Bem Vindo ao Blog do Pêga!
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Confraternização dos Criadores
Confiram algumas fotos...
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Fim do dia na ENAPÊGA...
Ainda hoje às 22h haverá um seminário sobre jumentos, venha conferir....
Algumas fotos do evento de hoje:
Atenção: Mudança no Horário do Leilão
Atenção: Leilão ás 20h! Dia 28 de Junho (Leilão Presencial) no Parque da Gameleira-BH, durante a nacional do Pêga!
O novo horário já está no site da ABCJPêga, caso alguém queira mais detalhes sobre o leilão!
http://www.abcjpega.com.br/exposicao_evento.php?id=25
Noticias da ENAPÊGA
Mais um dia na ENAPEGA, ontem foram julgadas as categorias Cria ao Pé, Dente de Leite, Mirim e a parte de andamento do Campeonato Jumentinha, mas devido a falta de luz no parque (que durou a maior parte do dia) não deu para julgar a morfologia, retornando ao julgamento dessa categoria nesse momento. Algumas fotos de ontem....
quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
10º Leilão doa Associados da ABCJPêga
Acontece dia 28 de maio, o 10º Leilão doa Associados da ABCJPêga, durante a 51ª SuperAgro, em Belo horizonte - MG.
Data:28/05/2011
Cidade/Estado:Belo Horizonte - MG
Telefone:(31) 3372-1223 e 3313-6798
Começa Amanhã!!! XXVI ENAPÊGA
EXPOSIÇÃO NACIONAL DO JUMENTO PÊGA
LOCAL: BELO HORIZONTE-MG – PARQUE DE EXPOSIÇÔES BOLIVAR DE ANDRADE - GAMELEIRA
Julgamento de asininos - Dias 25 a 27/05 , a partir de 8h ;
Conc. de Marcha de Muares:
Fase Seletiva - Dia 27/05 (sexta feira), 19 h;
Final - Dia 29/05 (domingo), 13 h ;
Leilão dos Associados - Dia 28/05 (sábado) , 20 h .
Selas e Estribos
As primeiras Selas, serviram de modelo para as contemporâneas, foram feitas nos primeiros anos da era cristã por uma tribo nómada da zona do mar negro e eram feitas com armação de madeira. Agora são utilizadas tiras de madeira mas são reforçadas com placas de metal ou então são substituídas por plástico.
Sela Portuguesa:
Podem ser utilizadas para quase todos os fins (Toureio, Passeio, Aulas de Equitaçao). Para a sua fabricação é utilizado o coro de porco e tiras de metal que estão ao longo da armação de modo a dar mais elasticidade.
Sela de utilidade geral (inglesa ou húngara):
Podem ser utilizadas para todos os fins (salto, corridas cross country, caça, aulas de equitação etc). Para a sua fabricação é utilizado o coro de porco e tiras de metal que estão ao longo da armação de modo a dar mais elasticidade.
Selas Western:
São selas que foram levadas para a América pelos espanhóis e que lá foram adaptadas às necessidades dos cowboys. Estas selas pesam o dobro das inglesas mas podem ajustar-se a quase todos os cavalos sem risco de magoá-lo, são confortáveis para percursos longos e tem espaço para todos os objectos que os vaqueiros costumam trazer consigo.
Selas especiais:
São selas que são feitas com fim específico. Há selas para os saltos, que são cortadas rentes na parte dianteira e mais leves; selas para adestramento, que tem um corte no suadouro, permitindo alongar a correia dupla do estribo. Existem ainda selas para aulas, para percursos longos, para shows e para corridas (pesam cerca de 450gr).
Como escolher a melhor sela:
Utilização: lazer, trabalho ou esporte?
Uma sela para passeio pode ser mais simples e leve, enquanto os adeptos de cavalgadas e desfiles preferem modelos mais ornamentados.
Tipo racial e conformação do animal:
As medidas da sela precisam corresponder à anatomia do animal. Selas grandes ou pequenas demais causam machucados e até inutilização deste, além de provocarem nele atitude rebelde, podendo fazê-lo empinar ou corcovear.
Altura e medidas do cavaleiro:
Os bons fabricantes oferecem medidas de selas adequadas para crianças e adultos; também há variações de acordo com o peso e as medidas do usuário. Conforto e segurança são essenciais para se poder cavalgar com segurança.
Boas Selas:
"Seus suadouros se apoiam uniformemente na musculatura dorsal do animal; Os estribos são fixados numa posição que possibilita a boa colocação de perna do cavaleiro, na vertical como se ele estivesse de pé com as pernas ligeiramente flexionadas; Tem os loros feitos de uma tira de couro forte e inteiriça, sem ser emendada por costuras; É feita de couro resistente a estiramento excessivo ou desgaste precoce; Tem as ferragens confeccionadas em metal inoxidável; Suas barrigueiras ou cilhas tem, espessuras e acabamento que evita assaduras no animal".
Partes da sela:
Patilha (encosto): A altura e inclinação também variam bastante. Se for muito inclinada, deslocará o assento para traz, se for alta e pouco inclinada ocasionará desconforto no coquis. O ideal é altura e inclinação moderada.
Assento: O assento da sela deve tender ao dianteiro, ser fundo e confortável, o coreto é o peso do cavaleiro ser direccionado para a região dorsal, para não pressionar o lombo, onde estão localizados os rins, órgãos muito sensíveis.
Suador: Parte inferior da sela, que apóia sobre o suador externo. O suador tem um enchimento que atua como amortecedor, podendo ser de capim, lã ou poliéster. Sem esta proteção, os atritos diretos resultam em pisaduras, que são lesões abertas que se desenvolvem ao longo da Cernelha, Dorso e/ou Lombo, sendo de difícil cicatrização. Se o animal é volumoso em sua região torácica, exigirá uma sela de suador mais aberto, no caso inverso, exigirá uma sela de suador mais fechado. A sela deve ser bem posicionada para não limitar os movimentos das espáduas (a partir do meio da Cernelha).
Armação: É a estrutura da sela, podendo ser de ferro (torna a sela mais pesada), de aço, de madeira (peso moderado), ou de fibra (torna a sela mais leve).
Estribos: Serve de apoio para os pés, evitando que estes balancem com os deslocamentos do animal. A forma dos estribos varia, sendo ideais os estribos em forma de sino, porque não prendem os pés com a facilidade dos estribos redondos, o que seria perigoso no caso de quedas, proporcionam melhor apoio, principalmente se a base é larga e revestida em borracha. Uma base larga é necessária nos estribos de selas para Enduro, atividade onde há mais chances do cavaleiro perder o apoio nos estribos. Um tipo especial de estribo é o "salva-vidas", de base móvel. O material que se utiliza para a fabricação dos estribos pode ser o aço inoxidável, metal, ferro, ou alumínio.
Loros: São as peças de couro que sustentam os estribos, sendo presos na armação da sela através de argolas.
Barrigueira e Cilha: A barrigueira, é uma peça que passa pela barriga do animal, tendo a finalidade de ajustar a sela. A cilha é uma peça mais estreita, que passa pela região do Cilhadouro, logo atrás do Codilho.
Fonte: Tudo sobre cavalos
sábado, 21 de maio de 2011
Antes de comprar um jumento ou muar
Primeiro precisamos pensar que o animal é um ser vivo que necessitará de atenção, carinho, boa comida, espaço, exercícios frequentes, etc. E tudo isto nos custará duas coisas fundamentais: tempo e dinheiro. Mas também nos trará grande satisfação. Se estamos decididos a assumir esta responsabilidade, devemos agora responder a algumas perguntas básicas que nos ajudarão neste planeamento:
• Qual o montante de dinheiro que temos disponível para a compra do animal?
