Bem Vindo ao Blog do Pêga!

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O propósito do Blog do Pêga é desenvolver e promover a raça, encorajando a sociedade entre os criadores e admiradores por meio de circulação de informações úteis.

Existe muita literatura sobre cavalos, mas poucos escrevem sobre jumentos e muares. Este é um espaço para postar artigos, informações e fotos sobre esses fantásticos animais. Estamos sempre a procura de novo material, ajude a transformar este blog na maior enciclopédia de jumentos e muares da história! Caso alguém queira colaborar com histórias, artigos, fotos, informações, etc ... entre em contato conosco: fazendasnoca@uol.com.br

sábado, 14 de maio de 2011

MANEJO SANITÁRIO DOS EQÜINOS - PARTE I

 

O Manejo Sanitário de um rebanho visa prevenir doenças e males que possam interferir negativamente na saúde de nossos animais.

     Deve ser uma prática corriqueira e de rotina em nossas criações, pois desta forma estaremos otimizando ao máximo tudo aquilo que fornecemos ao animal.

     Um bom estado de saúde permite ao animal potencializar os ganhos nutricionais: ao potro em crescimento permite um ótimo desenvolvimento, à égua em reprodução ciclar e gerar um produto saudável e ao animal de esporte e trabalho desenvolver plenamente suas atividades.

     De nada adianta uma preocupação intensa com genética, alimentação e treinamento se, aliado a tudo isso, o animal não estiver saudável. Um bom manejo sanitário leva o animal a este estado de saúde preventivo, inclusive economizando com o tratamento das mais diversas patologias que são muitos mais caros que a própria prevenção.

     O manejo sanitário pode ser dividido em 4 partes:

     1. Controle de Endo-Parasitas.

     2. Controle de Ecto-parasitas.

     3. Controle de Anemia Infecciosa Eqüina

     4. Controle de Doenças através da Vacinação.

CONTROLE DE ENDO-PARASITAS

     É o controle de verminoses que habitualmente afetam os eqüinos.

     Os eqüinos por seus hábitos alimentares, estão freqüentemente sujeitos a alta infestação de vermes em seu trato intestinal.

     Estes vermes devem ser combatidos, pois eles se alimentam dos animais, debilitando seu organismo e comprometendo sua saúde e seu desempenho.

      Existem diversos tipos de vermífugos, com diferentes apresentações e composições, diferentes preços e resultados.

      Os vermífugos para eqüinos de uma forma geral, apresentam-se para prescrição oral podendo ser granulado, líquido ou pasta.

      Os mais comumente encontrados e mais eficazes são encontrados em pasta, porém com diferenças significativas em sua composição e resultado.

      Os princípios ativos dos vermífugos podem ser:

     Benzimidazóis: grupo antigo e que encontra resistência em grande parte dos vermes, tendo sua eficácia comprometida pelo uso indiscriminado.

     Organofosforados e Organoclorados: Também existem há bastante tempo, porém são eficazes para a maioria dos vermes, mas devem ser administrados com cuidado por sua toxicidade, principalmente em éguas prenhes.

     Praziquantel e Pamoato de Pirantel: Princípio Ativo bastante eficaz para alguns grupos de vermes, mas não é muito abrangente, sendo muito utilizado em associações com outros princípios.

     Ivermectinas: Princípio Ativo descoberto na década de 80, muito eficaz no combate à maioria dos vermes. Porém seu uso indiscriminado e em sub-doses tem levado a alguns casos de resistência. Quando oriundo de uma empresa idônea e aplicado seguindo critérios recomendados, é confiável e eficaz. Tem sido muito utilizado em associação com Praziquantel ou Pamoato de Pirantel, o que amplia seu espectro de ação e sua eficácia.

     Moxidectin: Princípio Ativo bastante eficaz contra endoparasitas e contra ecto parasitas como carrapato. Possui o inconveniente de um custo bastante elevado.

     Devemos nos preocupar com qual tipo de vermífugo vamos utilizar. Se o produto é muito barato, atenção à sua qualidade e eficácia. Produtos muito baratos em geral exigem maior número de aplicações, tendo um custo anual semelhante a uma Ivermectina de boa qualidade, por exemplo.

     Um esquema de vermifugação bastante eficaz deve incluir um controle parasitário através de análise de fezes periodicamente. Mas nem sempre isso é possível, então realizamos uma rotina de aplicação de vermífugos de tempos em tempos.

Esquema de Vermífugação

CONTROLE DE ECTOPARASITAS

      Ectoparasitas são parasitas que vivem na pele ou sob a pele e se alimentam do animal causando prejuízos por comprometerem o desempenho e a saúde dos animais.

      Os mais comuns são:

     · Carrapatos: É um ectoparasita hematófago, isto é, que se alimenta de sangue que diminui a produtividade e desempenho, podendo ainda transmitir doenças como Nutaliose/Babesiose que afetam gravemente o animal, causando anemias.

     O carrapato deve ser combatido através de um manejo adequado com carrapaticidas. O importante de se saber quanto ao ciclo do carrapato é que ele apenas se alimenta no cavalo, passando a maior parte da vida no meio ambiente, portanto, ao se pulverizar o animal, estamos atingindo apenas pequena parte dos carrapatos existentes. Desta forma, um controle eficaz dos carrapatos demora certo tempo, até anos, para podermos quebrar seu ciclo. Alguns carrapaticidas do mercado não matam o carrapato, mas comprometem sua reprodução, quebrando desta forma seu ciclo. Outros atuam diretamente no carrapato matando-o, mas para atingir os outros carrapatos do meio ambiente, o carrapaticida precisa ter um efeito residual eficaz. Para cavalos temos poucos produtos realmente eficazes e seguros. Um princípio ativo que se tem mostrado eficaz sem comprometer a saúde do animal é a Cipermetrina. Muito cuidado com produtos à base de Amitraz, pois este princípio pode causar problemas neurológicos e distúrbios como cólicas em alguns animais. De qualquer forma, além da pulverização do animal, devemos atentar para cuidados com as pastagens para diminuir o número destes parasitas.

     · Bernes: É um estágio larval da mosca Dermatobia hominis. A mosca adulta mede 12 a 15 mm e vive apenas 4 dias. Neste período fixa seus ovos em diversos insetos hospedeiros que o transmitem aos mamíferos (especialmente cães e bovinos e mais raramente, eqüinos) e que pode ser na pele íntegra do animal, quando haverá eclosão dos ovos e desenvolvimento desta larva por 40-50 dias, chegando a medir 5 a 6 cm. Após este período caem no chão, e completam seu desenvolvimento transformando-se em pupa e depois no animal adulto após 35 a 40 dias. Deve ser controlado, pois causa grande desconforto ao animal. Apesar de não ser comum em eqüinos, temos observado muitos casos deste parasita, talvez devido à maior incidência de lixo e da proximidade dos cavalos aos grandes centros.

     · Miíase: Também chamada de Bicheira. É a larva da mosca "varejeira" que se desenvolve em uma solução de continuidade (ferimento aberto) e em grande quantidade (a fêmea chega a colocar 1000 ovos de uma vez). A característica principal da miíase é o odor extremamente desagradável que se segue com o desenvolvimento das larvas. É facilmente prevenida através de limpeza e assepsia correta dos ferimentos. Em caso de instalação de miíase em um ferimento, este deve ser limpo, todas as larvas retiradas e feito curativo local diariamente.

     · Habronemose: É causada por invasão errática de larvas do Habronema sp (um verme intestinal) em ferimentos exsudativos (com secreção). No ciclo do Habronema a mosca pousa nas fezes de um animal infestado e passa a ser um hospedeiro intermediário. Ao pousar no animal, em ferimentos exsudativos, transmite ao animal o habronema que se desenvolve passando a formar uma ferida bastante difícil de ser curada e tratada, podendo levar anos para a cicatrização efetiva. Manifesta-se por lesões de pele ou escoriações em geral no canto interno do olho, na linha média do abdômen e nos membros, abaixo da canela. Ocorre um a proliferação muito intensa de um tecido granuloso que não cicatriza. O tratamento consiste na remoção deste tecido além de aplicação de Ivermectinas associadas a Organoclorados e produtos cicatrizantes.

CONTROLE DE ANEMIA INFECCIOSA EQÜINA

      A Anemia Infecciosa Eqüina é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus, caracterizada por períodos febris e anemias que se manifestam de forma intermitente, sem cura.

      Sua transmissão ocorre por picada de insetos hematófagos e por fômites (material de uso contaminado).

      Os sintomas podem ser Agudos (Febre Intermitente – 39º a 41º C, Depressão Nervosa, Fraqueza, Anemia e Morte entre 10 e 30 dias) ou Crônicos (Febre de 1 a 7 dias, normalidade, Febre novamente).

      É altamente transmissível e como não tem cura, a única solução é o sacrifício do animal, pois compromete o desempenho de todo o rebanho.

      É uma doença endêmica em alguns estados do Brasil e controlada em quase todos os outros. É de notificação obrigatória ao Ministério da Agricultura.

      O controle se dá por exame laboratorial com validade por 60 dias, e é de porte obrigatório para trânsito de animais em qualquer parte do Brasil.

      Infelizmente boa parte dos proprietários de cavalos não tem conhecimento de sua gravidade e não levam a sério seu controle, facilitando ainda mais sua disseminação.

Autor: André Cintra

Fonte: Cavalo Criolo Website

quarta-feira, 11 de maio de 2011

GULOSEIMAS

 

Muitas pessoas nos perguntam sobre o fornecimento de açúcar, balas, torrões, rapaduras ou mesmo chocolate para cavalos. Podemos considerar estes produtos como “guloseimas” que podem ser oferecidas, mas com algumas ressalvas para que não tornemos algo agradável em problemas.

Quando as guloseimas são fornecidas em altas quantidades, podem resultar em cáries nos cavalos, fazendo com que a dentição fique fraca para sua principal função que é triturar os alimentos. Além disso, cavalos acostumados às guloseimas diárias ou condicionados ao trabalho seguido de guloseimas, podem adquirir alterações comportamentais até graves, como morder, colocar o rosto nas pessoas, invadir espaços, etc. Assim, seguem abaixo algumas considerações sobre as guloseimas para cavalos:

     • Prefira sempre produtos naturais como cenoura, beterraba ou mesmo o açúcar mascavo;

     • Não condicione seu cavalo às guloseimas. É comum vermos cavalos que ficam esperando ansiosamente pelas guloseimas, resultando em um nervosismo e um alto gasto de energia sem necessidade.

     • Cavalos que recebem muitas guloseimas podem apresentar sintomas de morder as pessoas, mesmo que sem a intenção do mesmo;

     • Ao fornecer uma bala ou torrão de açúcar, lembre-se que para isto deve haver um motivo. Um bom trabalho, uma boa caminhada, um simples agrado depois de uma sessão de treinamento. Sem um motivo claro (claro do ponto de vista dos cavalos), a guloseima será apenas mais um agrado e não algo com um bom motivo;

     • Ao fornecer a guloseima, cuidado com suas mãos. Abra-as muito bem para que o cavalo não pegue seus dedos com os dentes. Faça seu cavalo aprender a pegar o produto de sua mão, com calma e tranqüilidade, devagar e com paciência.

     • Não pense que seu cavalo gosta mais ou menos de você exclusivamente por causa das guloseimas.

