilidade de contaminação.

Fonte: Blog Muares e Marchadores

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rações balanceadas e diferenciadas

 

Dentre os fatores que contribuem para um bom desempenho dos animais, a nutrição tem um papel fundamental. Diante do avanço tecnológico da eqüinocultura, a conscientização dos criadores quanto às diferenças entre alimentos e nutrientes afasta obrigação de adotar aqueles “programas nutricionais” para fornecer alimentos importados, cereais que não são bem produzidos, e fenos que requerem alta tecnologia de produção. Existem técnicas no nosso sistema de produção que traçam as diversas maneiras para um melhor aproveitamento dos alimentos, tais como:


Produção de volumosos de alta qualidade
Dimensionamento dos piquetes em função das categorias do plantel; formação de pastagens; recuperação de pastagens já implantadas; feneação de gramíneas como coadjuvante do manejo das pastagens; formação e manutenção do alfafal; utilização e manejo de capineiras; controle de invasoras em pastagens; feneação de gramíneas e alfafa para comercialização; formação e utilização de culturas de inverno; dimensionamento e implantação de culturas auxiliares para produção do componente energético das rações.


Utilização de alimentos alternativos
A diferença entre alimento e nutriente não pode ser esquecida pelo criador. Os alimentos são classificados em grupos de acordo com a quantidade de nutrientes que apresentam. Na alimentação dos eqüinos essa classificação se dá da seguinte forma:


VOLUMOSOS:
- Aquosos: (pastos, capineiras e raízes) - Dessecados: fenos (gramíneas, leguminosas) e palhas
CONCENTRADOS:
- Energéticos: (grãos de cereais, seus subprodutos) - Protéicos (farelos das oleaginosas, subprodutos da indústria animal)
Os alimentos que se enquadram na categoria de volumosos são os que apresentam mais fibra e menos nutrientes digestíveis do que os concentrados.


Fornecimento de quantidades ideais de alimento
O Sistema Brasileiro de Produção de Equinos estabelece segundo o critério do “mínimo necessário” a quantidade de alimento que um cavalo deve receber por dia. O criador deve se preocupar em fornecer ao animal, via alimentos concentrados, só os nutrientes mais importantes, tais como, proteínas, macro e micro minerais e vitaminas, além de uma cota de energia digestível e nunca estabelecer uma quantidade obrigatória e invariável durante todo o ano.


Atendimento correto das exigências nutritivas – rações diferenciadas
Não se deve trabalhar com apenas um tipo de ração para todos os animais de seu plantel de modo a não prejudicar o correto desenvolvimento deles. Durante sua vida, o cavalo passa por diversas fases, e em cada uma necessita de um tipo específico de alimento. A categoria dos potros (até 18 meses) é dentre todas a que requer maiores cuidados nutricionais. Os eqüinos apresentam uma curva de crescimento muito acentuada no período de um ano, bastando lembrar que o potro alcança, nessa idade, 88% de sua altura final.


A qualidade ou o valor nutritivo dos nutrientes e sua concentração nas rações devem se adequar às necessidades específicas das diversas categorias do rebanho, razão pela qual o criador deve ter, pelo menos, três tipos de ração: uma para potros, uma para éguas em produção e outras para as demais categorias.

Fonte: Publicações Globo Rural - Roberto T. Losito de Carvalho e Cláudio M. Haddad

terça-feira, 27 de setembro de 2011

DEFEITOS DE APRUMOS – QUARTELAS CURTAS E FINCADAS

 

O defeito de aprumos localizado nas quartelas é bastante depreciativo, pois tem importante correlação funcional. Primeiro, com a própria integridade da estrutura óssea das quartelas. Segundo, há risco em potencial de causar afecção nos boletos, tendões e ligamentos. Terceiro, porque a quartela curta pode afetar negativamente a comodidade da marcha, especialmente se o defeito estiver associado à angulação insuficiente, o que se denomina comumente de quartelas fincadas.

As quartelas exercem um papel essencial no amortecimento dos impactos dos cascos, motivo que justifica a perda de comodidade no caso de quartelas curtas e/ou fincadas. Porém, a correlação maior é no caso da marcha batida apresentando menor grau de dissociação.

De fato, alguns animais de marcha batida diagonalizada são capazes de oferecer uma comodidade, razoável, se as espáduas e quartelas apresentarem uma angulação um pouco abaixo da média. Contudo, é importante ressaltar que a avaliação plena da comodidade é complexa, estando correlata com diversos fatores, tais como o grau de dissociação (principal fator), morfologia, qualidade do adestramento, temperamento de sela.

Uma ressalva – em alguns animais apresentando marcha batida diagonalizada, se a comodidade for melhorada pela maior angulação das quartelas, deve ser avaliado se a inclinação não é excessiva, tenho como referência a sustentação adequada dos boletos, que não podem tocar  solo.