Vale sempre a pena lembrar que não podemos considerar todas as nossas economias para a aquisição, pois teremos custos depois de comprar o animal como transporte, exames, guia de transporte, etc.
• Qual a quantia que podemos gastar mensalmente para a manutenção deste animal?
Aqui temos que ser honestos, deixando um pouco a paixão de lado, para calcularmos todos os gastos que teremos, incluindo hospedagem, alimentação, ferrador, veterinário e qualquer outra eventual despesa que possa surgir, fica um pouco elevado.
• Qual o uso que pretendemos fazer deste animal?
Passeio, hipismo, alguma outra modalidade equestre, etc.
Esta resposta influenciará bastante na escolha do animal que queremos. Basicamente temos opções de hospedagem até algumas opções em centros equestres que chegam a custar caro, pois incluem treinadores, ferragens e outros cuidados mais indicados para animais atletas ou de exposição. Nos custos mais baratos normalmente a opção são os pastos ou cocheiras colectivas e todos os outros custos são cobrados á parte.
Se estiver no inicio, é recomendado o acompanhamento de uma pessoa do meio e o exame pré-compra feito por um veterinário evita surpresas e dá uma tranquilidade de não estar comprando “gato por lebre”.
Texto Adaptado. Fonte: Mundo do cavalo
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Curiosidade
Na região de Poitou (França), existe um afrodisiaco especial chamado “lalandage” que era usado para persuadir os grandes jumentos Poitou a cruzarem com éguas
quinta-feira, 19 de maio de 2011
DVDs Jumentos e Muares
1. Donkey Training (Treinando Jumentos)
por Crystal Ward
Duas horas de técnicas de treinamento e cuidados básicos de jumentos. Perfeito para o criador iniciante! Filmado na Fazenda Ass-Pen Ranch usando uma variedade de raças de jumentos, desde miniaturas até mamutes. Disponível em VHS ouDVD. Filmado e editado por "Video Mike" Kerson.
2. Team Driving and Training Video
por Clarence Koch
Koch divide mais de 60 anos de experiência de condução. Só em DVD.
3. Mule for Sale (Muares à Venda)
Junte-se à diversão e emoção do maior leilão de muares do mundo. O cineasta Ted Faye leva você a uma viagem até Dickson, Tennessee, onde Dickie e Rufus Reese exercem uma tradição familiar: a Reese Brothers Mule Auction. Descubra por que as pessoas compram mulas, para que eles são usados, e para onde as mulas vão. Um olhar intrigante em um evento que poucos experimentaram em primeira mão. Somente em VHS.
4. Introduction to Mulemanship
A série da Mula de sela: Brad Cameron
30 minutos. Conhecimentos básicos sobre mulas, equipamento de treino, a terminologia, exemplos de treinamento basico.
terça-feira, 17 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
MANEJO SANITÁRIO DOS EQÜINOS - PARTE I
O Manejo Sanitário de um rebanho visa prevenir doenças e males que possam interferir negativamente na saúde de nossos animais.
Deve ser uma prática corriqueira e de rotina em nossas criações, pois desta forma estaremos otimizando ao máximo tudo aquilo que fornecemos ao animal.
Um bom estado de saúde permite ao animal potencializar os ganhos nutricionais: ao potro em crescimento permite um ótimo desenvolvimento, à égua em reprodução ciclar e gerar um produto saudável e ao animal de esporte e trabalho desenvolver plenamente suas atividades.
De nada adianta uma preocupação intensa com genética, alimentação e treinamento se, aliado a tudo isso, o animal não estiver saudável. Um bom manejo sanitário leva o animal a este estado de saúde preventivo, inclusive economizando com o tratamento das mais diversas patologias que são muitos mais caros que a própria prevenção.
O manejo sanitário pode ser dividido em 4 partes:
1. Controle de Endo-Parasitas.
2. Controle de Ecto-parasitas.
3. Controle de Anemia Infecciosa Eqüina
4. Controle de Doenças através da Vacinação.
CONTROLE DE ENDO-PARASITAS
É o controle de verminoses que habitualmente afetam os eqüinos.
Os eqüinos por seus hábitos alimentares, estão freqüentemente sujeitos a alta infestação de vermes em seu trato intestinal.
Estes vermes devem ser combatidos, pois eles se alimentam dos animais, debilitando seu organismo e comprometendo sua saúde e seu desempenho.
Existem diversos tipos de vermífugos, com diferentes apresentações e composições, diferentes preços e resultados.
Os vermífugos para eqüinos de uma forma geral, apresentam-se para prescrição oral podendo ser granulado, líquido ou pasta.
Os mais comumente encontrados e mais eficazes são encontrados em pasta, porém com diferenças significativas em sua composição e resultado.
Os princípios ativos dos vermífugos podem ser:
Benzimidazóis: grupo antigo e que encontra resistência em grande parte dos vermes, tendo sua eficácia comprometida pelo uso indiscriminado.
Organofosforados e Organoclorados: Também existem há bastante tempo, porém são eficazes para a maioria dos vermes, mas devem ser administrados com cuidado por sua toxicidade, principalmente em éguas prenhes.
Praziquantel e Pamoato de Pirantel: Princípio Ativo bastante eficaz para alguns grupos de vermes, mas não é muito abrangente, sendo muito utilizado em associações com outros princípios.
Ivermectinas: Princípio Ativo descoberto na década de 80, muito eficaz no combate à maioria dos vermes. Porém seu uso indiscriminado e em sub-doses tem levado a alguns casos de resistência. Quando oriundo de uma empresa idônea e aplicado seguindo critérios recomendados, é confiável e eficaz. Tem sido muito utilizado em associação com Praziquantel ou Pamoato de Pirantel, o que amplia seu espectro de ação e sua eficácia.
Moxidectin: Princípio Ativo bastante eficaz contra endoparasitas e contra ecto parasitas como carrapato. Possui o inconveniente de um custo bastante elevado.
Devemos nos preocupar com qual tipo de vermífugo vamos utilizar. Se o produto é muito barato, atenção à sua qualidade e eficácia. Produtos muito baratos em geral exigem maior número de aplicações, tendo um custo anual semelhante a uma Ivermectina de boa qualidade, por exemplo.
Um esquema de vermifugação bastante eficaz deve incluir um controle parasitário através de análise de fezes periodicamente. Mas nem sempre isso é possível, então realizamos uma rotina de aplicação de vermífugos de tempos em tempos.
Esquema de Vermífugação
CONTROLE DE ECTOPARASITAS
Ectoparasitas são parasitas que vivem na pele ou sob a pele e se alimentam do animal causando prejuízos por comprometerem o desempenho e a saúde dos animais.
Os mais comuns são:
· Carrapatos: É um ectoparasita hematófago, isto é, que se alimenta de sangue que diminui a produtividade e desempenho, podendo ainda transmitir doenças como Nutaliose/Babesiose que afetam gravemente o animal, causando anemias.
O carrapato deve ser combatido através de um manejo adequado com carrapaticidas. O importante de se saber quanto ao ciclo do carrapato é que ele apenas se alimenta no cavalo, passando a maior parte da vida no meio ambiente, portanto, ao se pulverizar o animal, estamos atingindo apenas pequena parte dos carrapatos existentes. Desta forma, um controle eficaz dos carrapatos demora certo tempo, até anos, para podermos quebrar seu ciclo. Alguns carrapaticidas do mercado não matam o carrapato, mas comprometem sua reprodução, quebrando desta forma seu ciclo. Outros atuam diretamente no carrapato matando-o, mas para atingir os outros carrapatos do meio ambiente, o carrapaticida precisa ter um efeito residual eficaz. Para cavalos temos poucos produtos realmente eficazes e seguros. Um princípio ativo que se tem mostrado eficaz sem comprometer a saúde do animal é a Cipermetrina. Muito cuidado com produtos à base de Amitraz, pois este princípio pode causar problemas neurológicos e distúrbios como cólicas em alguns animais. De qualquer forma, além da pulverização do animal, devemos atentar para cuidados com as pastagens para diminuir o número destes parasitas.