Autor: Aluisio Marins

Fonte: Cavalo Criolo Website

terça-feira, 10 de maio de 2011

REPRODUÇÃO

 

- A égua é uma fêmea poliestro estacional. Os cios férteis concentram-se nas estações da primavera e verão

- O cio tem duração média de 7 dias, com a ovulação ocorrendo nas ultimas 48h. Assim, as cobrições devem ser feitas a partir do terceiro ou quarto dia do cio.

- A identificação do cio deve ser feita com um rufião apropriado, com desvio de pênis, solto com a éguada. Poneys e Piquiras não devem ser usados para este trabalho, pois as éguas de médio a grande porte geralmente não gostam destes pequenos

- Não dispondo de um rufião, utilizar qualquer cavalo inteiro, à exceção do próprio reprodutor do haras, a fim de se evitar problemas psicológicos ou até mesmo de acidentes.

- Um reprodutor não deve dar mais do que dois saltos por dia. E mesmo assim, descansando um dia da semana. A alimentação do reprodutor em serviço reprodutivo intenso deve ser reforçada 30 dias antes do inicio da estação de monta e ao longo de toda a estação.

- A prenhez já pode ser diagnosticada através de ultrasonografia a partir de 18 dias após a fecundação

- Mais de 90% dos partos ocorrem no periodo noturno, sendo que apenas 1 a 2% são partos distórcicos. A égua parturiente não deve ser incomodada, permanecendo em local limpo, seco, sem riscos de acidentes.

- As gestações gemelares quase sempre são inviáveis. O resultado será o aborto ou a morte posterior de um ou ambos os produtos.

Fonte: Mundo Equino

segunda-feira, 9 de maio de 2011

IMPACTAÇÃO INTESTINAL

 

Considerações Gerais:

     As cólicas são, injustamente, atribuídas à ração que se oferece ao animal. As causas da impactação, como na maioria das cólicas, estão associadas a um mau manejo.

     O volumoso, alimento natural e ideal do cavalo, também pode, quando mal manejado, causar cólica nos animais.

     As causas da impactação podem ser:

     1.Utilização de fibras grosseiras: de baixa digestibilidade, é a principal causa deste tipo de cólica. Estas fibras podem ser oriundas de:

     1.1.Feno cortado além do ponto, ficando com o talo muito grosso;

     1.2.Feno deixado secar por tempo demasiado, ficando com o talo muito ressecado;

     1.3.Capim fresco do tipo elefante (napier, colonião, etc.) cortados além do ponto ideal ficando com o talo grosso e ressecado.

     2.Mastigação deficiente: ocasionada por problemas dentários;

     3.Consumo de água inadequado: proporcionará fezes ressecadas;

     4.Tédio: que poderá levar o animal à pica (ingestão de corpos estranhos, da cama, de areia, etc.);

     5.Consumo de Água Inadequado: em cursos naturais rasos, como rios e lagoas, onde o animal ingere areia do fundo juntamente com a água.

     6.Verminótica: causada após vermifugação em animais jovens com parasitismo intenso.

     Apesar dos sintomas aparentes mais leves, a gravidade deste tipo de cólica é alta, levando, na maioria das vezes, o animal à cirurgia e também ao óbito.

     Considerações Específicas:

     Os movimentos intestinais (peristáltico, anti-peristáltico, segmentar e pendular) são movimentos induzidos por estímulos mecânicos; a ingestão exagerada de alimentos grosseiros, de baixa digestibilidade, provocará problemas no processo digestivo.

     Com o oferecimento de volumosos grosseiros, ou em animais com problemas de dentição, teremos fibras de baixa digestibilidade, ricas em lignina, e o movimento peristáltico poderá ser aumentado causando cólicas do tipo espasmódica. Este aumento exagerado dos movimentos peristálticos poderá levar a quadros mais graves como volvo (torção de alça intestinal no eixo do mesentério), torção (torção de alça intestinal no seu próprio eixo) ou intussussepção (invaginação de porção do intestino para dentro da porção seguinte).

     Se houver uma sobrecarga desta fibra de baixa qualidade, ocorrerá uma estagnação do bolo fecal. Isto também pode ocorrer pela ingestão de corpos estranhos, que bloqueará a passagem do alimento.

     Se esta estagnação ocorrer no Intestino Delgado, chama-se Quimostase. O curso deste tipo de cólica é rápido, variando de 6 a 12 horas no duodeno e jejuno e de 2 a 4 dias no íleo. Se for no duodeno e jejuno, observam-se crises de dor violenta, o animal cai e levanta rapidamente, pode ocorrer icterícia por crise toxêmica do fígado, há desidratação por obstrução do ciclo da água. Caso ocorra no íleo, há inquietação, perda de apetite, olhadas para o flanco direito, animal fica em posição de micção, levanta e bate a cauda. A morte pode ocorrer por ruptura de alça intestinal, dilatação gástrica secundária ou por enterotoxemia.

     Se ocorrer no Intestino Grosso, normalmente no ceco, na flexura pelviana do cólon e no início do colon menor, chama-se de Coprostase. Também pode ser causada por intoxicação por amitraz (carrapaticida). Os sintomas desenvolvem-se gradualmente. As crises de dor são fracas e podem durar dias. Os animais deitam-se com cuidado, olham o abdômen, assumem posição de micção, a eliminação de fezes é rara e em pequenas quantidades.

     Em um bom processo digestivo, o conteúdo do intestino delgado é semi-líquido, ficando mais firme no intestino grosso, onde ocorre absorção de água.

     O cavalo produz, em média 40 litros de saliva (animal de 400 kg) por dia. Esta quantidade estará aumentada conforme o alimento seja mais grosseiro e diminuída se o alimento for tenro. Se houver ingestão ineficiente de água, haverá problemas no processo digestivo, aonde o alimento já chegará ao estômago mais ressecado e mais ainda no intestino grosso, causando a impactação por fezes ressecadas.

     No caso de verminose intensa, ao se utilizar um vermífugo altamente eficaz, que age inibindo a transmissão neuro-muscular dos helmintos, estes ficam paralisados no Intestino Delgado, se enovelam causando obstrução, impedindo a passagem do alimento. Pode ocorrer refluxo nasal contendo vermes (Parascaris equorum). Ocorre uma ação alérgena e tóxica dos vermes mortos que pode levar o animal a um choque toxêmico. Pode-se ainda observar perfurações ou rupturas intestinais, peritonite, intussussepção.

     PREVENÇÃO

     Como todas as cólicas, um bom manejo alimentar é fundamental para se prevenir e evitar a impactação.

     Fibras

     A utilização de fibras de boa qualidade deve ser condição primordial para um bom manejo alimentar.

     Se utilizar feno, observe a qualidade deste feno, se não está com talo exageradamente grosso e se não está ressecado demais.

     Se utilizar capim picado, não deixe passar o ponto ideal de corte que está ao redor de 1,60 e 2,20 de altura. É comum observarmos no período de sêca, capineiras com 3 , 4 e até 5 metros de altura. Muitos tratadores tentam minimizar isto picando este capim bem curto e muitas vezes colocando um pouco de farelo de trigo por cima para o cavalo comer o capim. Isto não só não melhora a digestibilidade do alimento como obriga ao cavalo ingerir alimento de baixa qualidade nutricional e que pode causar os problemas descritos. O ideal é oferecer este capim inteiro ou picá-lo com um tamanho acima de 5 cm. Desta forma o cavalo ingere apenas a porção de qualidade do volumoso.

     Dentes

     Uma avaliação das condições dentárias de seu cavalo é muito importante para se prevenir de problemas no futuro. Hoje já existem diversos veterinários que estão se especializando em odontologia eqüina.

     Água

     Devemos avaliar as condições em que nossos animais ingerem a água. Ela está disponível sempre fresca e limpa e à vontade? Se o animal bebe em rio ou lagoa, será que ele está ingerindo somente água ou também areia?

     Tédio

     Será que as condições de vida que meu animal leva são adequadas? Ele é solto todos os dias? Ele está sendo alimentado adequadamente? Ele está com vícios, como pica, ingerindo substâncias que podem ser prejudiciais a ele?

     Vermes

     A aplicação periódica de vermífugos eficazes desde os 30 dias de vida do animal deve-se ser realizada, com repetições a cada 90 dias por toda a vida do animal. Caso haja suspeita de alta infestação em um animal jovem, deve-se proceder a uma aplicação de vermífugo mais fraco, ou sub-dose de um vermífugo de boa qualidade e, após 20 dias, deve ser aplicado a dosagem normal de um vermífugo eficaz.

     Como toda e qualquer enfermidade que acomete os animais, o tratamento deve ser feito sempre por um veterinário. Aos primeiros sinais de alterações do comportamento que possam ser suspeitos de doença, não exite em chamar um profissional de sua confiança.

     Confie também a este profissional de sua confiança dicas para o bom manejo de seu amigo eqüestre.

Autor: André Cintra

Fonte: Cavalo Criolo Website

sábado, 7 de maio de 2011

Curiosidade

 

Uma das maiores vantagens de se criar muares é a menor exigência de trato, se comparados aos eqüinos. “Para cada hectare de pasto, coloca-se um muar. Se der ração, colocam-se dois.” Os muares têm custo 50% inferior ao trato dos eqüinos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ENTREVISTA: MITOS E VERDADES NA NUTRIÇÃO DE CAVALOS

 

Linha fina: Alfafa é o melhor feno para cavalos? E aveia é melhor do que ração comercial? Estas e muitas outras dúvidas são comuns entre proprietários e criadores de cavalos. Conversamos com o médico veterinário André Cintra, um dos maiores especialistas brasileiros em nutrição de eqüinos, sobre este e outros temas.

     HORSE BUSINESS: Qual o melhor capim para quem esteja querendo formar pastagens ou capineiras?

     ANDRÉ: O melhor capim para cavalos em termos de manejo (depois de formado) e nutrientes é o tífton. Existem outras variações de bermudas, como jiggs, flora-kirk, etc, mas o princípio é o mesmo, pois são todos parentes, inclusive o coast-cross.

      Na verdade o melhor será aquele que se adaptar melhor à sua região. Deve-se levar em conta condições climáticas, geográficas, qualidade de solo, pisoteamento, etc.

      O tanzânia, assim como qualquer capim que se prolifera por sementes, tem a facilidade de plantio, porém tem o inconveniente de ter um ciclo pré-definido. Após a florescência, com liberação de sementes, diminui-se sua qualidade nutricional, por encerrar um ciclo. Além disso, os capins do tipo "elefante", (Panicum sp, como napier, colonião, tanzânia, etc.) têm o inconveniente de entoucerar, e devido ao grande comprimento de suas folhas, poucas plantas nascem ao redor da planta principal. O que parece se ganhar em massa verde pelo tamanho das folhas, perde-se pela quantidade de espaço não coberto pela plantação.

      Os capins plantados através de mudas, ao contrário, não têm ciclo fechado, crescendo indefinidamente até morrerem se não colhidos ou "comidos" pelos animais. Têm o inconveniente da forma de plantio, porém cobrem muito melhor o terreno produzindo tanta massa quanto outros capins mais altos. Além disso, seu valor nutricional é superior, e possuem ainda a conveniência de poderem ser utilizados para feno se não pastejados.