A angulação normal das quartelas de membros anteriores oscila na faixa de 55 graus. Nos cascos posteriores oscila na faixa de 60 graus. A explicação para a diferença é que os cascos anteriores exercem a função principal de apoio, e uma força auxiliar de tração, particularmente se a marcha for M.T.A.D. – Marcha de Triplices Apoios Definidos. Os cascos posteriores exercem a função principal de gerar a força de impulsão, imprescindível para o bom equilibrio, energia e amplitude dos deslocamentos.

Os cascos anteriores estarão corretamente balanceados se a angulação das quartelas estiver na faixa de 55 graus. No entanto, há uma referência: O ângulo de inclinação das quartelas deve ser proporcional ao ângulo de inclinação das espáduas.

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Quartela fincada de membro anterior. O comprimento é normal

O defeito oposto ao de quartelas fincadas é o de quartelas derreadas, talvez até mais depreciativo, pois será praticamente impossivel preservar a integridade das estruturas dos boletos, tendões e ligamentos. Dentro de pouco tempo de utilização do animal, mesmo que somente em atividades de esforço baixo a moderado, serão desenvolvidas afecções graves.

O primeiro procedimento é criar fichas de controle do manejo de cascos, nas quais o ângulo de inclinação das espáduas deve ser anotado, como referência para todas as práticas de casqueamento durante a vida utilidade atlética.

Orientações para as correções:

Quartelas curtas – defeito genético, irreversível. Manter cascos balanceados.

Quartelas fincadas – primeiro apoio dos cascos ocorre na região das pinças. O casqueamento corretivo deve ser na região dos talões, de forma moderada. Em alguns será necessário o uso de ferraduras corretivas.

Quartelas muito inclinadas – primeiro apoio dos cascos ocorre na região dos talões. O casqueamento corretivo deve ser na região das pinças. Caso o defeito for grave, caracterizando quartelas derreadas, a correção é praticamente impossivel, sendo recomendado manter os cascos balanceados para não agravar o defeito.

Autor: Lúcio Sérgio de Andrade

Fonte: Equicenter Publicações

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

HISTÓRIA DOS MUARES NO BRASIL

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A história do muar e asinino no Brasil, não pode ser esquecida. No lombo de burros e mulas, o Brasil cresceu, evoluiu e se desenvolveu. Os muares foram utilizados desde o Brasil império e foi sobre o lombo dos resistentes burros e mulas que foram transportados alimentos, mercadorias diversas e, até mesmo, armas e munições. Seu papel foi mais extraordinário ajudando a transportar em dado momento, nossas ingentes riquezas: o ouro das minas, o açúcar dos engenhos e o café das fazendas. No tropeirismo, tiveram importante papel na formação do Brasil, em específico no Rio Grande do Sul – criando e mantendo núcleos urbanos que viviam isolados, desenvolvendo efetiva atividade econômica. Através do transporte (nos lombos dos burros e mulas) de produtos, como alimentos e utensílios, entre diferentes e distantes regiões. Os tropeiros ajudaram a consolidar as fronteiras nacionais. Desde o início do século XVII, Vacaria Del Mar era conhecida e percorrida pelos tropeiros, sendo estes contrabandistas de gado que visavam abastecer as Minas Gerais. O tropeiro de gado foi responsável pelo fornecimento de animais para o corte, passando a objetivar os rebanhos de mulas.

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Apesar de sua utilização como animal de sela nunca ser efetivamente empregada, sempre foi usado em casos de absoluta necessidade, quando o equino não tinha condições de atuar. O muar é tido como animal nobre, amigo, fiel ao homem, e por sua vez, muito hábil. A inteligência é uma das características principais dos muares, que são imbatíveis e eficazes na condução de seus cavaleiros em trilhas sinuosas, pedregosas, íngremes e montanhosas. Sua percepção aguçada, faz com que dificilmente se coloque em situação de risco, além de apresentar muito menos reação a sustos ou barulhos, ele é um animal prudente, que não manifesta reações afoitas, características que aliadas a disciplina e obediência, fazem do muar o companheiro ideal de cavalgadas e trilha, onde se é exigida uma grande resistência com percursos de aproximadamente 40 kilomêtros diários.
Outro fator curioso sobre os muares e asininos, é que por ser um animal do deserto, o jumento teve que se adaptar a este ambiente, desenvolvendo a capacidade de se manter com uma alimentação grosseira e escassa, situação esta que um cavalo dificilmente suportaria, oque novamente o torna imbatível em relação ao equino, na sua manutenção barata.

As orelhas do jumento são desproporcionalmente grandes, isto se deve ao fato que no deserto, por falta de alimentação adequada, os jumentos tinham que viver longe um dos outros, as orelhas grandes servem para ouvir sons distantes e assim localizar seus companheiros.


O rincho do jumento pode ser ouvido ate 3 ou 4 km de distância, esta é outra maneira que a natureza adaptou o jumento, desta forma eles podem se localizar em uma área bem maior.