· Bernes: É um estágio larval da mosca Dermatobia hominis. A mosca adulta mede 12 a 15 mm e vive apenas 4 dias. Neste período fixa seus ovos em diversos insetos hospedeiros que o transmitem aos mamíferos (especialmente cães e bovinos e mais raramente, eqüinos) e que pode ser na pele íntegra do animal, quando haverá eclosão dos ovos e desenvolvimento desta larva por 40-50 dias, chegando a medir 5 a 6 cm. Após este período caem no chão, e completam seu desenvolvimento transformando-se em pupa e depois no animal adulto após 35 a 40 dias. Deve ser controlado, pois causa grande desconforto ao animal. Apesar de não ser comum em eqüinos, temos observado muitos casos deste parasita, talvez devido à maior incidência de lixo e da proximidade dos cavalos aos grandes centros.
· Miíase: Também chamada de Bicheira. É a larva da mosca "varejeira" que se desenvolve em uma solução de continuidade (ferimento aberto) e em grande quantidade (a fêmea chega a colocar 1000 ovos de uma vez). A característica principal da miíase é o odor extremamente desagradável que se segue com o desenvolvimento das larvas. É facilmente prevenida através de limpeza e assepsia correta dos ferimentos. Em caso de instalação de miíase em um ferimento, este deve ser limpo, todas as larvas retiradas e feito curativo local diariamente.
· Habronemose: É causada por invasão errática de larvas do Habronema sp (um verme intestinal) em ferimentos exsudativos (com secreção). No ciclo do Habronema a mosca pousa nas fezes de um animal infestado e passa a ser um hospedeiro intermediário. Ao pousar no animal, em ferimentos exsudativos, transmite ao animal o habronema que se desenvolve passando a formar uma ferida bastante difícil de ser curada e tratada, podendo levar anos para a cicatrização efetiva. Manifesta-se por lesões de pele ou escoriações em geral no canto interno do olho, na linha média do abdômen e nos membros, abaixo da canela. Ocorre um a proliferação muito intensa de um tecido granuloso que não cicatriza. O tratamento consiste na remoção deste tecido além de aplicação de Ivermectinas associadas a Organoclorados e produtos cicatrizantes.
CONTROLE DE ANEMIA INFECCIOSA EQÜINA
A Anemia Infecciosa Eqüina é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus, caracterizada por períodos febris e anemias que se manifestam de forma intermitente, sem cura.
Sua transmissão ocorre por picada de insetos hematófagos e por fômites (material de uso contaminado).
Os sintomas podem ser Agudos (Febre Intermitente – 39º a 41º C, Depressão Nervosa, Fraqueza, Anemia e Morte entre 10 e 30 dias) ou Crônicos (Febre de 1 a 7 dias, normalidade, Febre novamente).
É altamente transmissível e como não tem cura, a única solução é o sacrifício do animal, pois compromete o desempenho de todo o rebanho.
É uma doença endêmica em alguns estados do Brasil e controlada em quase todos os outros. É de notificação obrigatória ao Ministério da Agricultura.
O controle se dá por exame laboratorial com validade por 60 dias, e é de porte obrigatório para trânsito de animais em qualquer parte do Brasil.
Infelizmente boa parte dos proprietários de cavalos não tem conhecimento de sua gravidade e não levam a sério seu controle, facilitando ainda mais sua disseminação.
Autor: André Cintra
Fonte: Cavalo Criolo Website
quarta-feira, 11 de maio de 2011
GULOSEIMAS
Muitas pessoas nos perguntam sobre o fornecimento de açúcar, balas, torrões, rapaduras ou mesmo chocolate para cavalos. Podemos considerar estes produtos como “guloseimas” que podem ser oferecidas, mas com algumas ressalvas para que não tornemos algo agradável em problemas.
Quando as guloseimas são fornecidas em altas quantidades, podem resultar em cáries nos cavalos, fazendo com que a dentição fique fraca para sua principal função que é triturar os alimentos. Além disso, cavalos acostumados às guloseimas diárias ou condicionados ao trabalho seguido de guloseimas, podem adquirir alterações comportamentais até graves, como morder, colocar o rosto nas pessoas, invadir espaços, etc. Assim, seguem abaixo algumas considerações sobre as guloseimas para cavalos:
• Prefira sempre produtos naturais como cenoura, beterraba ou mesmo o açúcar mascavo;
• Não condicione seu cavalo às guloseimas. É comum vermos cavalos que ficam esperando ansiosamente pelas guloseimas, resultando em um nervosismo e um alto gasto de energia sem necessidade.
• Cavalos que recebem muitas guloseimas podem apresentar sintomas de morder as pessoas, mesmo que sem a intenção do mesmo;
• Ao fornecer uma bala ou torrão de açúcar, lembre-se que para isto deve haver um motivo. Um bom trabalho, uma boa caminhada, um simples agrado depois de uma sessão de treinamento. Sem um motivo claro (claro do ponto de vista dos cavalos), a guloseima será apenas mais um agrado e não algo com um bom motivo;
• Ao fornecer a guloseima, cuidado com suas mãos. Abra-as muito bem para que o cavalo não pegue seus dedos com os dentes. Faça seu cavalo aprender a pegar o produto de sua mão, com calma e tranqüilidade, devagar e com paciência.
• Não pense que seu cavalo gosta mais ou menos de você exclusivamente por causa das guloseimas.
Autor: Aluisio Marins
Fonte: Cavalo Criolo Website
terça-feira, 10 de maio de 2011
REPRODUÇÃO
- A égua é uma fêmea poliestro estacional. Os cios férteis concentram-se nas estações da primavera e verão
- O cio tem duração média de 7 dias, com a ovulação ocorrendo nas ultimas 48h. Assim, as cobrições devem ser feitas a partir do terceiro ou quarto dia do cio.
- A identificação do cio deve ser feita com um rufião apropriado, com desvio de pênis, solto com a éguada. Poneys e Piquiras não devem ser usados para este trabalho, pois as éguas de médio a grande porte geralmente não gostam destes pequenos
- Não dispondo de um rufião, utilizar qualquer cavalo inteiro, à exceção do próprio reprodutor do haras, a fim de se evitar problemas psicológicos ou até mesmo de acidentes.
- Um reprodutor não deve dar mais do que dois saltos por dia. E mesmo assim, descansando um dia da semana. A alimentação do reprodutor em serviço reprodutivo intenso deve ser reforçada 30 dias antes do inicio da estação de monta e ao longo de toda a estação.
- A prenhez já pode ser diagnosticada através de ultrasonografia a partir de 18 dias após a fecundação
- Mais de 90% dos partos ocorrem no periodo noturno, sendo que apenas 1 a 2% são partos distórcicos. A égua parturiente não deve ser incomodada, permanecendo em local limpo, seco, sem riscos de acidentes.
- As gestações gemelares quase sempre são inviáveis. O resultado será o aborto ou a morte posterior de um ou ambos os produtos.
Fonte: Mundo Equino
segunda-feira, 9 de maio de 2011
IMPACTAÇÃO INTESTINAL
Considerações Gerais:
As cólicas são, injustamente, atribuídas à ração que se oferece ao animal. As causas da impactação, como na maioria das cólicas, estão associadas a um mau manejo.
O volumoso, alimento natural e ideal do cavalo, também pode, quando mal manejado, causar cólica nos animais.