      Recomendo a divisão desta área em 3 ou 4 partes para melhor otimizar seu aproveitamento e rotacionar o uso, ficando cada piquete em uso por 7-10 dias e descansando por 20 dias, ao menos (o ideal de descanso é 32-36 dias, que é o ciclo completo do capim em seu valor nutricional máximo). Além disso, dividindo-se os piquetes, se estiver sobrando capim em um piquete em uso, e o outro estiver em ponto de corte, pode-se fazer feno e armazaná-lo para o inverno, ou mesmo vendê-lo e obter uma fonte de renda interessante.

      Lembre-se apenas de que pasto é cultura, como qualquer outra plantação. Deve-se avaliar o valor nutritivo da terra e do capim anualmente para se verificar a necessidade de suplementar a terra para se obter um alimento de alto valor biológico.

     HORSE BUSINESS: Algumas pessoas falam que é preciso haver intervalo de tempo entre o fornecimento de volumoso e de concentrado aos cavalos. Qual a sua opinião a respeito?

     ANDRÉ: Pode haver vantagem em evitar oferecer o feno logo após a ração. Isto acontece porque a digestão do feno, essencialmente bacteriana, ocorre no ceco do cavalo, isto é, nas porções finais do aparelho digestivo; enquanto que o processo digestivo da ração é essencilamente enzimático, iniciando-se no estômago e finalizando no intestino delgado.

      O volumoso oferecido logo após a ração "empurra" a mesma para o ceco, onde ela sofrerá digestão microbiana, com perda de qualidade na absorção de seus nutrientes,por falta de enzimas. O tempo de espera (01 h/kg de ração) é suficiente para otimizar muito a absorção dos nutrientes da ração.

     Por outro lado, há quem diga que o ideal é disponibilizar o volumoso ao cavalo sempre que ele quiser, da mesma forma que ele ingere na natureza. Porém, neste caso o cavalo não está confinado numa baia de 3 por 4 m. Nesta condição, o tédio o leva a "inventar" coisas para fazer, com alguns animais espalhando o alimento pela baia com muito desperdício. Por isso recomendo dividir o feno em 3 a 4 refeições ao dia, nas quantidades adequadas às necessidades de cada animal, que podem variar conforme o peso e atividade, entre outros.

     HORSE BUSINESS: Sempre ouvimos que o melhor alimento para cavalos é a alfafa, e há quem a utilize como única fonte de volumoso. Um argumento é que os cavalos adoram comer alfafa. O que você tem a dizer sobre isso?

     ANDRÉ: A alimentação do cavalo atleta é baseada no fornecimento de ENERGIA e não de PROTEÍNA. A alfafa por excelência, é um alimento protéico. Claro que todo alimento fornece energia e proteína, entretanto, conceitualmente, aquele nutriente que é preponderante no alimento, determina a característica dele (protéica, energética, mineral ou vitamínica).

      A alimentação de um cavalo atleta jamais deve ultrapassar 14% da proteína na Dieta Total, ou seja, tudo aquilo que o animal ingere no período de 24 hs, sendo ideal ficar ao redor de 12%.

      A alfafa tem uma média de 17-18% e até mais de proteína. Como o volumoso não deve ser inferior a 60% da dieta total do cavalo, como volumoso único a alfafa fornece cerca de 1430 g de proteína (8 kg de alfafa 17% ao dia), sendo as necessidades do cavalo atleta de 500 kg em trabalho médio (salto, por ex) de 984 g, portanto somente a alfafa está com um excedente de 444 g (ou 45%), com possibilidades de complicação. Isso sem contar a proteína que a ração fornece. Se for uma ração com 12% de proteína, sendo oferecido 6 kg ao dia, ofertamos + 720 g de proteína, totalizando 2.150 g de oferta, contra 989 g de necessidade - dá um excesso de 117%, quando o tolerado é de 30% além das necessidades do animal.

      A utilização de fenos de gramíneas, com teores de proteína de cerca de 9 a 11%, além de muito mais BARATA, é muito mais SAUDÁVEL para o animal. Se por acaso a dieta que você está utilizando não está de acordo com as necessidades do animal, deve ser revista, mas não utilizando-se alfafa. Esta é um ótimo alimento para éguas em reprodução e potros em crescimento, e ainda assim deve ser fornecida com restrições, e não à vontade.

      Jamais fiz uma dieta onde precisasse utilizar mais de 5 kg de ração para um animal. Fiz dietas para cavalos de CCE no preparo para a Olimpíada de Sydney, para cavalos de Enduro no Mundial da França, para cavalos olímpicos de salto, e em nenhum destes casos foi necessário utilizar alfafa ou mais de 5 kg de ração.

      O que se pode e deve fazer é utilizar uma ração mais energética. Se isso não for suficiente (cavalos em trabalho muito intenso), utiliza-se suplementos energéticos nas doses individuais necessárias para suprir as necessidades ENERGÉTICAS do animal.

      Não se preocupe com as necessidades protéicas. Se utilizar matéria prima nobre, as necessidades protéicas de seu animal serão plenamente satisfeitas. Existe uma cultura maléfica no meio eqüestre (herdada dos animais de corrida) onde pensa-se que quanto mais proteína oferecida ao animal, melhor será o seu desempenho.

      Quanto à preferência por alfafa, meus filhos adoram balas e sorvetes, e não é por isso que os deixo comer estes “alimentos” à vontade.

     por isso deixo-os "ad libitum" com estes "alimentos".

      Quanto a saber o quanto oferecer de alfafa, como agrado para os animais,deve-se procurar balancear com o restante da dieta para não desequilibrar a mesma.

     Recomendações nutricionais para diversas categorias animais

     HORSE BUSINESS: Como deve ser alimentado um potro entre a desmama e a idade de doma? Parece que esta é uma idade onde os animais são deixados muito ao léu, quando é uma fase tão importante em termos de crescimento e desenvolvimento ponderal...

     ANDRÉ : Para o potro dos 6 aos 18 meses o mais indicado é uma complementação com ração de boa qualidade de 17 a 18% de proteína. A base do volumoso deve ser gramínea (feno ou pasto, ou mesmo capim picado) e pode ser complementada com 1 a 2 kg de alfafa diários.

     A quantidade de ração deve ser na base de 0,7 a 1,0 kg por 100 kg de potro, dependendo é claro, da qualidade desta ração e da qualidade e disponibilidade do volumoso. Pode ainda ter uma suplementação com vitamínico mineral de qualidade.

     As variações de quantidades dependem de algumas variações individuais do animal, que deve ser constantemente acompanhado para ver se suas necessidades estão sendo supridas na quantidade certa. Deficiências levam a um baixo rendimento (reprodutivo ou de desenvolvimento). Excessos levam a problemas reprodutivos, como dificuldade no parto e nascimento de um potro frágil e a problemas no crescimento e desenvolvimento, como as Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares.

     A partir dos 18 meses a ração já deve passar para 15% de proteína até os 36 meses, quando será definida a função do animal e oferecida a ração adequada a esta função.

     Claro, além disso nunca pode faltar sal mineral específico para eqüinos e água fresca e limpa à vontade. Outros suplementos devem ser avaliados conforme as necessidades individuais de cada animal. Estas recomendações valem para todas as categorias de eqüinos.

     HORSE BUSINESS: E quanto às reprodutoras? Vemos por aí éguas ganhando muita comida no início da gestação, parindo gordas e depois perdendo muito peso durante a lactação... Quais as suas recomendações?

     ANDRÉ: Éguas no último trimestre de gestação devem receber 1,5 a 2,0% de seu peso vivo (em Matéria seca) por dia, dividido em no máximo 40% de concentrado com 15% de proteína bruta e 3 a 4 % de extrato etéreo, mais, no mínimo, 60% de volumoso de boa qualidade com cerca de 8 a 11% de PB (preferencialmente gramínea).

     Para as éguas em lactação, vale: 1,8 a 2,9% do peso vivo (em Matéria seca) por dia, dividido em, no máximo, 50% de concentrado com 15% de proteína bruta e 3 a 4 % de extrato etéreo, mais, no mínimo, 50% de volumoso de boa qualidade com cerca de 8 a 11% de PB (preferencialmente gramínea).

     HORSE BUSINESS: Quando dar aveia ao cavalo?

     ANDRÉ: De minha parte, quase nunca. Somente quando a dieta assim o exigir. A resposta ficou vaga, mas é para dar idéia de quão vaga é a alimentação praticada por aí. Em suma, se você utilizar volumoso de boa qualidade, sal mineral específico, água fresca e limpa, complementar com uma ração balanceada e equilibrada de boa qualidade e específica para o animal e sua atividade, o máximo que você pode precisar é de um suplemento, que pode ser desde vitamínico mineral a aminoácidos, ou ainda energético.

      A aveia não deve ser utilizada como suplemento energético para não incorrermos nos problemas do excesso de amido. Quer aumentar a energia da dieta de seu cavalo? Primeiramente verifique se você já está utilizando uma ração adequada (alta energia), em seguida, se realmente for necessário, pode-se utilizar um suplemento energético extrusado ou mesmo peletizado, ou ainda óleo vegetal, ou mesmo a farinha de linhaça. Porém verifique sempre a real necessidade de seu animal. Faça este aumento gradativo e pense na dieta como um todo. Sempre falo a meus alunos que se deve ter um pensamento espacial, não para viver no mundo da lua, mas para pensar em todos os nutrientes de uma dieta, pois ao se mexer no nível de um nutriente, deve-se verificar a necessidade de aumentar algum outro (p. ex, vitamina é fundamental para absorção de energia, e assim por diante).

Autor: André Cintra

Fonte: Cavalo Criolo Website

quarta-feira, 4 de maio de 2011

NUTALIOSE

 

A Nutaliose é uma doença causada pelos protozoários Babesia caballi e o Babesia equi e também é chamada de Babesiose eqüina ou simplesmente Babésia (em alusão ao nome do agente causador) ou Piroplasmose. A Nutaliose é transmitida, principalmente, pela picada do carrapato (Dermacentos sp - carrapato que se aloja na orelha do cavalo; Rhipicethalus sp, Hyaloma sp e Amblioma cajannense). A transmissão de uma geração a outra de carrapatos dá-se por infecção transovariana, ou seja, os ovos são postos já contendo o parasita (babésia) que irá acompanhar todo o desenvolvimento até que o carrapato atinja o estágio adulto para tornar-se infectante.

      São citados outros transmissores como pulgas e mosquitos, podendo ser transmitida, também, por agulhas e instrumentos cirúrgicos contaminados, mas não é transmitida de cavalo para cavalo.

      O Protozoário infesta as células do sangue, destruindo-as, causando uma anemia que pode variar de intensidade. Se ela for muito intensa, observa-se o animal triste, magro, com febre, fraco, com as mucosas amareladas, pelagem feia e pode levar ao óbito. Felizmente, o mais comum é uma anemia branda, observando-se certa fadiga após o exercício e diminuição do desempenho.

      O ciclo de vida, tanto da Babesia caballi quanto da Babesia equi é dividido em duas fases: Uma no sangue periférico dos eqüinos, onde se encontram em forma de merozoítos e trofozoítos, e outra no carrapato. Após a infecção com o carrapato, o período de incubação é de 12 a 30 dias para B.caballi e de 12 a15 dias para B.equi. São de fácil diagnóstico, tratamento simples, prognóstico favorável desde que seja descoberta em seus estágios iniciais (e SEMPRE acompanhada de um veterinário).