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Um jumento vive em média 25 anos, há casos raros de 40 anos. Se você cria caprinos ou ovinos, os jumentos são excelentes guardas de rebanho contra ataques de cães, mas tenha cuidado, pois, o jumento só guardará o rebanho se estiver sozinho. Não ponha dois jumentos juntos guardando o rebanho, porque um jumento fará companhia ao outro e esquecerá do rebanho. Se quiser testar para saber se funciona, ponha um jumento num cercado pequeno com um cachorro dentro. Providencie uma saída de emergência para o cachorro... finalmente, isto é só um teste.


Atribuir aos jumentos o comportamento errôneo de desobediência e teimosia, é desprestigiar um dos animais mais fascinantes e resistentes da Terra. A idéia dessa falsa teimosia, deve-se ao fato de que os jumentos tem alto senso de perigo e e assim obrigar que eles tenham uma obediência “cega” ao comando, é perda de tempo, tudo que representar uma situação de perigo, eles não farão bem. O conceito de teimosia dos jumentos, decididamente acontece por falta de conhecimento do comportamento destes animais, da mesma forma como um mecânico que não sabe consertar um carro e põe a culpa nas ferramentas. É preciso ser mais inteligente que os jumentos para saber como lidar com eles. O fato é que os jumentos são animais muito inteligentes e dotados de um senso de sobrevivência bastante apurados.
A primeira coisa a, saber, é que os jumentos têm características físicas diferentes dos cavalos, como rapidez e potência inferiores àquelas dos cavalos. Por outro lado, os jumentos são mais resistentes e pacientes que os cavalos e se adaptam melhor aos serviços longos e rotineiros, o que o torna um amigo fiel e perfeito para os serviços de lida e de cavalgadas, ou seja, um verdadeiro companheiro de trilhas.

Fonte: Mulas e Burros

terça-feira, 20 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Casco : características e preservação

"A boa conformação da pata é essencial para as atividades normais do cavalo. Não importa o quanto a conformação das outras partes seja boa, se a pata for fraca o cavalo não será um animal útil".

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O casco é o estojo córneo que recobre a parte terminal do membro locomotor do cavalo. O anterior é maior e mais oblíquo que o posterior. É uma parte insensível que tem a denominação de escudo do pé e indica que esta função protetora necessita de uma completa estrutura anatômica para que, por muito tempo, atenue as pressões e reações.


O casco dever ser simétrico e ter as partes anterior e inferior mais largas; a pinça deve ter o dobro do comprimento dos talões e formar um ângulo de cerca de 50º com a horizontal; o períoplo, reto e inclinado de diante para trás; a face plantar, larga; sola côncava; ranilha volumosa, bem feita, elástica e forte; lacunas largas e bem acentuadas.

A matéria córnea do casco deve ser escura, rija e dotada de certa elasticidade, apresentando superfície lisa, íntegra e brilhante. Na ranilha, deve ser mole, elástica e forte.

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Para ter uma boa conformação, um cavalo deve ter uma conformação dos membros razoavelmente boa, visto que a pata reflete a má conformação dos membros. Existe muita variação na qualidade de estrutura das patas dos cavalos.


A parede do casco deve ser espessa para suportar o peso do cavalo, ser resistente, flexível e possuir qualidades normais de crescimento. Deve ser mais espessa na pinça e adelgaçar-se gradualmente em direção aos talões, mostrar desgaste igual nos lados medial e lateral.


A sola também deve ser espessa o suficiente para resistir a irregularidades do solo. Deve ser ligeiramente côncava de medial para lateral e da pinça para os talões. Não deve haver nenhum contato primário entre o solo e a sola, pois ela não é uma estrutura que suporta o peso.


As barras devem apresentar bom tamanho e a ranilha dever ser grande e bem desenvolvida, com um bom sulco central, ter consistência e elasticidade normais e não apresentar umidade; deve dividir simetricamente a sola em duas partes e seu ápice deve apontar para o centro da pinça.

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A pata dianteira deve se circular e larga nos talões; o tamanho e a forma dos talões devem corresponder ao tamanho e a foram da pinça.


A pata traseira deve apresentar uma aparência mais pontiaguda na pinça e a sola geralmente mais côncava que a dianteira.


O eixo da pata, visto de frente e de perfil, é uma linha imaginária que passa através do centro da quartela. Esta linha deve dividir as falanges proximal e média em partes iguais. Visto de perfil, deve ser contínuo com o eixo da quartela e seguir o mesmo ângulo. O eixo normal das patas dianteiras deve ter um ângulo de 45° a 50°, a das traseiras de 50° a 55°.Uma pata nivelada indica que as paredes medial e lateral são do mesmo comprimento. Para determinar se uma pata está nivelada o membro deve ser seguro de modo que a superfície de contato com o solo possa ser vista ao longo do eixo longitudinal.