As causas da impactação podem ser:
1.Utilização de fibras grosseiras: de baixa digestibilidade, é a principal causa deste tipo de cólica. Estas fibras podem ser oriundas de:
1.1.Feno cortado além do ponto, ficando com o talo muito grosso;
1.2.Feno deixado secar por tempo demasiado, ficando com o talo muito ressecado;
1.3.Capim fresco do tipo elefante (napier, colonião, etc.) cortados além do ponto ideal ficando com o talo grosso e ressecado.
2.Mastigação deficiente: ocasionada por problemas dentários;
3.Consumo de água inadequado: proporcionará fezes ressecadas;
4.Tédio: que poderá levar o animal à pica (ingestão de corpos estranhos, da cama, de areia, etc.);
5.Consumo de Água Inadequado: em cursos naturais rasos, como rios e lagoas, onde o animal ingere areia do fundo juntamente com a água.
6.Verminótica: causada após vermifugação em animais jovens com parasitismo intenso.
Apesar dos sintomas aparentes mais leves, a gravidade deste tipo de cólica é alta, levando, na maioria das vezes, o animal à cirurgia e também ao óbito.
Considerações Específicas:
Os movimentos intestinais (peristáltico, anti-peristáltico, segmentar e pendular) são movimentos induzidos por estímulos mecânicos; a ingestão exagerada de alimentos grosseiros, de baixa digestibilidade, provocará problemas no processo digestivo.
Com o oferecimento de volumosos grosseiros, ou em animais com problemas de dentição, teremos fibras de baixa digestibilidade, ricas em lignina, e o movimento peristáltico poderá ser aumentado causando cólicas do tipo espasmódica. Este aumento exagerado dos movimentos peristálticos poderá levar a quadros mais graves como volvo (torção de alça intestinal no eixo do mesentério), torção (torção de alça intestinal no seu próprio eixo) ou intussussepção (invaginação de porção do intestino para dentro da porção seguinte).
Se houver uma sobrecarga desta fibra de baixa qualidade, ocorrerá uma estagnação do bolo fecal. Isto também pode ocorrer pela ingestão de corpos estranhos, que bloqueará a passagem do alimento.
Se esta estagnação ocorrer no Intestino Delgado, chama-se Quimostase. O curso deste tipo de cólica é rápido, variando de 6 a 12 horas no duodeno e jejuno e de 2 a 4 dias no íleo. Se for no duodeno e jejuno, observam-se crises de dor violenta, o animal cai e levanta rapidamente, pode ocorrer icterícia por crise toxêmica do fígado, há desidratação por obstrução do ciclo da água. Caso ocorra no íleo, há inquietação, perda de apetite, olhadas para o flanco direito, animal fica em posição de micção, levanta e bate a cauda. A morte pode ocorrer por ruptura de alça intestinal, dilatação gástrica secundária ou por enterotoxemia.
Se ocorrer no Intestino Grosso, normalmente no ceco, na flexura pelviana do cólon e no início do colon menor, chama-se de Coprostase. Também pode ser causada por intoxicação por amitraz (carrapaticida). Os sintomas desenvolvem-se gradualmente. As crises de dor são fracas e podem durar dias. Os animais deitam-se com cuidado, olham o abdômen, assumem posição de micção, a eliminação de fezes é rara e em pequenas quantidades.
Em um bom processo digestivo, o conteúdo do intestino delgado é semi-líquido, ficando mais firme no intestino grosso, onde ocorre absorção de água.
O cavalo produz, em média 40 litros de saliva (animal de 400 kg) por dia. Esta quantidade estará aumentada conforme o alimento seja mais grosseiro e diminuída se o alimento for tenro. Se houver ingestão ineficiente de água, haverá problemas no processo digestivo, aonde o alimento já chegará ao estômago mais ressecado e mais ainda no intestino grosso, causando a impactação por fezes ressecadas.
No caso de verminose intensa, ao se utilizar um vermífugo altamente eficaz, que age inibindo a transmissão neuro-muscular dos helmintos, estes ficam paralisados no Intestino Delgado, se enovelam causando obstrução, impedindo a passagem do alimento. Pode ocorrer refluxo nasal contendo vermes (Parascaris equorum). Ocorre uma ação alérgena e tóxica dos vermes mortos que pode levar o animal a um choque toxêmico. Pode-se ainda observar perfurações ou rupturas intestinais, peritonite, intussussepção.
PREVENÇÃO
Como todas as cólicas, um bom manejo alimentar é fundamental para se prevenir e evitar a impactação.
Fibras
A utilização de fibras de boa qualidade deve ser condição primordial para um bom manejo alimentar.
Se utilizar feno, observe a qualidade deste feno, se não está com talo exageradamente grosso e se não está ressecado demais.
Se utilizar capim picado, não deixe passar o ponto ideal de corte que está ao redor de 1,60 e 2,20 de altura. É comum observarmos no período de sêca, capineiras com 3 , 4 e até 5 metros de altura. Muitos tratadores tentam minimizar isto picando este capim bem curto e muitas vezes colocando um pouco de farelo de trigo por cima para o cavalo comer o capim. Isto não só não melhora a digestibilidade do alimento como obriga ao cavalo ingerir alimento de baixa qualidade nutricional e que pode causar os problemas descritos. O ideal é oferecer este capim inteiro ou picá-lo com um tamanho acima de 5 cm. Desta forma o cavalo ingere apenas a porção de qualidade do volumoso.
Dentes
Uma avaliação das condições dentárias de seu cavalo é muito importante para se prevenir de problemas no futuro. Hoje já existem diversos veterinários que estão se especializando em odontologia eqüina.
Água
Devemos avaliar as condições em que nossos animais ingerem a água. Ela está disponível sempre fresca e limpa e à vontade? Se o animal bebe em rio ou lagoa, será que ele está ingerindo somente água ou também areia?
Tédio
Será que as condições de vida que meu animal leva são adequadas? Ele é solto todos os dias? Ele está sendo alimentado adequadamente? Ele está com vícios, como pica, ingerindo substâncias que podem ser prejudiciais a ele?
Vermes
A aplicação periódica de vermífugos eficazes desde os 30 dias de vida do animal deve-se ser realizada, com repetições a cada 90 dias por toda a vida do animal. Caso haja suspeita de alta infestação em um animal jovem, deve-se proceder a uma aplicação de vermífugo mais fraco, ou sub-dose de um vermífugo de boa qualidade e, após 20 dias, deve ser aplicado a dosagem normal de um vermífugo eficaz.
Como toda e qualquer enfermidade que acomete os animais, o tratamento deve ser feito sempre por um veterinário. Aos primeiros sinais de alterações do comportamento que possam ser suspeitos de doença, não exite em chamar um profissional de sua confiança.
Confie também a este profissional de sua confiança dicas para o bom manejo de seu amigo eqüestre.
Autor: André Cintra
Fonte: Cavalo Criolo Website
sábado, 7 de maio de 2011
Curiosidade
Uma das maiores vantagens de se criar muares é a menor exigência de trato, se comparados aos eqüinos. “Para cada hectare de pasto, coloca-se um muar. Se der ração, colocam-se dois.” Os muares têm custo 50% inferior ao trato dos eqüinos.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
ENTREVISTA: MITOS E VERDADES NA NUTRIÇÃO DE CAVALOS
Linha fina: Alfafa é o melhor feno para cavalos? E aveia é melhor do que ração comercial? Estas e muitas outras dúvidas são comuns entre proprietários e criadores de cavalos. Conversamos com o médico veterinário André Cintra, um dos maiores especialistas brasileiros em nutrição de eqüinos, sobre este e outros temas.
HORSE BUSINESS: Qual o melhor capim para quem esteja querendo formar pastagens ou capineiras?