     Sintomas

     Anemia grave – devido à destruição dos glóbulos vermelhos;

     Febre;

     Amarelamento das mucosas (icterícia);

     Incoordenação dos movimentos;

     Morte (em casos muito severos).

     Ainda podem ser observados:

     Falta de apetite;

     Depressão (apatia - sendo um dos primeiros sinais clínicos a queda da performance);

     Lacrimejamento;

     Pulso aumentado, podendo chegar até a 80 a 100 por minuto (em alguns casos foi noticiada pulsação da jugular);

     Inchaço dos membros (edema);

     O animal permanece deitado por mais tempo.

      Alguns casos agudos levam a hemorragias petequiais nas mucosas, as quais assumem coloração amarelada. Podem ocorrer, também, edemas subcutâneos no abdômen, nos órgãos genitais e nas extremidades, assim como nos pulmões. Distúrbios gastrointestinais (cólica e/ou diarréia) podem ser observados, e também abortos, assim como a infecção do feto devido à transmissão intra-uterina que é relativamente comum. O feto pode ser infectado por ambas as espécies de Babésia durante a gestação sem que a égua apresente qualquer sinal clínico da doença. Em casos crônicos os sinais clínicos podem persistir por um período longo (mais de 15 dias). A taxa de mortalidade depende do estado geral do animal infectado e da virulência do parasita. Ocorre uma alta taxa de mortalidade quando a doença ocorre na fase aguda em animais velhos e que nunca foram expostos à Babésia, quando introduzidos em áreas endêmicas.

      Na necrópsia de cavalos que morreram devido à infecção aguda de B.caballi, encontram-se, geralmente, exsudato seroso e edema subcutâneo em todas as cavidades do corpo; edema pulmonar, glomerulonefropatia (alterações nos rins), hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e pâncreas), e hemorragias petequiais nas mucosas.

      A queda no rendimento do animal é explicada pelo fato de haver uma menor oferta de oxigênio, decorrente destruição das hemáceas (similar à malária humana), responsável pelo transporte de gases (O2 e CO2) no corpo animal.

     Diagnóstico

      O diagnóstico preciso só pode ser confirmado através de exames laboratoriais – exame de Piroplasmose ou de Babésia – coleta-se, aproximadamente 5ml de sangue sem anticoagulante. Pode-se fazer, também, uma pesquisa de hematozoários, que é mais antiga e conhecida, mas ela só funciona bem nos casos agudos, quando o animal apresenta febre alta.

      Para fins de viagens internacionais e de seguro, este é um dos exames exigidos para controle fito-sanitário de cavalos e a liberação para competição. Felizmente, para o plantel brasileiro, onde a doença apresenta-se praticamente endêmica, esse modelo de exame apresenta baixa sensibilidade e pode-se tratar o portador crônico para que o animal possa viajar alguns meses após o início do tratamento. Já existindo, porém a probabilidade da obrigatoriedade da aplicação do teste Elisa, que detecta portadores crônicos, que não apresentam sintomas e são chamados de portadores Assintomáticos.

      Isto poderia significar o término de várias carreiras internacionais para alguns cavalos brasileiros de renome, uma vez que nosso plantel já apresenta grande número de animais infectados.

     Controle

      A única medida eficaz para o controle da Nutaliose é combater os carrapatos. Para isso, identifica-se a espécie correta de carrapato que está parasitando os cavalos do plantel e/ou hípica a fim de detectar exatamente quais espécies estão presentes.

     Detectando-se o parasita, a próxima etapa consiste em determinar o habitat exato, para tornar o combate mais preciso e definitivo, pois cada espécie possui ciclo de vida diferente e deve ser controlada de modo diferenciado, variando-se a intensidade do controle e a época de combate. Algumas espécies não podem ser detectadas a olho nu devendo-se proceder ao teste Elisa em todo o Plantel para que haja precisão na determinação das espécies presentes. O recomendável é a visita de um técnico especializado que avalie as medidas corretas e adequadas a cada propriedade/plantel a serem implantadas, como o controle de plantas invasoras nas pastagens, banhos, manejo dos animais e propriedade, etc.

     Tratamento

      A Nutaliose provocada pela Babesia caballi pode ser combatida pelo sistema imunitário do animal que a elimina da circulação sangüínea, basta apenas dar suporte alimentar e vitamínico e eliminar o transmissor para que não ocorra reinfestação e contaminação. Já a Babesia equi não pode ser eliminada pelo animal e ele se tornará um portador crônico pelo resto da vida. Apesar da proteção (anticorpos) que um portador assintomático possui, ele pode vir a apresentar sinais agudos em situações de estresse. Existem alguns medicamentos disponíveis no mercado que podem controlar a doença, porém não eliminá-la, havendo uma queda de resistência no organismo do animal, é provável que a doença se manifeste em sua fase aguda, sendo necessária a utilização de medicamentos para a manutenção. Devem-se deixar os cuidados a cargo de um veterinário, pois os medicamentos são bastante tóxicos, afetando o animal e produzindo, muitas vezes, efeitos colaterais severos, como cólicas, diarréias, salivação, sudorese, inflamação no local da injeção, e que apenas um profissional especializado sabe como contornar.

      Devemos nos conscientizar e a todos que lidam com o problema (criadores, veterinários, cavaleiros, tratadores e treinadores) para que haja controle do vetor (carrapatos, mosquitos, pulgas) e da doença, para melhoria dos planteis brasileiros.

Autor: Deanna Buono

Fonte: Cavalo Criolo Website

terça-feira, 3 de maio de 2011

Genealogia

A GENEALOGIA, SUA IMPORTÂNCIA PARA O MELHORAMENTO E PARA A PRODUÇÃO ANIMAL E OS MÉTODOS DE CONFIRMAÇÃO DOS PEDIGREES.

1. Genealogia x Melhoramento e Produção Animal

O principal objetivo do melhoramento animal é, sem dúvida, após identificar os indivíduos que possuam genótipos considerados superiores para uma dada característica, multiplicá-los e distribuí-los em populações diversas. Desse modo promove a melhoria dos rebanhos, tornando-os mais produtivos. É exatamente na hora em que se pretende multiplicar os melhores genótipos que a genealogia passa a ter papel decisivo, respondendo por grande parte do sucesso ou insucesso do programa de melhoramento.

Quando surgiram as diversas Associações de Criadores, foram criados em cada uma delas, os setores de Registro Genealógico, aos quais caberia emitir os pedigrees de cada animal registrado, de modo que se documentasse a pureza das raças. Diversos erros de parentesco ocorriam nesta ocasião, mas passavam despercebidos. Isso ocorreu não apenas no Brasil, mas também em outros países.

Com o correr dos anos foram introduzidas técnicas como a inseminação artificial e a transferência de embriões, que tornaram necessária a tipagem dos doadores de sêmen, das doadoras de embriões e das progênies oriundas dos mesmos, de modo a confirmar sua genealogia. Hoje temos ainda no Brasil, práticas como o uso de reprodutores múltiplos que, segundo Penna et al., (1998), só recentemente foi regulamentada.

Além disso, temos que admitir que também fazem parte de nossa realidade erros provenientes das mais variadas fontes, tais como anotações errôneas; troca de sêmen; reprodutores que pulam cercas; identificação incorreta dos animais pelos funcionários das propriedades, etc., que podem levar a perdas incalculáveis. Isso pode ser facilmente compreendido se lembrarmos que, atualmente, todos os programas de melhoramento animal, baseiam-se nas avaliações de mérito genético dos animais, cálculo este que depende diretamente das relações de parentesco dos mesmos. Segundo Van Vleck, (1970) e Gedelman et al., (1986), tais erros de genealogia levam à diminuição da acurácia nas avaliações genéticas, reduzindo também o ganho genético, já que a seleção de reprodutores errados diminui o diferencial de seleção.

Erros de paternidade ocorrem em todo o Mundo, podendo chegar a níveis muito comprometedores, como os relatados em 1996 para a Rússia (30%) e para a Alemanha (23%) por Ron et al. (1996). Esses mesmos autores,  concluíram que seria de grande importância a tipagem por DNA de todas as progênies em avaliação, filhas dos reprodutores submetidos aos testes de progênie. Apesar do custo inicial do programa, dentro de poucos anos o retorno econômico seria altamente compensador.

2. Testes para verificação de parentesco

Como já mencionado, a tipagem sangüínea foi o primeiro teste disponível para a verificação de parentesco, surgindo por volta de 1938, como resultado dos trabalhos realizados pelo Dr. Irwin e seu grupo na Universidade de Wisconsin, Madison-EUA. Por muitos anos foi o único exame disponível, até que recentemente surgiram os testes de DNA como uma alternativa à tipagem sangüínea. Para que seja possível compreender bem a importância de cada tipo de teste e quando se deve optar por um ou outro método, a seguir faremos uma breve descrição de cada um deles.

2.1. Tipagem sangüínea

O teste de tipagem sangüínea propriamente dito consiste do reconhecimento dos diversos fatores sangüíneos presentes no animal através de exame sorológico, bem como das variantes protéicas, obtidas por eletroforese em gel de amido ou poliacrilamida. O material utilizado para o exame sorológico é sempre o sangue do animal, colhido em tubo à vácuo contendo anticoagulante. Para os testes bioquímicos usa-se também o sangue colhido em tubo à vácuo, só que desta vez sem anticoagulante, o que permite a separação do plasma sangüíneo. Nos exames sorológicos são lidas e interpretadas, reações de hemólise ou aglutinação das hemácias do animal em teste, quando submetidas à presença de anticorpos específicos para os diversos fatores sangüíneos. Já os testes bioquímicos analisam as principais variantes protéicas presentes nas hemácias ou no soro dos indivíduos.

É importante dizer que todos os testes de verificação de parentesco baseiam-se no PRINCÍPIO DA EXCLUSÃO GENÉTICA, segundo o qual, ao comparar-se os resultados obtidos para o indivíduo em teste nos exames sorológicos e para as variantes protéicas, com os mesmos resultados mostrados por seus supostos progenitores, pode-se EXCLUIR um falso progenitor. Segundo Bernoco et al. (1997), a acuidade do teste na exclusão é de 100 %, enquanto que a não-exclusão somente, não é aceita como prova de parentesco, já que existe a possibilidade de 2 indivíduos apresentarem o mesmo tipo sangüíneo, como é o caso de gêmeos idênticos. Assim sendo, diz-se que o progenitor apenas pode ser QUALIFICADO como tal. O mesmo princípio se aplica aos testes de DNA.

Compreendidos os princípios do teste de tipagem sangüínea cabe-nos dizer que a segurança desses testes para verificação de parentesco é de 100%, desde que sejam feitos de acordo com as recomendações da ISAG - International Society for Animal Genetics), que propõe um painel de testes com pelo menos 60 diferentes anticorpos, pertencentes a no mínimo 10 sistemas de grupos sangüíneos (Stormont, 1997 - informação verbal).

 
Um estudo feito no Brasil por Oliveira (1994), mostrou a importância da realização de testes de análise de parentesco, quando detectou por meio de tal exame, 26,72 % de erros de paternidade e 10,94 % de erros de maternidade ocorridos em um rebanho considerado de ótimo nível zootécnico, tendo como única (porém grave) fonte de erro, a condição de semi-analfabetismo do principal peão responsável pelo controle dos registros individuais. O que sem dúvida alguma compromete qualquer programa de melhoramento que envolva tais indivíduos.