Uma linha imaginária dividindo o eixo do osso da canela, boleto e quartela cortada por uma linha transversal que toque a superfície de contato com o solo de cada talão deve resultar em ângulos de 90° na intersecção. Uma pata nivelada indica que o animal está desgastando uniformemente o casco e o movimento da pata em suspensão deve descrever um arco normal e regular, com o cavalo tocando o chão uniformemente sobre toda a pata. Os talões devem arriscar logo antes da pinça e o centro do peso deve ser localizado na ponta da ranilha. Na pata normal, o casco atinge o pico do arco de suspensão quando passa pelo membro de apoio oposto.

Ferrageamento

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Com os estudos da biomecânica da locomoção dos eqüínos ficou comprovado que os métodos de aparação de cascos de ferrageamento, empíricos e que não respeitam a condição anatômica ideal dos cavalos, mantêm as pinças compridas e os talões baixos . Este método de aparação utilizado por falta de conhecimento ou por modismo é prejudicial à vida útil dos vários tecidos que compreendem o sistema locomotor, diminuindo a performance e a vida útil dos cavalos atletas.


As estatísticas mostram que, de cada 100 problemas diagnosticados nos locomotores, 80% estão nos membros anteriores e a grande maioria do joelho para baixo. A grande causa é a falta de alinhamento do sistema digital devido ao ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta com a horizontal.


A pinça longa e os talões baixos, ocasionados pelo ângulo do casco menor do que o ângulo da paleta ou escápula, provoca um esforço maior de sustentação nos tendões flexores, ou seja, um braço de alavanca maior para suportar o peso de cima para baixo, que tenta jogar o boleto até o chão.
O recorte dos cascos deve ser realizado a cada quatro a cinco semanas e deve-se reposicionar as ferraduras dos animais que as utilizam também com a mesma freqüência.O objetivo da aparação é tornar o formato, o ângulo do eixo e o nível da pata tão próximos do normal quanto possível. No entanto uma aparação muito entusiástica que objetiva criar um eixo da pata perfeita é desaconselhada, pois qualquer alteração radical poder provocar alterações patológicas.O caso deve ser recortado de modo que a quartela e a pata fiquem com seus respectivos eixos formando uma linha contínua. O cavalo deve ser observado em repouso e em movimento , para melhor determinar os ângulos da pata mais adequados para cada animal. A finalidade deste exame é avaliar a forma da pata e da sua relação com o membro em repouso e em movimento. Além disso deve-se observar se a pata está equilibrada no eixo correto.Se for lembrado do que cada cavalo é um caso particular e possui a sua maneira própria de se locomover, que está diretamente relacionada a conformação, torna-se evidente que as práticas de recorte e ferraçào devem ser modificadas para se adaptarem a cada caso. Após a observação, a parte deve ser limpa com um limpador de cascos. As porções mortas da sola e ranilha devem ser cortadas com a rineta. Realiza-se apenas cortes superfi ciais, pois a ranilha normal e as camadas protetoras da sola não devem ser removidas. Mantendo-se em mente os ângulos adequados para este cavalo em particular, a parede do casco deve ser aparada com o torquês.

Normalmente o recorte é iniciado em um talão e termina no outro, ou recortam-se os talões em direção a pinça.A parede normalmente deve ser aparada até o nível da ranilha, mas nunca além da sola. Deve-se estar bem atento ao ângulo da torquês, evitando que se criem irregularidades na superfície da parede do casco que se apoia no solo. As barras devem ser aparadas apenas até o nível da parede do casco na região dos talões e não removidas. Deve-se utilizar uma grosa para nivelar a superfície inferior da pata alisando-a após a aparação correta A grosa deve ser segura de modo plano e nivelado, para que não se rebaixe uma parede mais do que a outra. A abertura dos talões ou corta-se a parte larga da ranilha entre a barra e a própria ranilha, pode ser feita. O recorte da ranilha nesta região é necessário para que ela limpe a si mesma, o que auxilia na prevenção de infecções da mesma. As bordas externas da parede do casco devem ser grosadas em cunha até o limite externo da linha branca , nas paredes do casco mais grossas, para diminuir a probabilidade de fendas ou rachaduras da parede do casco.É também importante que se preste atenção ao comprimento da parede do casco. Esta distância medida auxiliará a manutenção do mesmo comprimento da pinça da pata oposta ou membros pélvicos.

Procedimentos para Ferrageamento

1 - Conheça o ângulo da paleta do seu cavalo antes de se aventurar cortando o casco. Apare os cascos anteriores (mãos) e tente colocá-los com o mesmo ângulo da paleta. Confira o ângulo dos cascos com um gabarito angulador de casco. Os ossos digitais devem ser alinhados, de forma que colocando-se uma linha reta do meio do boleto e meio da quartela (falanges) ela deve passar pelo emio do casco, alinhada com as suas cânulas naturais (linhas verticais do casco). No casco achinelado as linhas do casco não concindem com este alinhamento da quartela , porque o casco tem ângulo menor do que a paleta e a linha é quebrada para baixo (lado do chão).

2 - Limpe a sola, abra os 3 canais da ranilha de forma a deixar passar o dedo mínimo para entrar ar , obtenha a concavidade da sola e não corte jamais as barras, pois ela são a continuidade da muralha de sustentação e garantem 30% da sustentação do cavalo.