ANDRÉ: O melhor capim para cavalos em termos de manejo (depois de formado) e nutrientes é o tífton. Existem outras variações de bermudas, como jiggs, flora-kirk, etc, mas o princípio é o mesmo, pois são todos parentes, inclusive o coast-cross.
Na verdade o melhor será aquele que se adaptar melhor à sua região. Deve-se levar em conta condições climáticas, geográficas, qualidade de solo, pisoteamento, etc.
O tanzânia, assim como qualquer capim que se prolifera por sementes, tem a facilidade de plantio, porém tem o inconveniente de ter um ciclo pré-definido. Após a florescência, com liberação de sementes, diminui-se sua qualidade nutricional, por encerrar um ciclo. Além disso, os capins do tipo "elefante", (Panicum sp, como napier, colonião, tanzânia, etc.) têm o inconveniente de entoucerar, e devido ao grande comprimento de suas folhas, poucas plantas nascem ao redor da planta principal. O que parece se ganhar em massa verde pelo tamanho das folhas, perde-se pela quantidade de espaço não coberto pela plantação.
Os capins plantados através de mudas, ao contrário, não têm ciclo fechado, crescendo indefinidamente até morrerem se não colhidos ou "comidos" pelos animais. Têm o inconveniente da forma de plantio, porém cobrem muito melhor o terreno produzindo tanta massa quanto outros capins mais altos. Além disso, seu valor nutricional é superior, e possuem ainda a conveniência de poderem ser utilizados para feno se não pastejados.
Recomendo a divisão desta área em 3 ou 4 partes para melhor otimizar seu aproveitamento e rotacionar o uso, ficando cada piquete em uso por 7-10 dias e descansando por 20 dias, ao menos (o ideal de descanso é 32-36 dias, que é o ciclo completo do capim em seu valor nutricional máximo). Além disso, dividindo-se os piquetes, se estiver sobrando capim em um piquete em uso, e o outro estiver em ponto de corte, pode-se fazer feno e armazaná-lo para o inverno, ou mesmo vendê-lo e obter uma fonte de renda interessante.
Lembre-se apenas de que pasto é cultura, como qualquer outra plantação. Deve-se avaliar o valor nutritivo da terra e do capim anualmente para se verificar a necessidade de suplementar a terra para se obter um alimento de alto valor biológico.
HORSE BUSINESS: Algumas pessoas falam que é preciso haver intervalo de tempo entre o fornecimento de volumoso e de concentrado aos cavalos. Qual a sua opinião a respeito?
ANDRÉ: Pode haver vantagem em evitar oferecer o feno logo após a ração. Isto acontece porque a digestão do feno, essencialmente bacteriana, ocorre no ceco do cavalo, isto é, nas porções finais do aparelho digestivo; enquanto que o processo digestivo da ração é essencilamente enzimático, iniciando-se no estômago e finalizando no intestino delgado.
O volumoso oferecido logo após a ração "empurra" a mesma para o ceco, onde ela sofrerá digestão microbiana, com perda de qualidade na absorção de seus nutrientes,por falta de enzimas. O tempo de espera (01 h/kg de ração) é suficiente para otimizar muito a absorção dos nutrientes da ração.
Por outro lado, há quem diga que o ideal é disponibilizar o volumoso ao cavalo sempre que ele quiser, da mesma forma que ele ingere na natureza. Porém, neste caso o cavalo não está confinado numa baia de 3 por 4 m. Nesta condição, o tédio o leva a "inventar" coisas para fazer, com alguns animais espalhando o alimento pela baia com muito desperdício. Por isso recomendo dividir o feno em 3 a 4 refeições ao dia, nas quantidades adequadas às necessidades de cada animal, que podem variar conforme o peso e atividade, entre outros.
HORSE BUSINESS: Sempre ouvimos que o melhor alimento para cavalos é a alfafa, e há quem a utilize como única fonte de volumoso. Um argumento é que os cavalos adoram comer alfafa. O que você tem a dizer sobre isso?
ANDRÉ: A alimentação do cavalo atleta é baseada no fornecimento de ENERGIA e não de PROTEÍNA. A alfafa por excelência, é um alimento protéico. Claro que todo alimento fornece energia e proteína, entretanto, conceitualmente, aquele nutriente que é preponderante no alimento, determina a característica dele (protéica, energética, mineral ou vitamínica).
A alimentação de um cavalo atleta jamais deve ultrapassar 14% da proteína na Dieta Total, ou seja, tudo aquilo que o animal ingere no período de 24 hs, sendo ideal ficar ao redor de 12%.
A alfafa tem uma média de 17-18% e até mais de proteína. Como o volumoso não deve ser inferior a 60% da dieta total do cavalo, como volumoso único a alfafa fornece cerca de 1430 g de proteína (8 kg de alfafa 17% ao dia), sendo as necessidades do cavalo atleta de 500 kg em trabalho médio (salto, por ex) de 984 g, portanto somente a alfafa está com um excedente de 444 g (ou 45%), com possibilidades de complicação. Isso sem contar a proteína que a ração fornece. Se for uma ração com 12% de proteína, sendo oferecido 6 kg ao dia, ofertamos + 720 g de proteína, totalizando 2.150 g de oferta, contra 989 g de necessidade - dá um excesso de 117%, quando o tolerado é de 30% além das necessidades do animal.
A utilização de fenos de gramíneas, com teores de proteína de cerca de 9 a 11%, além de muito mais BARATA, é muito mais SAUDÁVEL para o animal. Se por acaso a dieta que você está utilizando não está de acordo com as necessidades do animal, deve ser revista, mas não utilizando-se alfafa. Esta é um ótimo alimento para éguas em reprodução e potros em crescimento, e ainda assim deve ser fornecida com restrições, e não à vontade.
Jamais fiz uma dieta onde precisasse utilizar mais de 5 kg de ração para um animal. Fiz dietas para cavalos de CCE no preparo para a Olimpíada de Sydney, para cavalos de Enduro no Mundial da França, para cavalos olímpicos de salto, e em nenhum destes casos foi necessário utilizar alfafa ou mais de 5 kg de ração.
O que se pode e deve fazer é utilizar uma ração mais energética. Se isso não for suficiente (cavalos em trabalho muito intenso), utiliza-se suplementos energéticos nas doses individuais necessárias para suprir as necessidades ENERGÉTICAS do animal.
Não se preocupe com as necessidades protéicas. Se utilizar matéria prima nobre, as necessidades protéicas de seu animal serão plenamente satisfeitas. Existe uma cultura maléfica no meio eqüestre (herdada dos animais de corrida) onde pensa-se que quanto mais proteína oferecida ao animal, melhor será o seu desempenho.
Quanto à preferência por alfafa, meus filhos adoram balas e sorvetes, e não é por isso que os deixo comer estes “alimentos” à vontade.
por isso deixo-os "ad libitum" com estes "alimentos".
Quanto a saber o quanto oferecer de alfafa, como agrado para os animais,deve-se procurar balancear com o restante da dieta para não desequilibrar a mesma.
Recomendações nutricionais para diversas categorias animais
HORSE BUSINESS: Como deve ser alimentado um potro entre a desmama e a idade de doma? Parece que esta é uma idade onde os animais são deixados muito ao léu, quando é uma fase tão importante em termos de crescimento e desenvolvimento ponderal...
ANDRÉ : Para o potro dos 6 aos 18 meses o mais indicado é uma complementação com ração de boa qualidade de 17 a 18% de proteína. A base do volumoso deve ser gramínea (feno ou pasto, ou mesmo capim picado) e pode ser complementada com 1 a 2 kg de alfafa diários.