2.2. Tipagem por DNA

Apesar da alta precisão do teste de tipagem sangüínea na exclusão de um falso parentesco, há casos em que algo mais é necessário, como no relato feito por Bowling et al. (1993), em que uma égua portadora de quimerismo sangüíneo era excluída como mãe de um potro pelo exame de tipagem. Após testar o DNA extraído do sangue desta fêmea com 5 microssatélites persistiu a exclusão. No entanto, ao testar-se o DNA extraído de bulbo capilar nenhuma exclusão foi observada. Assim, verificou-se que a égua era uma quimera, possuindo duas linhagens celulares distintas, sendo uma proveniente de seu irmão gêmeo (mostrada em seu sangue) e outra própria (evidenciada nos bulbos capilares).

O DNA está no núcleo de todas as células somáticas (do corpo) dos indivíduos onde forma os cromossomos. Essas estruturas existem aos pares, sendo cada membro do par transmitido ao indivíduo por um de seus progenitores em seus gametas (óvulo e espermatozóide). Cada cromossomo é então, constituído por uma longa fita de DNA, que por sua vez é formada por unidades menores chamadas de nucleotídeos (ou bases) que se apresentam em quatro formas distintas: A (Adenina), T (Timina), C (Citosina) e G (Guanina).

Ao se combinarem, tais bases podem dar origem a trechos de DNA que correspondem ao que chamamos de genes, portanto à seqüências que irão codificar ( ou dar a ordem de comando) para que o organismo expresse certas características, tais como cor da pele, dos olhos, etc. Também originam outras seqüências que se localizam entre os genes. Algumas dessas seqüências, por sua vez, apresentam repetições consecutivas de combinações das bases A, T, C ou G (de 1 a 6 nucleotídeos); chamadas de repetições em tandem, as quais podem ocorrer até 30 vezes nessas regiões do DNA.


Alguns exemplos dessas combinações são: TGTGTG, ATTATTATT, CGCG, AAT, etc. Essas seqüências repetitivas receberam o nome de microssatélites.

Uma das principais características dos microssatélites é exatamente a considerável variação observada quanto ao número de vezes que uma determinada seqüência de bases se repete. Num certo ponto de um cromossomo podemos ter, por exemplo, a seqüência TG repetida 15 vezes, enquanto que, no mesmo local do cromossomo homólogo (par correspondente) do mesmo animal, pode haver 12 cópias desta seqüência. Essa variação, chamada de polimorfismo, é o que torna cada indivíduo distinto do outro (Figura 1). Considerando que os microssatélites também são hereditários, podem então, ser utilizados em verificações de parentesco.

 
Além de sua importância na solução de casos mais complexos, como o anteriormente citado, ainda por motivos como facilidade de obtenção e transporte de amostras (no caso de bulbos capilares), possibilidade de análise de material de indivíduos já falecidos (ossos, sêmen, embriões e outros tecidos), facilidade de realização dos testes (permitindo até mesmo automatização) e comercialização dos reagentes e primers em forma de kits; a tipagem por DNA tem se expandido.

A tipagem por DNA, assim como a tipagem sangüínea, está sujeita ao rigoroso controle de qualidade feito pela ISAG, por meio dos Testes Comparativos Internacionais, organizados e coordenados por essa sociedade científica. Os resultados de cada um deles são de grande importância, permitindo a padronização mundial dos testes. Em Julho/2000 realizou-se o mais recente encontro dos membros da ISAG, sendo que durante a reunião foram apresentados e discutidos os resultados do último teste comparativo para bovinos e eqüinos (realizados em 1999), definindo-se os painéis mínimos de teste. Ou seja, decidiu-se quais microssatélites obrigatoriamente deverão ser testados, para que o exame tenha validade legal e forneça uma alta probabilidade de exclusão de falso parentesco (PE). Tanto para bovinos, quanto para eqüinos 9 microssatélites específicos têm que ser utilizados. Normalmente os painéis para bovinos são compostos por 11 microssatélites e para eqüinos por 13 a 15. Esse número de seqüências em teste tem papel fundamental na distinção de indivíduos que tenham alto grau de parentesco. Também é preciso esclarecer que tais microssatélites não são tomados ao acaso. Os escolhidos para compor os painéis de teste correspondem a seqüências altamente polimórficas na maioria das raças criadas. Usando tais microssatélites trabalha-se com probabilidades de exclusão de falso parentesco entre 98 a 99,9%.

Tais exames já estão disponíveis para várias espécies animais, estando entre elas os bovinos, eqüinos, caprinos, ovinos, caninos, felinos, bubalinos e até mesmo algumas espécies exóticas como os bisões.

Para algumas espécies, como no caso de eqüinos, já vem ocorrendo a substituição da tipagem sangüínea pela tipagem por DNA, em diversos países. O mesmo vem acontecendo com a raça bovina Holandesa, cujos principais reprodutores na Holanda, atualmente são testados somente por DNA. Portanto, é preciso que tal tecnologia esteja ao alcance dos criadores, especialmente daqueles que importam ou exportam animais, sêmen e embriões. Um grande empecilho ao emprego efetivo de testes de tipagem por DNA no Brasil, que já possui alguns laboratórios qualificados, ainda é o preço que se paga por animal testado. Podemos comparar o valor do teste de tipagem para eqüinos praticado no país, que custa em torno de R$ 35,00 Reais, com testes de paternidade por DNA, cujo preço varia entre US$ 45,00 a US$ 75,00 Dólares por indivíduo. No entanto, considerando-se a relação custo-benefício, em pouco tempo podem trazer um bom retorno financeiro sob a forma de maior produção.

3. Considerações finais

Como se pode observar, tanto a tipagem sangüínea, quanto a tipagem por DNA, em qualquer espécie animal, apresentam alto grau de precisão na exclusão de falso parentesco. O mais importante é que os exames sejam conduzidos de maneira correta, utilizando reagentes de boa qualidade, mão de obra qualificada para a execução e interpretação dos mesmos e que sigam as regras definidas pela ISAG.

Por outro lado, também é preciso que os criadores e demais profissionais envolvidos, se conscientizem de que um teste bem feito fatalmente irá detectar qualquer tentativa de fraude. A final de contas, pedigrees confiáveis se traduzem em bons resultados e maior lucratividade.

Tesxo Adaptado

Autores:
Denise Aparecida Andrade de Oliveira
Marcelo Yukio Kuabara

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Curiosidade

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Curiosa é a denominação "mata-burro" (rampas em cimento, ferros ou madeira com vãos abertos para impedir a passagem de animais que substituem pequenas pontes nas divisas de pastagem ou propriedades). Não temos conhecimento de um só caso de Muar que tenha caído em um "mata-burro". Ao contrario, vários acidentes ocorrem com Eqüinos, Bovinos e até Pessoas.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Curiosidade

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Na italia jumentos tem se tornado cada vez mais populares. Durante os últimos anos, um trabalho intenso foi feito para preservar as raças que ainda existem por lá. A maioria das nove raças que ainda existem foram aceitas pelo governo, e associações foram criadas para gerenciar os livros de registro dessas raças. Além disso produtos de jumentos como salami, leite, derivados do leite e cosméticos tem se tornado mais e mais interessantes aos olhos do mercado.  Veja: http://www.lattediasina.it/

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Afecções de Testiculo e Escroto

 

1. ANOMALIAS CONGÊNITAS:

*Monorquia- ausência de 1 testículo

*Anorquia- ausência dos 2 testículos

São patologias raras em animais domésticos. Foram descritas em cães e eqüinos.

*Poliorquidismo- duplicação testicular, testículos supranumerários. É raro, foi descrito em eqüinos.

*Heterotopia testicular- tecido testicular presente na superfície peritoneal da cavidade abdominal. Foi descrito em suínos.

*Criptorquidismo- Falha na descida do testículo ao escroto. Ocorre mais frequentemente em suínos e equinos, ocorrendo também em gatos, carneiros e touros. Em equinos o testículo está presente no abdomen ou na região inguinal. Em cães , a maior incidência ocorre nas raças Chihuahua, Schnauzer miniatura, Poodle, Husky Siberiano e Yorkshire Terrier. Há o fator genético (hereditário) envolvido.

Hipoplasia testicular:

-Gado das montanhas da Suécia: hipoplasia detectada na década de 30. Animais mantinham a libido e a capacidade de monta ( maior incidência de hipoplasia unilateral), características sexuais secundárias normais. Causada por gen recessivo autossômico.

-Outras raças de bovinos: Não foram tão estudadas, porém há indícios de hereditariedade, podendo também ser produzida por insuficiência hormonal.

-O testículo hipoplásico tem a consistência mais firme que o normal e é menor. O diâmetro dos túbulos seminíferos é menor que o normal.

-Pode ser uni ou bilateral, total ou parcial. A hipoplasia parcial é mais difícil de ser diagnosticada histologicamente, já que os túbulos seminíferos contém células germinativas ( confunde com degeneração).

-Animais com síndrome de Klinefelter (XXY) possuem hipoplasia testicular.

-Em bodes está associada ao hermafroditismo e em ovinos é hereditário.

2.LESÕES NO TESTÍCULO:

*Biópsia testicular- é feita para estudo da infertilidade. O testículo de bovino tem a túnica albugínea fina com uma rica rede vascular. Se um dos grandes vasos for cortado haverá hemorragia que levará a uma severa degeneração.

*Degeneração testicular- involução do epitélio germinativo

*Inflamações no testículo

Orquites: Afetam ou anulam a espermiogênese por um tempo prolongado ou para sempre. Pode ter origem traumática ou infecciosa. A infecção pode ser por via hematógena, retrógrada do duto deferente ou epidídimo ou via direta pela pele.

Agentes:

Brucella spp.- saco escrotal quente com conteúdo fibropurulento, área de necrose multifocal nos testículos contendo neutrófilos . Muitos túbulos seminíferos são destruídos e o resto degenera. Acomete bovinos, suínos e cães.

Pseudomonas pseudomaller- suínos.

Actinomyces bovis- bovinos

Corynebacterium pseudotuberculosis e Mycoplasma - carneiros.

Anemia infecciosa equina,Trypanossoma equiperdum e Strongylus edentatus -equinos

Sintomas: aumento de volume, calor, dor. A libido e o poder fecundante podem manter-se. Em infecções agudas há aumento de temperatura, respiração acelerada, perda de apetite, dor intensa (animal evita deslocamento, lombo arqueado, perda do interesse sexual), fertilidade baixa.

Pode evoluir para orquite crônica.

Periorquite: inflamação da túnica vaginalis testicular. As lesões podem acontecer juntas à orquite ou separadas.

* Fibrose testicular: decorrente da degeneração ou de processos inflamatórios do testículo, que ficam reduzidos, de consistência firme a dura e formam superfícies irregulares. A libido pode estar presente mas o ejaculado é oligo ou azospérmico. Tratamento impossível.

3.LESÕES PROLIFERATIVAS:

*Hipertrofia testicular: aumento de tamanho das células individuais. Ocorre quando há castração unilateral.

*Hiperplasia testicular: aumento do número de células , excluindo formação tumoral, porém a distinção é difícil. Diferenciar hiperplasia nodular das células de Leydig de tumor das células intersticiais.

4. NEOPLASIAS TESTICULARES.

*Tumor das células intersticiais( células de Leydig) ou Leidigoma

Hiperplasia: aumento das células intersticiais entre os túbulos sem destruí-los ou deslocá-los.