3 - Assegure que os cascos estão balanceados no sentido médio-lateral ( largura) e ântero-posterior ( comprimento). As metades do casco esquerdo, por exemplo, devem ser iguais, assim como os comprimentos desde a pinça até cada um dos talões. Depois confira para que os cascos dianteiros sejam iguais entre si. Quando aparar os cascos traseiros, siga as mesmas instruções. Assim, quando o cavalo coloca o casco no chão ambos os talões apoiam no chão ao mesmo tempo e o casco rola a pinça no meio, o desgaste da ferradura ocorre exatamente na frente e o vôo ou breakover é elegante e para a frente (avante).

4 - Escolha a ferradura de acordo com as necessidades do cavalo e ajuste-a ao casco bem aparado. A ferradura deve proteger toda a muralha de sustentação, apoiando-se até o final do talão, sem obstruir os canais da ranilha e possibilitando expansão da muralha nos quartos e talões. Nos posteriores, a ferradura pode ter ligeiro sobrepasse de talões, nos animais de talões fracos ou escorridos, de forma a dar maior base de sustentação para o cavalo. A mesa da ferradura é escolhida de acordo com a atividade do cavalo. Mesa estreita (filete) para corrida, mesa média ( 17mm) para trabalho, treinamento e lazer e mesas mais largas para esbarro( 25mm) ou tração. O material da ferradura ( aço, alumínio puro, liga de alumínio, poliuretano com alma de alumínio e outros metais especiais), bem como os demais acessórios ( guarda casco, agarradeiras, palmilhas, talonetes e até rampão) devem ser escolhidos de acordo com a atividade , de preferência com conhecimento, para não prejudicar a performance doanimal.

5 - Fixe a ferradura com o cravo adequado, escolhido de acordo com a espessura da ferradura e com o canal ou craveira, de forma que a cabeça do cravo fique totalmente embutida na concavidade do buraco ou canal da ferradura. Os dois últimos cravos a serem pregados não devem ultrapassar a "linha do juízo do ferrador", ou seja, a linha imaginária que une o final dos médios do casco, antes dos talões. Complicado? Não. Imagine o meio da ranilha, com o casco levantado, e trace uma linha para os dois lados. Ela passará sobre a muralha de sustentação (onde a ferradura apoia) exatamente no lugar dos últimos cravos, em cada lado da ferradura. Esta é a " linha do juízo do ferrador".

6 - Depois de bater os dois primeiros cravos (ombros) e os dois últimos ( talões) da ferradura, bata o guarda casco (se houver). Apoie o casco com a ferradura no chão e observe se a linha imaginária que passa pelo meio do boleto, da quartela e do casco (eixo ântero-posterior do digital) está reta. Se estiver tudo bem, pregue os demais cravos, lembrando que uma boa ferradura terá, no mínimo, 5 furos de cada lado e furos nos talões para colocar agarradeira ou cravar talonetes , calços para corrigir aprumos ou palmilhas. Ferradura barata com três ou quatro furos de cada lado nem sempre atende as necessidades do seu cavalo.

7 - Por último, mas não menos importante, depois de acabar de fazer o serviço, não esqueça de repor o verniz dos cascos com o CASCOTÔNICO, para devolver também a flexibilidade, incentivar o crescimento e proteger a sola, paredes e ranilha contra as brocas , frieiras e podridão.
Erros de Ferrageamento

Em se tratando de cavalos domesticados, a grande maioria tem sido vítima dos métodos empíricos e antinaturais de aparação de cascos e ferrageamento, com características que contrariam o processo natural de sustentação mecânica do cavalo. Os prejuízos resultantes, comumente enquadrados nas afecções ou contusões do sistema locomotor, chegam, hoje, à cifra de 80% nos anteriores, que sustentam cerca de 65 a 70% do peso vivo do animal. Em certas fases da locomoção, o animal é suportado por apenas um dos locomotores e os efeitos naturais da concussão e compressão, causadas pelo peso do submetido ao locomotor, são danosos às bases inadequadas do cavalo.As estatísticas conhecidas comprovam a importância de dar ou devolver ao cavalo a sua condição anatômica ideal. Nem sempre o casco aparado empiricamente ou o ferrageamento conseqüente estão dando ao cavalo condições ideais de sustentação, e, os seguintes pecados capitais podem ser identificados:

Não conhecer a condição anatômica ideal de cada cavalo antes de inicia a aparação de casco e o ferrageamento. Esta condição é dada pelo ângulo da paleta (escápula) com a horizontal, medida pelo nível de escápula ou artro-goniômetro.


O eixo ântero-posterior do sistema digital (linha imaginária que divide ao meio o boleto, a quartela e o casco) é quebrado para baixo e não reto como deveria ser, para que o digital suportasse a força de concussão do casco com o solo. Esta característica é o resultado de cascos compridos de pinça longa e t alões baixos (achinelados), que provocam pressão intensa na parte anterior das articulações dos ossos digitais ( falanges), distenção constante de tendões flexores, compressão excessiva da área do osso navicular e alteração do vôo do casco.