A quantidade de ração deve ser na base de 0,7 a 1,0 kg por 100 kg de potro, dependendo é claro, da qualidade desta ração e da qualidade e disponibilidade do volumoso. Pode ainda ter uma suplementação com vitamínico mineral de qualidade.
As variações de quantidades dependem de algumas variações individuais do animal, que deve ser constantemente acompanhado para ver se suas necessidades estão sendo supridas na quantidade certa. Deficiências levam a um baixo rendimento (reprodutivo ou de desenvolvimento). Excessos levam a problemas reprodutivos, como dificuldade no parto e nascimento de um potro frágil e a problemas no crescimento e desenvolvimento, como as Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares.
A partir dos 18 meses a ração já deve passar para 15% de proteína até os 36 meses, quando será definida a função do animal e oferecida a ração adequada a esta função.
Claro, além disso nunca pode faltar sal mineral específico para eqüinos e água fresca e limpa à vontade. Outros suplementos devem ser avaliados conforme as necessidades individuais de cada animal. Estas recomendações valem para todas as categorias de eqüinos.
HORSE BUSINESS: E quanto às reprodutoras? Vemos por aí éguas ganhando muita comida no início da gestação, parindo gordas e depois perdendo muito peso durante a lactação... Quais as suas recomendações?
ANDRÉ: Éguas no último trimestre de gestação devem receber 1,5 a 2,0% de seu peso vivo (em Matéria seca) por dia, dividido em no máximo 40% de concentrado com 15% de proteína bruta e 3 a 4 % de extrato etéreo, mais, no mínimo, 60% de volumoso de boa qualidade com cerca de 8 a 11% de PB (preferencialmente gramínea).
Para as éguas em lactação, vale: 1,8 a 2,9% do peso vivo (em Matéria seca) por dia, dividido em, no máximo, 50% de concentrado com 15% de proteína bruta e 3 a 4 % de extrato etéreo, mais, no mínimo, 50% de volumoso de boa qualidade com cerca de 8 a 11% de PB (preferencialmente gramínea).
HORSE BUSINESS: Quando dar aveia ao cavalo?
ANDRÉ: De minha parte, quase nunca. Somente quando a dieta assim o exigir. A resposta ficou vaga, mas é para dar idéia de quão vaga é a alimentação praticada por aí. Em suma, se você utilizar volumoso de boa qualidade, sal mineral específico, água fresca e limpa, complementar com uma ração balanceada e equilibrada de boa qualidade e específica para o animal e sua atividade, o máximo que você pode precisar é de um suplemento, que pode ser desde vitamínico mineral a aminoácidos, ou ainda energético.
A aveia não deve ser utilizada como suplemento energético para não incorrermos nos problemas do excesso de amido. Quer aumentar a energia da dieta de seu cavalo? Primeiramente verifique se você já está utilizando uma ração adequada (alta energia), em seguida, se realmente for necessário, pode-se utilizar um suplemento energético extrusado ou mesmo peletizado, ou ainda óleo vegetal, ou mesmo a farinha de linhaça. Porém verifique sempre a real necessidade de seu animal. Faça este aumento gradativo e pense na dieta como um todo. Sempre falo a meus alunos que se deve ter um pensamento espacial, não para viver no mundo da lua, mas para pensar em todos os nutrientes de uma dieta, pois ao se mexer no nível de um nutriente, deve-se verificar a necessidade de aumentar algum outro (p. ex, vitamina é fundamental para absorção de energia, e assim por diante).
Autor: André Cintra
Fonte: Cavalo Criolo Website
quarta-feira, 4 de maio de 2011
NUTALIOSE
A Nutaliose é uma doença causada pelos protozoários Babesia caballi e o Babesia equi e também é chamada de Babesiose eqüina ou simplesmente Babésia (em alusão ao nome do agente causador) ou Piroplasmose. A Nutaliose é transmitida, principalmente, pela picada do carrapato (Dermacentos sp - carrapato que se aloja na orelha do cavalo; Rhipicethalus sp, Hyaloma sp e Amblioma cajannense). A transmissão de uma geração a outra de carrapatos dá-se por infecção transovariana, ou seja, os ovos são postos já contendo o parasita (babésia) que irá acompanhar todo o desenvolvimento até que o carrapato atinja o estágio adulto para tornar-se infectante.
São citados outros transmissores como pulgas e mosquitos, podendo ser transmitida, também, por agulhas e instrumentos cirúrgicos contaminados, mas não é transmitida de cavalo para cavalo.
O Protozoário infesta as células do sangue, destruindo-as, causando uma anemia que pode variar de intensidade. Se ela for muito intensa, observa-se o animal triste, magro, com febre, fraco, com as mucosas amareladas, pelagem feia e pode levar ao óbito. Felizmente, o mais comum é uma anemia branda, observando-se certa fadiga após o exercício e diminuição do desempenho.
O ciclo de vida, tanto da Babesia caballi quanto da Babesia equi é dividido em duas fases: Uma no sangue periférico dos eqüinos, onde se encontram em forma de merozoítos e trofozoítos, e outra no carrapato. Após a infecção com o carrapato, o período de incubação é de 12 a 30 dias para B.caballi e de 12 a15 dias para B.equi. São de fácil diagnóstico, tratamento simples, prognóstico favorável desde que seja descoberta em seus estágios iniciais (e SEMPRE acompanhada de um veterinário).
Sintomas
Anemia grave – devido à destruição dos glóbulos vermelhos;
Febre;
Amarelamento das mucosas (icterícia);
Incoordenação dos movimentos;
Morte (em casos muito severos).
Ainda podem ser observados:
Falta de apetite;
Depressão (apatia - sendo um dos primeiros sinais clínicos a queda da performance);
Lacrimejamento;
Pulso aumentado, podendo chegar até a 80 a 100 por minuto (em alguns casos foi noticiada pulsação da jugular);
Inchaço dos membros (edema);
O animal permanece deitado por mais tempo.
Alguns casos agudos levam a hemorragias petequiais nas mucosas, as quais assumem coloração amarelada. Podem ocorrer, também, edemas subcutâneos no abdômen, nos órgãos genitais e nas extremidades, assim como nos pulmões. Distúrbios gastrointestinais (cólica e/ou diarréia) podem ser observados, e também abortos, assim como a infecção do feto devido à transmissão intra-uterina que é relativamente comum. O feto pode ser infectado por ambas as espécies de Babésia durante a gestação sem que a égua apresente qualquer sinal clínico da doença. Em casos crônicos os sinais clínicos podem persistir por um período longo (mais de 15 dias). A taxa de mortalidade depende do estado geral do animal infectado e da virulência do parasita. Ocorre uma alta taxa de mortalidade quando a doença ocorre na fase aguda em animais velhos e que nunca foram expostos à Babésia, quando introduzidos em áreas endêmicas.
Na necrópsia de cavalos que morreram devido à infecção aguda de B.caballi, encontram-se, geralmente, exsudato seroso e edema subcutâneo em todas as cavidades do corpo; edema pulmonar, glomerulonefropatia (alterações nos rins), hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e pâncreas), e hemorragias petequiais nas mucosas.
A queda no rendimento do animal é explicada pelo fato de haver uma menor oferta de oxigênio, decorrente destruição das hemáceas (similar à malária humana), responsável pelo transporte de gases (O2 e CO2) no corpo animal.
Diagnóstico
O diagnóstico preciso só pode ser confirmado através de exames laboratoriais – exame de Piroplasmose ou de Babésia – coleta-se, aproximadamente 5ml de sangue sem anticoagulante. Pode-se fazer, também, uma pesquisa de hematozoários, que é mais antiga e conhecida, mas ela só funciona bem nos casos agudos, quando o animal apresenta febre alta.