Tumor: nódulo discreto ou grupo de células intersticiais deslocando os túbulos seminíferos.

Tumor maligno: aumento das células intersticiais com destruição dos túbulos seminíferos.

Em cães os nódulos podem ser múltiplos e chegar a 7 cm de diâmetro. Pode ocorrer produção de estrógenos, há alopecia e feminização.

Em touros o tumor tem aparência histológica mais uniforme que em cães. Pode ocorrer em eqüinos e felinos.

*Seminoma: neoplasia das células germinativas (corresponde ao disgerminoma ovárico).

É mais freqüente em cães. É multifocal, resulta na destruição da parede tubular. É branco ou cinza e a firmeza depende da quantidade de tecido fibroso. Os grandes neoplasmas podem ser lobulares e conter áreas de hemorragia e necrose.

Em eqüinos são mais comuns em animais idosos. Pode ocorrer em carneiro, bode, gato e raramente em bovinos.

Tumor da célula sustentacular ou Sertolinoma ( Adenoma ou carcinoma tubular , tumor das células de Sertoli)

É mais frequente em cães, são fáceis de identificar pois são cinza pálido, nodular, firme e com invaginações no parênquima testicular. Há alopecia no tórax e abdômen, flancos, pescoço e feminização.

O prepúcio se torna penduloso e as tetas inchadas em decorrência do hiperestrongenismo.

Em touros há nódulos de vários tamanhos brancos ou amarelos. Pode ocorrer em carneiros e gatos e é raro em eqüinos.

* Teratoma: Ocorre mais frequentemente em equinos e raramente em outras espécies. Pode ser congênito. É constituído por cistos contendo cartilagem, ossos, dentes, tecido fibroso.

AFECÇÕES DE ESCROTO

Hidrocele - A hidrocele é o acúmulo de líquido no processo vaginal e ao longo do cordão espermático. Tem como causa primária em cães o comprometimento da drenagem linfática, linfoma, hérnia inguinal, orquite. Os sinais clínicos são turgidez e distensão não dolosa do escroto com adelgaçamento da parede escrotal devido ao edema.

Hematocele – Extravasamento de sangue , formação de hematoma ao longo do cordão espermático e no interior da cavidade escrotal

Varicocele

A varicocele alguns autores classificam como aumento dos vasos circulatório do escroto, outros como dilatação dos vasos do plexo pampiniforme responsáveis pela irrigação do testículo. À imagem ultra-sonográfica pode-se observar a dilatação dos vasos

Hérnia Escrotal- variação de hérnia inguinal onde o conteúdo herniário passa através do anel inguinal para o interior do escroto.

Pode ser caudada por traumatismo ou fatores genéticos.,

Pode ser diagnosticada pela presença de tecido flácido dentro do escroto que pode ser constante ou intermitente.

Se houver isquemia e necrose do tecido herniário pode haver leucocitose, dor escrotal, vômito e anorexia.

Deve ser realizado um exame ultra-sonográfico ou RX para se evidenciar o conteúdo herniario.

Correção cirúrgica.

Dermatite escrotal – Existem vários graus de dermatite, variando desde simples prurido até auto-mutilação . Pode possuir causa infecciosa, doença auto-imune, ingestão de micotoxinas, granulomas espermáticos, reação a medicamentos ou dermatite de contato (desinfetantes).

Neoplasia escrotal

Carcinoma de células escamosas – nódulos firmes e ulcerados na pele ou aparência proliferativa presente nas pernas, cabeça ou escroto.

Deve-se realizar a retirada cirúrgica seguida de tratamento de radioterapia ou crioterapia.

Melanomas – crescimento lento, máculas pequenas marrom escuras ou de crescimento rápido pretas e com ulcerações. Pode aparecer na cavidade oral, na região digital e escroto.

Fonte: http://www.mcguido.vet.br/patologia.htm

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Catálogo Leilão Fazenda Mocó 1988

 

Viver nada mais é do que colecionar memórias, mas lembrar apenas não basta, é preciso registrar. Arejar a memória fortalece as recordações que merecem registro. Por isso é preciso compartilhar… Adoro encontrar memorabilia perdida por ai… Olha o que encontrei no outro dia…

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Jumentos vendidos nesse leilão:

Rubi de Mocó

Repente de Mocó

Seresteiro de Mocó

Sonho de Mocó

Sucesso de Mocó

Sheik de Mocó

SOS de Mocó

Sergipe de Mocó

Sultão de Mocó

Sarrafo de Mocó

 

Jumentas vendidas nesse leilão:

Valice de Mocó

Hidra de Mocó

Roseira de Mocó

Seresta de Mocó

Suzana de Mocó

Siriema de Mocó

sábado, 16 de abril de 2011

O Jumento - Chico Buarque

 

Jumento:
Hi-oh, he-oh.
He-uh, he-uh.
É-u, eu.
Eu, eu sou um jumento,
não sou bicho de estimação.
Não tenho nome nem apelido,
nem estimação.
Sou jumento e pronto!
Na minha terra também me chamam de jegue
e me botaram pra trabalhar na roça a vida inteira.
Trabalhar feito jumento
pra no fim... nada.
Minha pensão, nem uma cenoura.
Acho que é por isso que às vezes também me chamam de burro.
Eu nem me incomodo.
Mas outro dia,
eu tava subindo o morro com quinhentos quilos de pedra no lombo,
tava alí subindo quando ouvi um paid'égua falar assim:
"mas que mula preguiçosa sô!", fui ver, e a mula era eu.
Aí eu parei: Mula! é demais!
e resolvi dar no pé.
Tomei a estrada que leva à cidade
e fui seguindo naquela escuridão.
Naquela humilhação.
Naquela solidão que nem sei.
Não sou disso não,
mas me deu uma vontade arretada de chorar
e chorar, e chorar aos soluços.
E pensava com meus borbotões...

Jumento não é
Jumento não é
O grande malandro da praça
Trabalha, trabalha de graça
Não agrada a ninguém
Nem nome não tem
É manso e não faz pirraça
Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices, que coices
Que coices que dá

O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Quem é que carrega? Hi-ho
O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão, mexerica, mamão, melancia
Que é que carrega? Hi-ho
O pão, a farinha, o feijão, carne seca
Limão mexerica, mamão, melancia
A areia, o cimento, o tijolo, a pedreira
Quem é que carrega? Hi-ho

Jumento não é
Jumento não é
O grande malandro da praça
Trabalha, trabalha de graça
Não agrada a ninguém
Nem nome não tem
É manso e não faz pirraça
Mas quando a carcaça ameaça rachar
Que coices, que coices
Que coices que dá
Hi-hooooooooo

 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

XXVI ENAPÊGA

 

EXPOSIÇÃO NACIONAL DO JUMENTO PÊGA

LOCAL: BELO HORIZONTE-MG – PARQUE DE EXPOSIÇÔES BOLIVAR DE ANDRADE - GAMELEIRA

DATA: 23/05 A 29/05/2011. 

ENTRADA DOS ANIMAIS: 23 E 24/05 – DE 08 ÀS 24HORAS.

SAÍDA DOS ANIMAIS: 29/05 - A PARTIR DE 16 HORAS.

Exposição Nacional - ENAPÊGA

 

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Valor da Mula

 

  • Para os Hititas uma mula valia 3 cavalos ou 60 ovelhas
  • Uma mula pode carregar duas vezes que um jumento, e é mais rápida aproximadamente 1½ vezes por dia.
  • Freqüentemente usados para arar a terra ou para carga, como o boi, ou para cavalgar, como o cavalo
  • Os Hebreus não podiam cria-los
    • Mas jumentos eram levados aos reis de Israel como tributo 
  • Oficiais dirigiam as batalhas em cima de mulas
  • Na Iliada, “uma égua prenhe de um jumento” foi 2 º prêmio em uma corrida de cavalos
    • 1º  uma pequena escrava
    • 3º  um vaso esculpido
    • 4º  duas moedas de ouro

terça-feira, 12 de abril de 2011

COMPORTAMENTO SEXUAL DE JUMENTOS DA RAÇA PEGA UTILIZANDO ÉGUAS EM ESTRO CONTIDAS EM TRONCO

 

Autores: CANISSO, I.F.; CARVALHO, G. R.; SOUZA, F.A.; LIMA, A.L.; SILVA FILHO, J.M.; SILVA, E. C.; RODRIGUES, A.L.;SENA, T.

Introdução
A raça Pega tem experimentado nos últimos anos uma crescente revalorização, dadas suas características peculiares em produzir excelentes muares marchadores, quando acasalados com éguas de raças de sela. Este aspecto desencadeia a necessidade do conhecimento da etologia, se
a mesma se altera, na presença da égua em cio ao invés da jumenta, uma vez que relata se na literatura repulsividade natural entre as espécies, e o acasalamento ocorra sob condições anti naturais.


Objetivos
O objetivo deste trabalho foi o de avaliar as características sexuais de jumentos utilizando égua em cio devidamente contida.

Matérias e Métodos
Foram realizadas trintas coletas de sêmen, de seis reprodutores da raça Pega, com idade de 3 a 12 anos. Todos os animais estavam devidamente condicionados a cobertura de éguas em tronco.


As coletas foram realizadas com uso de vagina artificial modelo Botucatu, com temperatura interna de 44  -45ºC, devidamente lubrificada, sempre pelo mesmo coletador.As coletas foram feitas a intervalos fixos de 48 a 72 horas sempre em horários pré-estabelecidos. Avaliou se os tempos: reação, monta, ejaculação.

Resultados e Discussão
Os tempos de reação médios foram de 32 min +- 10,2; tempo de monta 0,40 min +- 0,08 e tempo de ejaculação 2,46 +-1,02.Observamos uma tendência em quanto maior a idade do reprodutor mais breve tendeu a ser o tempo de reação e mais longo o tempo de ejaculação, porém sem diferenças estatisticamente distintas.Pelos tempos de reação, monta, e ejaculação não podemos encontrar diferenças entre os achados na literatura que utilizaram jumentas em cio para coleta, portanto, desde que os animais estejam devidamente condicionados é possível utilizar égua em estro como manequim para coleta de sêmen de jumentos.

sábado, 9 de abril de 2011

Curiosidades

 

Os jumentos machos são animais solitários e territoriais. O território do macho pode ser de mais de 10km2.

Os donos do território toleram outros machos na sua área contanto que eles não tentem cruzar com as fêmeas em seu território.

Acontecem brigas com vizinhos nos limites dos territórios, mas apenas por jumentas em cio.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cuidado com os filhotes

 

Os partos ocorrem preferencialmente nas madrugadas, o que dificulta o acompanhamento técnico e "facilita" a proteção do neonato (nome que se dá aos filhotes em suas primeiras horas de vida), evitando assim qualquer perturbação. O início do parto geralmente é marcado por uma queda de temperatura corpórea da matriz. O parto pode ser dividido em 3 fases: a primeira é de inquietação com dores abdominais, a segunda é a ruptura da bolsa, e a terceira fase é a liberação dos envoltórios fetais (placenta), que leva de 30 minutos até 3 horas após o inicio do parto. Os principais cuidados que se deve tomar com os recém-nascidos:

Sistema respiratório: Durante as primeiras horas de vida do neonato alguns fatores estimulam a respiração como: estímulos da mãe (lamber), frio, luz, diminuição da pressão de O2, liberação de CO2, etc. A freqüência respiratória de um recém-nascido é de 50-60 movimentos/minuto, se ocorrer alterações é necessário verificar se há uma camada mucosa revestindo a cavidade nasal e/ou oral, se houver esta deve ser removida com um pano seco e limpo. No caso de haver dificuldade respiratória por conteúdo líquido é necessário massagear as narinas friccionando da cabeça até o foucinho. A respiração também pode ser estimulada elevando o posterior do animal,friccionando o dorso com pano limpo ou palha, batidas com a mão na região torácica ou jatos de água fria. Nos casos de não se restabelecer o padrão respiratório em 2-3 minutos, deve-se utilizar oxigenoterapia para evitar morte ou danos cerebrais.