As barras são, em geral, cortadas pelos casqueadores, que desconhecem as suas funções. Elas são a continuação da muralha de sustentação e têm a finalidade de transmitir o peso para a perifieria do casco e de constituir um escoramento ideal para impedir o estreitamento dos talões e bulbos. A ausência de barras concentra o peso sobre os talões e ranilha.
As solas do casco, com os problemas vistos anteriormente, perdem a concavidade, são grossas e planas, sem muita flexibilidade e capacidade para absorver choques e sustentar o peso. A falta de concavidade diminui as ações de expansão e contração do cascos.


Como a angulação do casco e sistema digital não é medida e comparada com a condição anatômica ideal do cavalo que é dada pelo ângulo da paleta (escápula), o animal, muitas vezes,não tem o plano de sustentação ideal, colocando o casco de forma inadequada no solo.Esta condição aliada à condição de termos cascos desbalanceados, com metades desiguais, é conhecida como desbalanceamento médio-lateral. A parte do casco que tóca o solo por último é a que se desgasta mais, porque recebe maior esforço e atrito durante o movimento.O desbalanceamento é a causa de cascos tortos, dos vícios de movimentação dos locomotores e dos problemas de aprumos.O casco balanceado deve ter as metades iguais e os comprimentos entre cada talão até a pinça também iguais.


A abertura dos canais da ranilha (lateral, central e medial) é fundamental para o arejamento da sola (maior entrada de ar), e facilidade para o movimento de abre e fecha dos talões do casco e do trabalho de junta de dilatação da ranilha.O canal central da ranilha quando fica fechado é foco de frieira ou pododermatite exudativa que amolece a ranilha, provoca mau cheiro e prejudica a performance do animal, sobretudo em piso de areia.


Não repor o verniz das partes raspadas pela grosa ou outras ferramentas usada na aparação do casco. O verniz é a proteção que garante a taxa de evaporação e a umidade necessária ao casco. A falta de verniz provoca o ressecamento e as rachaduras, devido a deficiência de keratina. O único produto que incorpora a tecnologia de devolver o vitrificado das partes raspadas é o Cascotônico, que penetra na matéria córnea devido à sua forma líquido-oleosa, tendo, ainda, ação bactericida, fungicida e de enrigecimento controlado do casco e ranilha.O Cascotônico possui em seu principio ceras e óleos vegetais e animais que incentivam o metabolismo de crescimento e renovação dos tecidos.


A Limpeza dos Cascos

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Comece pelo membro dianteiro ,posicionando-se corretamente, ou seja, se você vai limpar as patas dianteiras, fique em pé do lado do cavalo. Quando o cavalo já estiver acostumado, ele logo erguerá a pata ao sentir o toque de suas mão em seus membros. Uma prática segura é empurrar a espádua do cavalo com seus ombros para que ele desloque seu peso para as outras patas. Uma vez que a pata estiver levantada segure-a com uma mão e limpe com a outra.

No membro traseiro o processo é parecido com o das patas dianteiras, mas talvez um pouco mais complicado devido a conformação do animal (anatomia do jarrete). Primeiro levanta a pata para frente, somente depois vire-a para trás. Para pegar a pata traseira, fique de pé ao lado da garupa na altura da anca do cavalo. É importante ficar bem perto, pois caso o animal tente dar coice, será mais fácil esquivar-se. Apóie as duas mãos na garupa do animal e depois vá descendo por trás do quarto traseiro do animal. Quando suão mãos atingirem a canela faça leve pressão até que ele dobre seu jarrete e estenda-o para frente (antes de vira-lo para trás).


Segure a pata de seu cavalo distante do chão para que ele perceba que você quer mantê-la em suas mãos. Faça com que perna, joelho e jarrete dobrem naturalmente.


Quando a perna estiver em suas mãos, ou em seu colo, e o cavalo não estiver mais puxando, comece a limpeza do casco. Para a sua segurança, nunca limpe enquanto o cavalo estiver puxando, ou tentando estirar.
O material usado é um limpador de metal, normalmente coberto com borracha onde você segura. Mas, a maioria prefere o modelo de plástico ou ferro. Existe alguns que ainda tem uma escova acoplada para fazer a limpeza dos entulhos mais fácil.

Medidas de Segurança
Com um cavalo novo ou irrequieto amarre-o ou tenha alguém para segura-lo. Com um cavalo novo ou irrequieto amarre-o ou tenha alguém para segura-lo.Nunca mexa, ou tente levantar a pata sem antes manter um contato com a parte superior do corpo do animal, pois os mesmos podem reagir dando coices ou pulando de surpresa.Nunca sente no chão para limpar os cascos de um cavalo. Você fica sem mobilidade caso o cavalo queira se mexer ou dar coice.Nunca casqueie um cavalo quando estiver descalço, pode ser perigoso.Caso moscas sejam o problema, passe um spray repelente em seu cavalo, antes mesmo de segura-lo, para evitar que o incomodem.