Para fins de viagens internacionais e de seguro, este é um dos exames exigidos para controle fito-sanitário de cavalos e a liberação para competição. Felizmente, para o plantel brasileiro, onde a doença apresenta-se praticamente endêmica, esse modelo de exame apresenta baixa sensibilidade e pode-se tratar o portador crônico para que o animal possa viajar alguns meses após o início do tratamento. Já existindo, porém a probabilidade da obrigatoriedade da aplicação do teste Elisa, que detecta portadores crônicos, que não apresentam sintomas e são chamados de portadores Assintomáticos.
Isto poderia significar o término de várias carreiras internacionais para alguns cavalos brasileiros de renome, uma vez que nosso plantel já apresenta grande número de animais infectados.
Controle
A única medida eficaz para o controle da Nutaliose é combater os carrapatos. Para isso, identifica-se a espécie correta de carrapato que está parasitando os cavalos do plantel e/ou hípica a fim de detectar exatamente quais espécies estão presentes.
Detectando-se o parasita, a próxima etapa consiste em determinar o habitat exato, para tornar o combate mais preciso e definitivo, pois cada espécie possui ciclo de vida diferente e deve ser controlada de modo diferenciado, variando-se a intensidade do controle e a época de combate. Algumas espécies não podem ser detectadas a olho nu devendo-se proceder ao teste Elisa em todo o Plantel para que haja precisão na determinação das espécies presentes. O recomendável é a visita de um técnico especializado que avalie as medidas corretas e adequadas a cada propriedade/plantel a serem implantadas, como o controle de plantas invasoras nas pastagens, banhos, manejo dos animais e propriedade, etc.
Tratamento
A Nutaliose provocada pela Babesia caballi pode ser combatida pelo sistema imunitário do animal que a elimina da circulação sangüínea, basta apenas dar suporte alimentar e vitamínico e eliminar o transmissor para que não ocorra reinfestação e contaminação. Já a Babesia equi não pode ser eliminada pelo animal e ele se tornará um portador crônico pelo resto da vida. Apesar da proteção (anticorpos) que um portador assintomático possui, ele pode vir a apresentar sinais agudos em situações de estresse. Existem alguns medicamentos disponíveis no mercado que podem controlar a doença, porém não eliminá-la, havendo uma queda de resistência no organismo do animal, é provável que a doença se manifeste em sua fase aguda, sendo necessária a utilização de medicamentos para a manutenção. Devem-se deixar os cuidados a cargo de um veterinário, pois os medicamentos são bastante tóxicos, afetando o animal e produzindo, muitas vezes, efeitos colaterais severos, como cólicas, diarréias, salivação, sudorese, inflamação no local da injeção, e que apenas um profissional especializado sabe como contornar.
Devemos nos conscientizar e a todos que lidam com o problema (criadores, veterinários, cavaleiros, tratadores e treinadores) para que haja controle do vetor (carrapatos, mosquitos, pulgas) e da doença, para melhoria dos planteis brasileiros.
Autor: Deanna Buono
Fonte: Cavalo Criolo Website
terça-feira, 3 de maio de 2011
Genealogia
A GENEALOGIA, SUA IMPORTÂNCIA PARA O MELHORAMENTO E PARA A PRODUÇÃO ANIMAL E OS MÉTODOS DE CONFIRMAÇÃO DOS PEDIGREES.
1. Genealogia x Melhoramento e Produção Animal
O principal objetivo do melhoramento animal é, sem dúvida, após identificar os indivíduos que possuam genótipos considerados superiores para uma dada característica, multiplicá-los e distribuí-los em populações diversas. Desse modo promove a melhoria dos rebanhos, tornando-os mais produtivos. É exatamente na hora em que se pretende multiplicar os melhores genótipos que a genealogia passa a ter papel decisivo, respondendo por grande parte do sucesso ou insucesso do programa de melhoramento.
Quando surgiram as diversas Associações de Criadores, foram criados em cada uma delas, os setores de Registro Genealógico, aos quais caberia emitir os pedigrees de cada animal registrado, de modo que se documentasse a pureza das raças. Diversos erros de parentesco ocorriam nesta ocasião, mas passavam despercebidos. Isso ocorreu não apenas no Brasil, mas também em outros países.
Com o correr dos anos foram introduzidas técnicas como a inseminação artificial e a transferência de embriões, que tornaram necessária a tipagem dos doadores de sêmen, das doadoras de embriões e das progênies oriundas dos mesmos, de modo a confirmar sua genealogia. Hoje temos ainda no Brasil, práticas como o uso de reprodutores múltiplos que, segundo Penna et al., (1998), só recentemente foi regulamentada.
Além disso, temos que admitir que também fazem parte de nossa realidade erros provenientes das mais variadas fontes, tais como anotações errôneas; troca de sêmen; reprodutores que pulam cercas; identificação incorreta dos animais pelos funcionários das propriedades, etc., que podem levar a perdas incalculáveis. Isso pode ser facilmente compreendido se lembrarmos que, atualmente, todos os programas de melhoramento animal, baseiam-se nas avaliações de mérito genético dos animais, cálculo este que depende diretamente das relações de parentesco dos mesmos. Segundo Van Vleck, (1970) e Gedelman et al., (1986), tais erros de genealogia levam à diminuição da acurácia nas avaliações genéticas, reduzindo também o ganho genético, já que a seleção de reprodutores errados diminui o diferencial de seleção.
Erros de paternidade ocorrem em todo o Mundo, podendo chegar a níveis muito comprometedores, como os relatados em 1996 para a Rússia (30%) e para a Alemanha (23%) por Ron et al. (1996). Esses mesmos autores, concluíram que seria de grande importância a tipagem por DNA de todas as progênies em avaliação, filhas dos reprodutores submetidos aos testes de progênie. Apesar do custo inicial do programa, dentro de poucos anos o retorno econômico seria altamente compensador.
2. Testes para verificação de parentesco
Como já mencionado, a tipagem sangüínea foi o primeiro teste disponível para a verificação de parentesco, surgindo por volta de 1938, como resultado dos trabalhos realizados pelo Dr. Irwin e seu grupo na Universidade de Wisconsin, Madison-EUA. Por muitos anos foi o único exame disponível, até que recentemente surgiram os testes de DNA como uma alternativa à tipagem sangüínea. Para que seja possível compreender bem a importância de cada tipo de teste e quando se deve optar por um ou outro método, a seguir faremos uma breve descrição de cada um deles.
2.1. Tipagem sangüínea
O teste de tipagem sangüínea propriamente dito consiste do reconhecimento dos diversos fatores sangüíneos presentes no animal através de exame sorológico, bem como das variantes protéicas, obtidas por eletroforese em gel de amido ou poliacrilamida. O material utilizado para o exame sorológico é sempre o sangue do animal, colhido em tubo à vácuo contendo anticoagulante. Para os testes bioquímicos usa-se também o sangue colhido em tubo à vácuo, só que desta vez sem anticoagulante, o que permite a separação do plasma sangüíneo. Nos exames sorológicos são lidas e interpretadas, reações de hemólise ou aglutinação das hemácias do animal em teste, quando submetidas à presença de anticorpos específicos para os diversos fatores sangüíneos. Já os testes bioquímicos analisam as principais variantes protéicas presentes nas hemácias ou no soro dos indivíduos.
É importante dizer que todos os testes de verificação de parentesco baseiam-se no PRINCÍPIO DA EXCLUSÃO GENÉTICA, segundo o qual, ao comparar-se os resultados obtidos para o indivíduo em teste nos exames sorológicos e para as variantes protéicas, com os mesmos resultados mostrados por seus supostos progenitores, pode-se EXCLUIR um falso progenitor. Segundo Bernoco et al. (1997), a acuidade do teste na exclusão é de 100 %, enquanto que a não-exclusão somente, não é aceita como prova de parentesco, já que existe a possibilidade de 2 indivíduos apresentarem o mesmo tipo sangüíneo, como é o caso de gêmeos idênticos. Assim sendo, diz-se que o progenitor apenas pode ser QUALIFICADO como tal. O mesmo princípio se aplica aos testes de DNA.