Sistema cardio-circulatório: Se ocorrer algum problema com falta de oxigenação nos recém-nascidos acarretará, o retorno do sistema circulatório fetal, o que se torna fatal após o nascimento. É muito importante que seja realizado um exame das membranas mucosas, estas devem se apresentar róseas e úmidas. No momento do nascimento, a freqüência cardíaca é de 60/ 80 batimentos/minuto, após 1/12 horas ela passa a ser de 120/140 batimentos/minuto, e após 12 horas passa a ser de 30/40 batimentos/minuto.

Temperatura: A temperatura retal do filhote deve estar em torno de 37,5-38,5 graus, um desvio acima ou abaixo é preocupante.

Cordão umbilical: Após o término do parto a égua/jumenta deverá permanecer deitada, este processo serve para diminuir a circulação sanguínea do cordão umbilical, pois no momento em que ela se levantar o cordão irá se romper. Após o rompimento do cordão umbilical, este deve ser embebido com uma solução de iodo 2%, para evitar a entrada de infecções, o curativo deve ser repetido diariamente até que a ponta do cordão caia ou se feche.

Excreção do mecônio: Mecônio são as "fezes" produzidas e acumuladas no intestino durante a vida intra-uterina, a partir da segunda metade da gestação. A coloração vai de marrom amarelada a marrom escura. A liberação do mecônio deve ocorrer entre 4-5 horas após o parto. Se isso não ocorrer deve-se interferir, pois do contrário o filhote apresentará cólicas abdominais. Os sinais clínicos de retenção de mecônio são notados entre 6-12 horas após o parto, e incluem a redução da freqüência de mamadas, dor ao defecar, cauda erguida, decúbito dorsal e inquietação.

Amamentação: O leite da mãe é o alimento essencial aos recém-nascidos, tanto em quantidade, quanto em composição. O reflexo de sucção do filhote começa a partir da manutenção do filhote em pé, o que demora em torno de uma hora. O colostro (primeiro leite) é o primeiro alimento do neonato tanto do ponto de vista nutricional quanto imunológico. A dose recomendada é de 1 a 2 litros divididos em mamadas de hora em hora com a quantidade de 150 ml. A ingestão do colostro deve ocorrer até 12 horas após o nascimento. No caso de animais prematuros, órfãos ou rejeitados pela égua o recém-nascido deve receber anticorpos do colostro de outro animal. O ideal é que na propriedade se mantenha um banco de colostro para eventuais problemas. O volume de colostro retirado da égua/jumenta para formar o banco de colostro pode variar de 150-200 ml. A quantidade de leite "artificial" deve ser aproximadamente 10% do peso vivo do animal, devendo ser oferecido a cada 2 horas em mamadeiras ou baldes.

Texto adaptado. Fonte: Empório do Criador. Autores: Dr. Alexandre M. Alves e Dra. Daiane C. Neves

domingo, 3 de abril de 2011

O Jumento e o Camelo

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Além do transporte de carga, o jumento tem outra coisa em comum com os camelos…

  • Tolera 25% de perda de água, como um camelo 
    • Mas perde água 3x mais rápido 
    • Tem que beber água a cada 4 dias 
  • A temperatura corporal também flutua diariamente, mas não tanto quanto a do camelo
  • Recupera a perda de água rapidamente. Pode beber o que perdeu de água em 2 minutos (camelos levam 10)

sábado, 2 de abril de 2011

AS MARCHAS - REFERÊNCIAS EMPÍRICAS E CIENTÍFICAS

 

A SEPARAÇÃO ENTRE OS TIPOS DE MARCHA

REFERÊNCIAS EMPÍRICAS E CIENTÍFICAS SOBRE AS MARCHAS
COMPARAÇÃO ENTRE OS DIVERSOS ANDAMENTOS DOS EQÜÍDEOS

A marcha é o andamento natural de média velocidade no qual o animal não perde o contato com solo durante a passada. Ela está situada entre o trote e a andadura.


A marcha clássica é o andamento que apresenta oito apoios em uma passada completa, sendo quatro apoios triplos, intercalados sucessivamente por apoios diagonais e laterais.


Se considerarmos que o animal quadrúpede pode apresentar 15 tipos de apoios diferentes e uma suspensão completa (ausência total de apoios), vemos que as marchas podem ter inúmeras variedades, com a combinação desses 15 apoios agrupados em 4,5,6, 7 e 8 tipos de apoios, durante uma passada completa.


Os tipos de apoio possíveis são:
- 4 apoios triplos, sendo dois com os anteriores apoiados e dois com os posteriores apoiados.
- 2 apoios diagonais.
- 2 apoios laterais.
- 4 apoios simples (monopedais).
- 1 apoio duplo de anteriores.
- 1 apoio duplo de posteriores.
- 1 apoio quádruplo.


Desta forma, as marchas podem ser completas quando apresentam a seqüência típica e natural de 8 apoios sendo 4 apoios triplos, intercalados por apoios diagonais(2) e laterais(2).


As demais marchas são consideradas incompletas porque podem ter apoios triplos, substituídos por outros tipos indesejáveis à marcha completa (monos duplos e quádruplos). Isto acontece tanto nos tipos de marcha de apoios diagonais predominantes como, também, em marchas de apoios laterais predominantes, como as marchas picadas desequilibradas (guinilhas).
Com as pesquisas de análise da locomoção em mais de 1000 eqüídeos, verificando os diagramas de andamento (Gait Spectrum) produzidos pelo sistema Analoc-E, construímos a planilha da Fig. 01, relacionando os nomes técnicos e populares dos diversos tipos de andamentos do animal – do trote até a andadura,com a faixa de variação dos principais parâmetros biomecânicos da locomoção.


Os diversos tipos ou variedades de marcha, designados por caracteres alfanuméricos - D1, D2, D3 e L1, L2, L3, L4 - usados, empiricamente por algumas associações, foram relacionados aos parâmetros biomecânicos exatos de cada tipo de marcha, para esclarecer e tentar criar uma linguagem comum, evitando as interpretações de criadores e técnicos, muitas vezes contraditórias ou equivocadas.

 

Considerações e discussão:
1 - A denominação de “marcha diagonal, trotada ou transicional - D3” corresponde a uma marcha diagonal incompleta de apoios laterais nulos ou inferiores a 10% do tempo de apoio diagonal, CL = 0 até 0,1. Na prática são apoios laterais nulos ou de 3 a 5%(média). Apoios triplos inferiores a 10%. A reação é áspera, para o cavaleiro, no plano vertical.É um andamento a 2 tempos devido à dissociação dos bípedes diagonais (< 30ms) inferior a 5% e semelhante à dissociação no trote.
2 – A denominação “marcha diagonal - D2” corresponde a uma marcha batida completa, CL = 0,1 até 0,5, com apoios laterais de 15% e diagonais de 45%(média). Apoios triplos superiores a 10%. A reação é macia no plano vertical.
3 – A denominação “marcha diagonal – D1” corresponde a uma marcha batida completa, CL = 0,5 até 0,8, com apoios laterais de 25% e diagonais de 42%(média). Apoios triplos equivalentes a 30% (média). A reação é macia no plano vertical.
4 – A denominação “marcha de centro – 0 ”corresponde a uma marcha intermediária de CL= 0,8 até 1,05, com apoios laterais e diagonais equivalentes da ordem de 40%. Apoios triplos equivalentes a 20% (média). A reação é suave e macia no plano vertical.
5 – A denominação “marcha lateral – L1” corresponde a uma marcha picada completa de CL= 1,05 até 1,5, com apoios laterais de 45% e diagonais de 35%(média). Apoios triplos equivalentes a 25%(média). A reação é macia no plano vertical.
6 – A denominação “marcha lateral – L2” corresponde a uma marcha picada completa de CL= 1,5 até 5, com apoios laterais de 50% e diagonais de 30%(média). Apoios triplos equivalentes a 20%(média). A reação é macia no plano vertical e sensível no plano horizontal.
7 – A denominação “marcha lateral – L3” corresponde a uma marcha picada desequilibrada incompleta, com excesso de apoios laterais (média de 70%), conhecida como guinilha. A reação é áspera e desconfortável no plano horizontal.
8 – A denominação “andadura clássica– L4” corresponde ao andamento onde o animal tem cerca de 90% do tempo de apoios em lateral, intercalados por apoios quádruplos.
No caso da andadura desunida , o animal apresenta, ainda, breves apoios monos e triplos, devido á existência de falta de sincronismo dos bípedes laterais. A reação é desconfortável (áspera) no plano horizontal.
9 –Finalmente, o trote clássico (curto ou alongado) é o andamento saltado,a 2 tempos, que apresenta cerca de 90% do tempo de apoio em diagonal, outros apoios do tipo mono (decorrente da falta de sincronismo do bípede diagonal) e dois momentos de suspensão completa entre os apoios diagonais. Reação áspera no plano vertical. A dissociação verificada na maioria dos trotes é inferior a 5% (< 30 ms) do tempo da passada, que caracteriza o trote não-sincronizado ou desunido.
10- E por último,podemos considerar a ocorrência de sobre-pegadas, ultra-pegadas ou retro-pegadas na marcha como dependentes da conformaçao do eqüídeo. A retro-pegada é constatada no trote curto e a ultra-pegada é constatada no trote alongado.Portanto, não é característica exclusiva da marcha.


Na marcha é bom que o eqüídeo as possua, mas não são condições essenciais para a ocorrência da marcha. Ela depende muito mais de estímulos cerebrais e fatores biológicos e genéticos que, em última análise, influenciam o dissincronismo do bípede diagonal.


Texto adaptado. Autor: A.P.Toledo – engenheiro, criador de eqüinos, coordenador do sistema Analoc-E e autor dos livros: Mecânica de Sustentação e Locomoção dos Eqüinos e Tecnologia Não Invasiva para a Análise da Locomoção dos Eqüídeos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

UTILIZAÇÃO DE ALIMENTOS ALTERMATIVOS NA ALIMENTAÇÃO DE EQUINOS

 

Os cavalos são animais que desempenham atividades sócio-econômicas importantes e a nutrição desempenha papel fundamental no sucesso da criação, condicionando programas de alimentação peculiares à sua fisiologia digestiva e objetivo da eqüinocultura.

      A utilização de alimentos concentrados na alimentação de eqüinos é um dos fatores que mais onera custos de criação; desta forma, a busca de alimentos alternativos para compor rações para esta espécie, no sentido de diminuir os custos de alimentação, torna-se, atualmente, fator limitante na criação dependendo do objetivo do criador ou uso do animal. Dessa forma, a constante busca pelos nutricionistas em formular rações mais eficientes e economicamente viáveis aumenta a necessidade de pesquisas concernentes à composição química e valores energéticos dos alimentos, permitindo que os objetivos almejados na formulação de rações possam ser atendidos.