Fonte: Centran Toledo

domingo, 18 de setembro de 2011

DEFEITOS DE APRUMOS – EMBOLETAMENTO

                                              

As irregularidades de aprumos são defeitos de conformação, de origem variada, com base em fatores que atuam de forma independente ou integrada: fatores genéticos, deficiência nutricional do feto, sistema intensivo de criação, casqueamento mal conduzido, excesso de esforço físico e tipo inadequado de terreno no qual o animal é exercitado.

Infelizmente, a pressão de seleção para aprumos ainda é muito fraca nas raças de cavalos de marcha. Garanhões portadores de deficiências de aprumos são repetidamente acasalados com éguas também portadoras de irregularidades nos aprumos. Alguns fatores não genéicos que contribuem para o desenvolvimento de defeitos de aprumos:

Nutrição - A má nutrição das éguas gestantes, em especial durante o terço final do periodo gestacional, ainda é prática usual de manejo em muitos haras.

Criação em baias - O confinamento completo de potros e potras abaixo dos 12 meses, seja sem motivo algum, seja visando o preparo para exposições e leilões, é uma falha de manejo que vem contribuindo para o desenvolvimento vários tipos de desvios de aprumos.

Casqueamento incorreto - A prática do casqueamento, seja de manutenção ou corretivo, geralmente não é praticada por especialistas, provocando defeitos na conformação dos cascos, desbalanceamento, médio-lateral ou ântero-posterior.

Condicionamento fisico inadequado - Na ânsia de alcançar um maior desenvolvimento da musculatura, os treinadores excedem nos exercícios, alcançando os limites da capacidade física dos animais jovens, nos quais a estrutura óssea ainda não atingiu a maturidade.

Tipo de terreno para o treinamento - O mais inadequado é o piso de areia fofa, muito comum em redondéis utilizados para a guia. O próprio redondel, que força o animal a se locomover em círculos, sobrecarregando tendóes, ligamentos e articulações, é desaconselhavel para marchadores de M.T.A.D. – Marcha de Tríplices Apoios Definidos. O correto é utilizar um “ovalel”, medindo em torno de 18 a 20m de comprimento 12 a 14m de largura.

O defeito de aprumos denominado de emboletamento é um dos mais frequentes a serem desenvolvidos, pois raramente o potrinho (a) nasce emboletado. Este defeito é caracterizado pelo deslocamento adiante do boleto, resultando em traumas aos tendões, ligamentos e até mesmo na estrutura óssea. Se a quartela é curta e/ou fincada, o defeito será ainda mais grave.

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emboletamento do membro anterior esquerdo

O emboletamento é mais prevalente em potros e potras que apresentam uma taxa de crescimento mais rápida, notamente na faixa etária entre 12 a 24 meses de idade. Geralmente, os membros posteriores crescem mais rápido, posicionando-se mais atrasados, o que se denomina de acampar. Este tipo de posicionamento força a verticalidade das quartelas e, consequentemente, o emboletamento.

A correção do defeito de emboletamento é muito dificil. A recomendação é o descanso, mantendo o animal em um piquete de terreno plano e regular. O confinamento é contra-indicado, podendo agravar o defeito.

Na seleção, Registro Genealógico e nos julgamentos, o emboletamento é um defeito que merece atenção especial, e a devida penalização, até mesmo para o bem estar do próprio animal, que deveria ser mantido em descanso e tratamento para recuperação.

Autor: Lúcio Sérgio de Andrade

Fonte: Equicenter Publicações

sábado, 17 de setembro de 2011

Raças de Jumentos Oficialmente Reconhecidas

 

Acabei de entrar no site do DAD-IS (http://dad.fao.org/) e descobri que hoje em dia já existem 189 raças de jumentos oficialmente reconhecidas. Estou disponibilizando a listagem abaixo por país com links para as raças (as informações estão em inglês).

Afghanistan: Donkey

Albania: Comune

Algeria: Algerian

Armenia: Armyanskaya

Australia: Australian Donkey, English Donkey, Irish Donkey

Azerbaijan: Azerbaidzhanskaya

Barbados:Green

Belgium: Ane wallon, Poitou ezel

Botswana: Tswana

Brazil: Caninde, Cardao, Nordestina, Paulista, Pega

Central African Republic: l'Ane Africain

Chad: l'âne africain

Chile: Asno

China: Biyang, China North, Dezhou, Guangling, Guanzhong, Huaibei, Jiami, Jinnan, Kulun, Liangzhou, Linxian, Qinghai, Qingyang, Shanbei, South-west, Subei, Taihang, Tibetan, Xinjiang, Yangyuan, Yunnan

Croatia: Istarski magarac, Primorsko dinarski magarac, Sjeverno jadranski magarac