Compreendidos os princípios do teste de tipagem sangüínea cabe-nos dizer que a segurança desses testes para verificação de parentesco é de 100%, desde que sejam feitos de acordo com as recomendações da ISAG - International Society for Animal Genetics), que propõe um painel de testes com pelo menos 60 diferentes anticorpos, pertencentes a no mínimo 10 sistemas de grupos sangüíneos (Stormont, 1997 - informação verbal).
Um estudo feito no Brasil por Oliveira (1994), mostrou a importância da realização de testes de análise de parentesco, quando detectou por meio de tal exame, 26,72 % de erros de paternidade e 10,94 % de erros de maternidade ocorridos em um rebanho considerado de ótimo nível zootécnico, tendo como única (porém grave) fonte de erro, a condição de semi-analfabetismo do principal peão responsável pelo controle dos registros individuais. O que sem dúvida alguma compromete qualquer programa de melhoramento que envolva tais indivíduos.
2.2. Tipagem por DNA
Apesar da alta precisão do teste de tipagem sangüínea na exclusão de um falso parentesco, há casos em que algo mais é necessário, como no relato feito por Bowling et al. (1993), em que uma égua portadora de quimerismo sangüíneo era excluída como mãe de um potro pelo exame de tipagem. Após testar o DNA extraído do sangue desta fêmea com 5 microssatélites persistiu a exclusão. No entanto, ao testar-se o DNA extraído de bulbo capilar nenhuma exclusão foi observada. Assim, verificou-se que a égua era uma quimera, possuindo duas linhagens celulares distintas, sendo uma proveniente de seu irmão gêmeo (mostrada em seu sangue) e outra própria (evidenciada nos bulbos capilares).
O DNA está no núcleo de todas as células somáticas (do corpo) dos indivíduos onde forma os cromossomos. Essas estruturas existem aos pares, sendo cada membro do par transmitido ao indivíduo por um de seus progenitores em seus gametas (óvulo e espermatozóide). Cada cromossomo é então, constituído por uma longa fita de DNA, que por sua vez é formada por unidades menores chamadas de nucleotídeos (ou bases) que se apresentam em quatro formas distintas: A (Adenina), T (Timina), C (Citosina) e G (Guanina).
Ao se combinarem, tais bases podem dar origem a trechos de DNA que correspondem ao que chamamos de genes, portanto à seqüências que irão codificar ( ou dar a ordem de comando) para que o organismo expresse certas características, tais como cor da pele, dos olhos, etc. Também originam outras seqüências que se localizam entre os genes. Algumas dessas seqüências, por sua vez, apresentam repetições consecutivas de combinações das bases A, T, C ou G (de 1 a 6 nucleotídeos); chamadas de repetições em tandem, as quais podem ocorrer até 30 vezes nessas regiões do DNA.
Alguns exemplos dessas combinações são: TGTGTG, ATTATTATT, CGCG, AAT, etc. Essas seqüências repetitivas receberam o nome de microssatélites.
Uma das principais características dos microssatélites é exatamente a considerável variação observada quanto ao número de vezes que uma determinada seqüência de bases se repete. Num certo ponto de um cromossomo podemos ter, por exemplo, a seqüência TG repetida 15 vezes, enquanto que, no mesmo local do cromossomo homólogo (par correspondente) do mesmo animal, pode haver 12 cópias desta seqüência. Essa variação, chamada de polimorfismo, é o que torna cada indivíduo distinto do outro (Figura 1). Considerando que os microssatélites também são hereditários, podem então, ser utilizados em verificações de parentesco.
Além de sua importância na solução de casos mais complexos, como o anteriormente citado, ainda por motivos como facilidade de obtenção e transporte de amostras (no caso de bulbos capilares), possibilidade de análise de material de indivíduos já falecidos (ossos, sêmen, embriões e outros tecidos), facilidade de realização dos testes (permitindo até mesmo automatização) e comercialização dos reagentes e primers em forma de kits; a tipagem por DNA tem se expandido.
A tipagem por DNA, assim como a tipagem sangüínea, está sujeita ao rigoroso controle de qualidade feito pela ISAG, por meio dos Testes Comparativos Internacionais, organizados e coordenados por essa sociedade científica. Os resultados de cada um deles são de grande importância, permitindo a padronização mundial dos testes. Em Julho/2000 realizou-se o mais recente encontro dos membros da ISAG, sendo que durante a reunião foram apresentados e discutidos os resultados do último teste comparativo para bovinos e eqüinos (realizados em 1999), definindo-se os painéis mínimos de teste. Ou seja, decidiu-se quais microssatélites obrigatoriamente deverão ser testados, para que o exame tenha validade legal e forneça uma alta probabilidade de exclusão de falso parentesco (PE). Tanto para bovinos, quanto para eqüinos 9 microssatélites específicos têm que ser utilizados. Normalmente os painéis para bovinos são compostos por 11 microssatélites e para eqüinos por 13 a 15. Esse número de seqüências em teste tem papel fundamental na distinção de indivíduos que tenham alto grau de parentesco. Também é preciso esclarecer que tais microssatélites não são tomados ao acaso. Os escolhidos para compor os painéis de teste correspondem a seqüências altamente polimórficas na maioria das raças criadas. Usando tais microssatélites trabalha-se com probabilidades de exclusão de falso parentesco entre 98 a 99,9%.
Tais exames já estão disponíveis para várias espécies animais, estando entre elas os bovinos, eqüinos, caprinos, ovinos, caninos, felinos, bubalinos e até mesmo algumas espécies exóticas como os bisões.
Para algumas espécies, como no caso de eqüinos, já vem ocorrendo a substituição da tipagem sangüínea pela tipagem por DNA, em diversos países. O mesmo vem acontecendo com a raça bovina Holandesa, cujos principais reprodutores na Holanda, atualmente são testados somente por DNA. Portanto, é preciso que tal tecnologia esteja ao alcance dos criadores, especialmente daqueles que importam ou exportam animais, sêmen e embriões. Um grande empecilho ao emprego efetivo de testes de tipagem por DNA no Brasil, que já possui alguns laboratórios qualificados, ainda é o preço que se paga por animal testado. Podemos comparar o valor do teste de tipagem para eqüinos praticado no país, que custa em torno de R$ 35,00 Reais, com testes de paternidade por DNA, cujo preço varia entre US$ 45,00 a US$ 75,00 Dólares por indivíduo. No entanto, considerando-se a relação custo-benefício, em pouco tempo podem trazer um bom retorno financeiro sob a forma de maior produção.
3. Considerações finais
Como se pode observar, tanto a tipagem sangüínea, quanto a tipagem por DNA, em qualquer espécie animal, apresentam alto grau de precisão na exclusão de falso parentesco. O mais importante é que os exames sejam conduzidos de maneira correta, utilizando reagentes de boa qualidade, mão de obra qualificada para a execução e interpretação dos mesmos e que sigam as regras definidas pela ISAG.
Por outro lado, também é preciso que os criadores e demais profissionais envolvidos, se conscientizem de que um teste bem feito fatalmente irá detectar qualquer tentativa de fraude. A final de contas, pedigrees confiáveis se traduzem em bons resultados e maior lucratividade.
Tesxo Adaptado
Autores:
Denise Aparecida Andrade de Oliveira
Marcelo Yukio Kuabara