      A energia presente nos alimentos é um produto resultante da transformação dos nutrientes, pelo metabolismo, sendo um dos fatores mais importantes na nutrição animal. É consenso entre os nutricionistas que a energia é um dos fatores limitantes do consumo, sendo utilizada nos mais diferentes processos, que envolvem desde a mantença, reprodução e alta performance, permitindo assim o máximo potencial produtivo.

      Os cavalos são animais herbívoros que tem certa particularidade onde caracteriza a espécie como não-ruminantes de ceco-colon funcional e a criação desta espécie envolvem o conhecimento peculiar de sua estratégia digestiva, capacitada ao aproveitamento de nutrientes de alimentos alternativos.

      Assim, pesquisas de avaliação de alimentos utilizam ensaios metabólicos de consumo voluntário e digestibilidade como ferramenta interpretativa, que respaldam a elaboração de estratégias nutricionais para eqüinos. Nesse sentido, os subprodutos agroindustriais como casca, resíduo de soja, casca de trigo e casca de milho, resíduos da produção agrícola e da agroindústria necessitam de estudos para serem mais bem aproveitados na alimentação dos animais domésticos, possibilitando a utilização de alimentos alternativos viáveis nutricionalmente e economicamente.

      O conhecimento da fisiologia da digestão dos eqüinos é essencial para práticas nutricionais eficazes e faz – se necessário conhecer não somente como o trato digestivo funciona, mas o quão eficiente o seu funcionamento pode vir a ser, para que tenhamos êxito nas diversas atividades eqüestres, relacionadas com cada estágio fisiológico do animal ou com os objetivos do criador. Um ponto muito importante refere-se à avaliação da ingestão dos diferentes alimentos pelos animais, devido aos aspectos morfofisiológicos do trato gastrintestinal de cada espécie. Assim a caracterização dos alimentos também é fundamental para que se tenha êxito na utilização adequada dos mesmos na alimentação dos animais. No processo de caracterização dos alimentos é importante conhecê-los quanto à composição químico - bromatológica, presença de fatores anti - nutricionais ou outras características que possam limitar o uso na alimentação animal.

      Neste processo de caracterização avalia-se também a capacidade que os alimentos têm em disponibilizar seus nutrientes para os processos metabólicos do organismo animal. Isto é feito, através da determinação da digestibilidade dos componentes nutricionais do alimento, ou seja, proteínas, carboidratos e lipídeos, além de vitaminas e minerais. A digestibilidade dos nutrientes nos alimentos, teoricamente, se expressa como porcentagem do nutriente que desaparece no balanço entre a ingestão e a excreção por uma determinada espécie animal. Existe uma série de fatores que podem influenciar a digestibilidade dos alimentos para eqüinos, tanto devido ao animal em função das características genéticas ou individualidade, quanto em função das características intrínsecas dos alimentos, especialmente como composição química - bromatológicas, quantidade consumida, tamanho de partícula, teor em água, quantidade de fibra e procedimentos analíticos laboratoriais, entre outros.

      Atualmente, os subprodutos da agroindústria são grande fonte de interesse para pesquisadores e produtores que buscam a cada dia a maximização do desempenho animal associado a baixo custo.

      Desta forma, a casca de soja possui um alto teor de fibra, sendo este altamente digestível por possuir baixo teor de amido, proporciona uma baixa taxa de fermentação e reduz os problemas de acidose nos animais, doença que pode levar ao aparecimento de outra doença a laminite. Apresenta, em sua composição, teor de PB ao redor de 11%, comparável aos fenos de gramíneas de elevada qualidade e ainda apresenta alta disponibilidade energética. Assim, a casca de soja surge como promissor alimento a ser utilizado na alimentação dos eqüinos, sendo utilizada na substituição total e parcial do milho e de fontes protéicas, assim como na subtituição de fontes de volumosos como fenos de alfafa e gramíneas devido sua característica bromatológica peculiar.

      A inclusão da casca de soja em substituição ao feno de Tifton 85 aprenta valores de coeficientes de digestibilidade bons e podem ser explicados pelo alto teor de pectina contido neste alimento, constituindo a pectina um carboidrato de parede celular de alta digestibilidade quando comparado a parede celular de fenos de gramíneas.

      Apesar de rico em parede celular a casca de soja, apresenta pouca lignina, teor considerável de pectina e proteína ligada à mesma, indicando que o enriquecimento em nutrientes da digesta que alcança o intestino grosso poderá melhorar o aproveitamento dos carboidratos estruturais. Os coeficientes de digestibilidade apresentaram valores que variaram de 62,48 a 82,77% para os níveis crescentes de inclusão de casca de soja. Estes valores podem ser considerados satisfatórios para estudos de digestibilidade em dietas para eqüinos. Além de não se verificaram efeitos negativos de ingestão e/ou palatabilidade no uso das rações com casca de soja, como também, não foram observados distúrbios gastrointestinais e que as dietas para eqüinos podem ser formuladas com substituição parcial e total do feno pela casca de soja sem afetar adversamente a digestibilidade da proteína bruta e alterando positivamente a digestibilidade da matéria seca, fibra bruta, fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido.

      Outro subproduto utilizado é o resíduo de soja, apresenta em sua constituição, fragmentos de plantas, grãos quebrados, imaturos, atacados por insetos e/ou doenças, "ardidos", danificados por intempéries, sementes de plantas invasoras e torrões e parte da casca dos grãos de soja que se solta após a secagem dos grãos. Este resíduo vem sendo intensamente utilizado na alimentação de ruminantes, principalmente em rações para confinamento, pelos produtores ou pecuaristas das regiões produtoras de soja.

      O resíduo de pré-limpeza da soja como também é conhecido apresenta: matéria seca 87%, nutrientes digestíveis totais 76%, proteína bruta 30%, fibra bruta 17,5% e extrato etéreo 10%. Observa-se que a presença de grãos de soja é de 42,20%, mostrando que se trata de um subproduto com elevado valor nutritivo. Menor umidade no momento da colheita da soja pode ocasionar maior quebra de grãos, aumentando sua porcentagem no resíduo. Alta infestação por plantas invasoras deverá produzir um resíduo com maiores porcentagens de sementes e outras partes dessas plantas.

      De acordo com seus teores de proteína bruta e fibra bruta o Resíduo de Soja pode ser classificado como concentrado protéico. O teor de extrato etéreo é relativamente alto e reflete a alta porcentagem de fragmentos de grãos. O teor de cinza também é alto e provavelmente seja devido à contaminação com terra. Quanto à proteína bruta, observa-se que o resíduo de soja tem proteína de alta degradabilidade.

      Dentre os ingredientes não convencionais, pode se destacar o farelo de germe de milho desengordurado como uma opção para substituir o milho. Este alimento é um subproduto da industrialização do milho para retirada do amido por via úmida. Durante o processo, o milho é umedecido para amaciar a semente e facilitar a separação do glúten, proteína e germe. Após a remoção do germe de milho, restam apenas o glúten, o amido e a casca do milho. Porem não foram encontrados estudos referente a espécie eqüina, principalmente com casca de milho este subproduto oriundo de do beneficiamento dos grãos de milho, no caso mais especifico a produção de farinha de “biju”, denominação regional para alimento de consumo humano, a retirada da película que envolve o grão também é necessária para não fazer parte constituinte do produto final. Da mesma forma como os outros subprodutos, geralmente é utilizado de forma empírica na alimentação de ruminantes na forma de resíduo de milho ou incorporado ao “misturão”, o qual trata-se de um “pool” de subprodutos e alimentos que o compõem.

      A casca de trigo é um subproduto originário do beneficiamento do grão de trigo, geralmente, incluído no farelo de trigo, e este nível de inclusão determina a qualidade do farelo, pois se trata da película que envolve o grão. Sua retirada é necessária para produção de farinha de trigo convencional, de uso na alimentação humana. Desta forma, assim como o farelo de trigo, a casca de trigo, também vem se destacando como possível substituto a alimentos convencionais. Na prática de criação de eqüídeos, a alimentação tem sido responsável pela maior parte dos custos, sejam esses animais criados confinados ou extensivamente. É, pois, de fundamental importância conhecer os princípios básicos sobre os alimentos em si e seu balanceamento ao formular rações, buscando novos alimentos que tenham potencial de uso correlacionado com a espécie.

      O trigo é o principal cereal produzido no mundo e, diferentemente do milho, é usado prioritariamente na alimentação humana, sendo que o seu beneficiamento gera valiosos subprodutos para os animais domésticos. Na obtenção da farinha de trigo, 28% do grão não é aproveitado, originando o farelo de trigo, um dos mais populares alimentos para o gado leiteiro, e com potencial de uso na alimentação de eqüinos fornecido, geralmente, em alimentos mais ricos em proteína. Nos moinhos o farelo e o farelinho de trigo (casca de trigo) correm em bicas separadas; entretanto, no mercado brasileiro, a rotina é o emprego dos dois, formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial. De modo geral, contém cerca de 16,79% de proteína bruta e 72,74% de Nutrientes digestíveis totais (NDT), constituindo boa fonte de energia para herbívoros como os ruminantes e os que apresentam ceco-cólon funcional.

      O farelo de trigo é rico em fibras e seu consumo melhora a fisiologia intestinal do animal. Entretanto, seu consumo demasiado pode provocar um efeito laxante indesejável para o animal, sendo necessário conhecer bem a interação desse subproduto com os demais ingredientes da ração animal, para balanceá-la adequadamente em função do peso e da espécie consumidora.

     Realizando uma avaliação dos alimentos alternativos em ensaios de metabolismo com eqüinos, encontramos valores médios dos coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes de 65,87% sendo o maior coeficiente de digestibilidade obtido com a dieta contendo casca de milho com valor de 68,05%. Estes valores encontram em uma faixa aceitável, mostrando se bons valores. Para a digestibilidade da proteína bruta, o melhor valor foi observado com a dieta contendo casca de trigo cujo valor médio situou-se em 56,56%. Para a digestibilidade do extrato etéreo (gordura), o melhor valor foi observado com a dieta contendo Resíduo de soja, cujo coeficiente médio situou-se em 64,50%.

     Para a digestibilidade da fibra em detergente neutro, o melhor valor foi observado com a dieta contendo casca de milho, cujo coeficiente para fração fibrosa situou-se em 84,32% e o para a dieta contendo casca de soja com valor médio de 60,62%.

      Assim, estudos com subprodutos agroindústrias tem ainda mostrado se relativamente uma área pouco explorada, principalmente com a espécies eqüídeas, devido a dificuldade de encontrar materiais sobre o assunto. Existe certo receio quanto ao uso de subprodutos na alimentação de eqüinos, principalmente devido a uma “elitização” da espécie e uma idéia erronia de causarem distúrbios alimentares com cólica. Desta forma existe uma relutância quanto ao uso e uma dificuldade em utilizar. Porém, a utilização de alimentos alternativos na alimentação de animais que constituem a tropa de trabalho em fazendas de criação de gado, animais de passeio que não requerem uma alimentação não muito energética, podem ser uma alternativa de suplementação alimentar a um baixo custo.

Autores: Leonir Bueno Ribeiro e Paula Konieczniak

Fonte: http://www.cavaloscrioulos.com.br/