Cuba: Asnal Criollo, Asno Americano

Cyprus: Cyprus

Djibouti: Somali

Egypt: Egypt Baladi, Egyptian, Hassawi, Masri, Saeidi, Saidi

El Salvador: Burro Criollo, Burro Kentucky

Eritrea: Kassala, Somali Wild Ass

Ethiopia: Abyssinian, Jimma, Nubian Wild Ass (extinct), Ogaden, Sennar, Somali Wild Ass

France: Áne de Provence, Áne des Pyrénées, Áne du Bourbonnais, Áne du Cotentin, Áne Grand Noir du Berry, Áne Normand, Poitevin

Georgia: Georgian Ass

Guyana: Creole

Haiti: BouriK

Honduras: Burro Kentucky

India: Indian, Indian Wild Ass, Kiang

Iran (Islamic Republic of): Anger, Benderi, Hamadan, Iranian, Iranian Onager, Kashan

Ireland: Donkey

Israel: Damascus, Syrian

Italy: Asino Albino, Asino dell'Amiata, Asino dell'Asinara, Asino di Pantelleria, Pantesco, Asino Grigio Siciliano, Asino Sardo, Asino Sardo Grigio Crociato, Baio Lucano, Cariovilli (extinct), Grigio viterbese (extinct), Martina Franca, Ragusano, Romagnola (extinct), Romagnolo, Sant'Alberto (extinct)

Jordan: Black, Qubressy

Kazakhstan: Chigetai, Kazakhskaya, Kulan

Kenya: Masai, Somali

Kyrgyzstan: Kirgizskaya

Libyan Arab Jamahiriya: Libyan

Madagascar: Áne locale

Mali: Áne du plateau Dogon, l'âne du Gourma, l'âne du Miankala, l'âne du Sahel, l'âne du Yatenga, Native of North Africa

Mauritania: Native of North Africa

Mexico: Burro

Moldova, Republic of: Moldavian Local

Mongolia: Khulan

Morocco: Moroccan

Nepal: Tibetan

Netherlands: ezel

Nicaragua: Burro

Niger: Asin

Pakistan: Ass

Peru: Criollo

Romania: Romanian Ass

Russian Federation: Abkhazskaya, Dagestanskaya, Hamadan, Kakhetinskaya

Saint Kitts and Nevis: Donkey

Senegal: Native of North Africa

Serbia: Cyprus, Domaci balkanski magarac, Italian

Somalia: Somali, Somali Wild Ass

Spain: Asno Andaluz, Asno Balear, Asno de las Encartaciones, Catalana, Majorera, Zamorano-Leonés

Sri Lanka: Mannar, Puttalam Buruwa

Sudan: Dongolawi, Etbai, Riffawi, Sudanese Pack, Toposa

Suriname: Grey

Syrian Arab Republic: Damascus, Syrian, Syrian Wild Ass (extinct)

Tajikistan: Tadzhikskaya

Tanzania, United Republic of: Masai, Muscat

Togo: Anes

Tunisia: Tunisian

Turkey: Anatolian, Karakaçan, Merzifon

Turkmenistan: Kulan, Maryiskaya, Meskhet- Dzhavakhetskaya, Turkmenskaya

Uganda: Donkey

United States of America: Burro, Mammoth Jack Stock, Miniature, Spotted, Standard

Uzbekistan: Kara-Kalpakskaya, Meskhet-Dzhavakhetskaya, Uzbekskaya

Venezuela: Asno criollo, Brasil, Búlgaro, Jack Norteamericano, Mula, Peruano

Yemen: National Genatic, Qirmani, Sibiani, Somali

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Curiosidade

 

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O número de jumentos no mundo está diminuindo continuamente: entre 1995 e 2000 o número total de jumentos encontrados caiu de 43,730 milhões para 43,472 milhões. Em 2006  foram encontrados apenas 41 milhões de jumentos.  Em 1995 haviam 77 raças de jumentos reconhecidas globalmente, em 2000 já eram 91 raças. No momento, existem 185 raças de jumentos registradas na DAD-IS. Os eforços aumentaram, especialmente na Europa, para descobrir raças, dar-lhes caracteristicas e conseguir reconhecimento oficial para elas. A população real e as informações das raças nem sempre refletem a realidade pois estes dados são baseados em dados oficiais do estado e, muitas vezes são generalizados. Nos continentes economicamente menos desenvolvidos o número de animais a ser encontrado é muito superior, mas o número de raças, no entanto, é relativamente pequeno. O oposto é encontrado na Europa, América do Norte e no Oriente Médio, onde o número de raças em relação ao número de animais é elevada. Isto está relacionado com a imagem do jumento nas várias regiões: nos países pobres agricultura sem jumentos é impensável. É possível que os animais sejam de raça pura, mas isso é irrelevante para os proprietários e também muitas vezes desconhecido por eles, principalmente porque eles estão interessados ​​na capacidade de trabalho e não no pedigree. Em regiões mais prósperas, em contraste, a reprodução é mais interessante.